Dois “causos” sobre Mengálvio

O eterno ponta-esquerda José Macia, o Pepe, registrou em livro deliciosas histórias que ele viveu e ouviu no futebol. “Bombas de Alegria” (Editora Realejo) é uma leitura obrigatória para quem quer saber mais do folclore boleiro contado por quem viveu intensamente esse universo.

E um dos personagens que está no livro é Mengálvio Pedro Figueiró. Ele, que fez parte da maior linha de ataque do futebol mundial, com Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe, não alcançou a mesma projeção a posteriori que seus companheiros de pelota, mas era um senhor craque. Foi à Copa de 1962 e era reserva de ninguém menos que Didi, o “Folha Seca”. Percebe-se que era difícil ser titular… Além desse título, foi seis vezes campeão paulista, cinco vezes vencedor da Taça Brasil, ganhou três vezes o Rio-São Paulo e conseguiu ser duas vezes campeão da Libertadores e Mundial, tudo pelo Santos.

Mas, vamos às histórias de Pepe. Ele conta que, logo após o título de 1962, o presidente João Goulart ofereceu um banquete aos campeões na granja do Torto. Depois do almoço, o tímido Mengálvio conversava longamente com o presidente e, ao anoitecer, quando foi embora, Menga apertou a mão de Goulart e disse:

– Não vai se esquecer hein, “presida”?

Depois ficou-se sabendo que o meia tinha deixado um bilhete a Goulart pedindo um emprego para sua irmã, que se formara professora. Foi gozado pelos jogadores e tomou uma bronca dos chefes.

E não é que três semanas depois do ocorrido Samira, sua irmã, estava lecionando no bairro santista do Macuco?

Cuidado com quem cantas…

O episódio Ronaldo já deixou claro que nem sempre o que parece, é. E Mengálvio viveu um desses momentos, não com o requinte “policialesco” do Fenômeno. O meia era tido como um sujeito desligado, meio desinteressado, que não prestava atenção nas coisas. Certo dia, em uma bela manhã de segunda-feira, Menga passava com seu fusca azul por uma das praças mais famosas de Santos, a Praça Mauá, no centro da cidade. Em uma esquina das redondezas, uma bela morena olhou e lhe deu um sorriso.

Mais uma volta, Mengálvio olha pra esquina e a moça, ainda ali, novamente sorriu. O atleta retribuiu o gesto e a morena acenou para que ele parasse o carro. Pensou: “É hoje que me consagro”.

Parou com seu carro em frente à moça e ficou um pouco surpreso, um outro tanto decepcionado. A tal morena era uma de suas irmãs…

1 comentário

Arquivado em Ídolos, Década de 60

Uma resposta para “Dois “causos” sobre Mengálvio

  1. Lazaro Piunti

    A história do Pepe sobre Mengálvio é real.
    Pepe me contou, quando em ITU,
    dirigia o Ituano F.C.
    O Pepe é genial, grande cara.

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