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Atlético-PR X Santos – relembre 5 vitórias alvinegras contra o rival deste sábado

No histórico de confrontos, Peixe leva vantagem sobre o rubro-negro, mas na Arena da Baixada a parada é dura

Atlético-PR e Santos fazem neste sábado (18) um duelo válido pela 9ª rodada do Brasileiro 2016 que pode significar a consolidação alvinegra no G4 ou a aproximação dos donos da casa para essa disputa.

No histórico de confrontos entre os dois, o Peixe leva vantagem. No total, são 50 pelejas, com 22 vitórias santistas, 14 empates e 14 triunfos, com 81 gols alvinegros e 59 rubro-negros. Em campeonatos brasileiros, 39 partidas, com 19 vitórias do Peixe, 11 empates e 9 derrotas.

Contudo, quando o palco é a Arena da Baixada, a coisa fica mais difícil. Em 15 jogos disputados ali, são 2 triunfos santistas, 5 empates e 8 derrotas. Neste Brasileiro, as três vitórias dos atleticanos foram em casa, além de um empate contra o Atlético-MG. A parada não será fácil, mas se o Peixe quiser lutar pelo G4 e, por que não, pelo título, tem que voltar com pontos do Paraná.

Para manter os bons fluidos, relembre cinco vitórias santistas contra o rival de hoje.

1 – Santos 3 X 0 Atlético-PR – Brasileiro de 1991

O time de Cabralzinho entrou aquela dia na Vila Belmiro, pra variar, diante de um público reduzido, 2.044 pessoas viram o triunfo peixeiro que contou com dois gols do artilheiro da competição daquele ano, Paulinho McLaren. O ponta Almir completou o placar. Naquele dia, o Peixe entrou em campo com Sérgio, Índio, Pedro Paulo, Luiz Carlos (Camilo) e Marcelo Veiga, César Sampaio, Zé Renato (Axel), Edu Marangon e Sérgio Manoel, Almir e Paulinho McLaren.

2 – Atlético-PR 0 X 2 Santos – Brasileiro de 2003

Diego e Robinho ainda faziam parte da equipe que lutava pelo bicampeonato brasileiro e que tinha como grande concorrente o Cruzeiro, time que terminou como campeão. O triunfo foi um dos dois que o Peixe conseguiu contra o rival em seus domínios. Nenê, hoje no Vasco, e Renato marcaram para o Alvinegro.

3 – Santos 4 X 0 Atlético-PR – Brasileiro de 2008

O ano de 2008 esteve longe de ser grande para o Peixe, que penou com um elenco fraco e a instabilidade no comando da equipe. No campeonato brasileiro, o Santos terminou em 15º, sem vaga sequer na Sul-americana e a um ponto da zona do rebaixamento. Mas naquele dia 4 de outubro o Alvinegro honrou o manto, com gols de Cuevas, Molina, Kleber Pereira e Fabiano Eller. Para se ter uma ideia da qualidade da esquadra alvinegra, entraram em campo Douglas, Wendel, Domingos, Fabiano Eller e Kleber; Roberto Brum, Rodrigo Souto, Bida (Adriano) e Molina (Pará); Cuevas (Reginaldo) e Kleber Pereira. O técnico era Márcio Fernandes.

4 – Santos 4 X 1 Atlético – PR – Brasileiro de 2011

Uma espetacular apresentação de Neymar no Pacaembu, que tive o prazer de ver in loco. O garoto fez todos os gols do time naquele dia e só não fez o quinto porque o árbitro Francisco Carlos Nascimento anulou um legítimo do craque. O Onze alvinegro entrou para uma galeria não tão pequena de jogadores que marcaram, em um só jogo, ao menos quatro gols com o manto. Confira abaixo:

5 – Santos 5 X 1 Atlético-PR – Brasileiro de 2015

Na última rodada do Brasileiro de 2015, último duelo entre os dois, o Santos, mesmo com uma equipe tida como mista, não perdoou. Ainda sentindo o fato de não ter mais chances no G4 e a perda do título da Copa do Brasil, o Alvinegro contou com Gabriel fazendo dois, Geuvânio anotando outros dois e Vitor Bueno marcando seu primeiro gol com a camisa santista. A equipe terminou o campeonato do ano passado na sétima posição.

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Há 20 anos: Santos 5 X 2 Fluminense – uma partida histórica

A decisão da semifinal do campeonato brasileiro de 1995 faz aniversário nesse dia 10 de dezembro. Não foi, definitivamente, uma partida comum. A goleada alvinegra teve como destaque Giovanni, o Messias, que trouxe de volta o sorriso e um futebol de gala para o torcedor

Era um domingo, e o horário pouco trivial para uma semifinal de campeonato brasileiro. A partida teve início às 19h, e, para variar, quem implantou o novo horário para jogos de futebol aos domingos havia sido a Globo, à época preocupada com as constantes derrotas do Domingão do Faustão para o Programa do Gugu, no SBT. O palco não era a Vila Belmiro, mas um Pacaembu lotado de santistas que acreditavam em um milagre.

Sim, o Peixe havia perdido a partida de ida para o Fluminense, no Maracanã, por 4 a 1, e o time carioca era uma das defesas mais sólidas do futebol brasileiro naquele ano. Lembro de jogar bola na praia do Itararé, em São Vicente, à tarde, e um amigo corintiano dizer que o técnico Cabralzinho havia enterrado as chances alvinegras naquele jogo, por tentar manter uma formação ofensiva em vez de segurar a derrota pelo placar mínimo. Disse preferir perder assim, buscando a vitória, e completei dizendo que o Santos não estava eliminado ainda. Ele riu e perguntou: “Você acha que vão ganhar por três gols de diferença?”.

Sim, eu achava, mas não era só eu. Aquele time tinha desenvolvido um futebol ofensivo, brilhante, no segundo turno do Brasileiro e com um craque que honrava a camisa dez sagrada do Santos. Giovanni comandava a equipe que contava com Jamelli, Macedo, Vágner, Robert, Narciso, Carlinho, Camanducaia, Edinho e outros que devolveram a esperança e a auto-estima à nação santista. Sim, era possível. E a história foi escrita com muita emoção, mas também com uma vontade incrível de cada um dos jogadores daquele time. E com um talento sobrenatural do Dez alvinegro.

Não é à toa que aquela partida ficou na memória dos santistas, talvez como a maior que o Peixe fez nos últimos vinte ou trinta anos. O site do Globo Esporte vai transmitir a íntegra a partir das 15h desta quinta-feira, mas você pode conferir os melhores momentos abaixo. Segue também um texto adaptado de um original já publicado no blogue sobre o duelo antológico.

Semifinais do Brasileiro de 1995 – Santos 5 X 2 Fluminense

Naquele dia vi uma das partidas mais memoráveis da história recente do futebol brasileiro. E