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Novas contratações, Hernández e Lucas Lima: a goleada do Santos sobre o Kenitra

Amistoso contra time marroquino serviu para Dorival testar variações de seu esquema tático e apresentar três reforços à torcida. O resultado foi animador

Quem conseguiu ir ao Pacaembu na noite deste sábado (28), viu um jogo agradável e obviamente positivo para a torcida do Peixe. O Santos goleou o Kenitra, do Marrocos, por 5 a 1 com direito a gol de bicicleta do estreante Vladimir Hernández.

Os jogadores considerados titulares jogaram no primeiro tempo e em parte do início do segundo. Em relação ao ano passado, alguns elementos do esquema de Dorival Júnior seguiram presentes como, por exemplo, os laterais entrando pelo meio e fazendo tabelas para jogadas de infiltração e abrindo espaço para os atacantes que caem pelas pontas. Porém, um dos problemas desse tipo de variação voltou a aparecer: a cobertura feita quando os laterais se deslocam. Foi, assim, aliás que saiu o único gol dos visitantes no jogo.

Outro destaque foi a movimentação de Lucas Lima. Ele atuou mais próximo à região central, recebendo diretamente da defesa e dando início às jogadas ofensivas do Santos. Não se limitou, contudo, a ficar por ali, posicionamento em que liberava o avanço dos volantes para o ataque. Avançou e encostou nos atacantes, puxando contra-ataques e impondo velocidade em diversas jogadas. Participativo como há muito não se via, errou muito por conta da falta de ritmo, mas foi o termômetro da equipe enquanto esteve em campo. Fez o desarme que resultou no primeiro gol peixeiro, foi o responsável pela jogada do segundo, além de um assistência no terceiro. Continuando nesse ritmo, o Alvinegro terá um Dez digno de suas tradições.

Dorival repetiu também o que já vinha fazendo no final do ano passado, a utilização de apenas um zagueiro de ofício. Na primeira etapa atuaram Lucas Veríssimo e o volante Yuri e, na maior parte do tempo final, Fabián Noguera contou com a presença de Leo Cittadini a seu lado.

As contratações do Santos

Foram 17 dias de pré-temporada antes da apresentação contra o Kenitra e três reforços não puderam estar presentes. O zagueiro Cleber passa por recuperação por um problema na panturrilha, Leandro Donizete faz trabalho de recondicionamento físico e o meia-atacante Bruno Henrique está na Alemanha resolvendo questões relativas à mudança para o Brasil.

Entre os três que jogaram, Kayke foi discreto em campo, e o lateral Matheus Ribeiro sentiu de forma evidente o peso da camisa e o posicionamento tático distinto daquele que ele tinha no Atlético-GO. Nervoso, errou bastante, mas é preciso ter paciência.

Quem pareceu estar totalmente aclimatado ao clube foi o atacante colombiano Vladimir Hernández. Mostrou personalidade e muita habilidade ao fazer um belo gol de bicicleta e ainda deu a assistência para o quinto tento, de Thiago Ribeiro. Em sua estreia, já caiu nas graças do torcedor.

hernandez faz de bicicleta contra o kenitra

A pintura de Hernández contra o Kenitra

Por que um time do Marrocos?

A ideia do adversário do Santos no amistoso surgiu de um de seus patrocinadores, a Royal Air Maroc. O Kenitra é um dos clubes mais antigos do país, e tem quatro títulos nacionais, sendo o último conquistado na temporada 1981/1982. É o quinto maior vencedor de campeonatos marroquinos. Atualmente, no entanto, o time amarga a lanterna da competição nacional, com três vitórias (todas em casa), três empates e nove derrotas.

O prefeito de Kenitra, Aziz Rabbah, esteve em Santos onde firmou uma parceria com o clube para a criação de escolinhas de futebol levando o nome do Peixe para a cidade, que tem 430 mil habitantes.

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Na inauguração de São Januário, quem deu bola foi o Santos

Estádio do Vasco, que será palco do clássico do time cruzmaltino contra o Flamengo neste domingo (14),  foi inaugurado em 1927 com um show do Peixe

Inaugurado em 21 de abril de 1927, o estádio do Vasco da Gama, São Januário, será palco neste domingo do clássico entre o time da casa e o Flamengo, já que os outros estádios maiores da cidade do Rio, Maracanã e Engenhão, estão sendo preparados para a disputa dos Jogos Olímpicos de 2016.

O que poucos sabem é que foi o Santos quem inaugurou o estádio em partida contra a equipe cruzmaltina. E foi o responsável, também, pelo primeiro revés dos donos da casa no recém-inaugurado São Januário.

Vasco X Santos em 1927

Cena da inauguração de São Januário (Reprodução Site do Vasco)

Aquele Alvinegro seria o time que assombraria os amantes do ludopédio ao ser a primeira equipe brasileira a anotar cem gols em uma competição. E todos os integrantes da chamada linha dos cem gols santista atuaram naquele dia. Omar, Camarão, Feitiço, Araken e Evangelista estiveram em campo e o destaque da peleja foi Evangelista, que marcou três vezes, com Omar e Araken completando o placar. Negrito, Galeto e Pascoal fizeram pelo Vasco, na derrota dos anfitriões por 5 a 3.

O triunfo garantiu ao Peixe o troféu A Vitória, alusivo à inauguração da casa vascaína, àquela época, o maior estádio de futebol da América do Sul, comportando 40 mil pessoas em sua première.

 

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A passagem de Sócrates pelo Santos

Na rica e mágica trajetória do Doutor Sócrates nos gramados está também uma passagem pelo Santos Futebol Clube. O atleta tinha voltado da Fiorentina para o Flamengo em 1986, onde havia muita expectativa com a dupla que faria com Zico. Mas ambos jogaram apenas três partidas juntos, já que sofreram com contusões. O camisa 8, em 1987, acabou se desligando do clube rumo, supostamente, a uma aposentadoria.

Mas em 1988, após aproximadamente um ano fora dos gramados, ele retornou. O anúncio da sua contratação pelo Santos foi feita com pompa e circunstância no Ilha Porchat Clube, em São Vicente. Veja no vídeo abaixo como a torcida alvinegra saudou o atleta de 34 anos em sua apresentação.

A estreia do craque foi em um amistoso contra o Cerro uruguaio. Vitória peixeira por 4 a 2, com gol de Sócrates, de cabeça. Jogou 75 minutos e, por pouco, não fez um gol de placa em uma jogada de arranque, jogada, aliás, pouco usual. O lance está no 3:23 do vídeo. Magrão deu um drible da vaca, um drible de corpo, fintou, passou uma bola por baixo das pernas do adversário e tocou por cobertura. Mas a redonda, indócil, teimou em passar por cima da meta. Abaixo, a pintura do Doutor:

A jornada de Sócrates na Vila Belmiro durou um ano. O clube, castigado por más administrações sucessivas, estava em crise financeira e passou por situações pelas quais jamais deveria ter passado como, em uma excursão realizada no Chile, a delegação fugir de um hotel sem pagar a conta. Como lembra o Blog do Prof. Guilherme, depois de uma excursão feita na Ásia, que durou 20 dias em agosto de 1989, o time estava exausto. Mesmo assim, atrás de mais dinheiro, dirigentes resolveram prolongar a viagem indo para a América do Norte. O Doutor cobrava (com toda razão) os 2 mil dólares por partida a que tinha direito, e que o Santos lhe devia desde os amistosos no Chile (quando ocorreu o episódio do hotel), realizados em fevereiro. Sem receber, Sócrates rescindiu o seu contrato e voltou ao Brasil.

Veja abaixo o Magrão marcando na vitória santista contra o São Paulo, pelo Paulistão de 1989.

Descanse em paz, Doutor, que, como cidadão que sempre foi, fará falta muita falta. Mesmo corintiano, Sócrates amava o bom futebol e lembro de uma participação sua no Cartão Verde (aliás, lembro de várias), em 2010, quando um atleta do Santo André estava no programa. Àquela altura, a única derrota em casa do time do ABC havia sido para o Santos, ocasião em que Neymar fez um dos seus mais belos gols. E Magrão disparou: “Mas perder para o Santos não é derrota, é oferenda”. Esse era o Magrão.

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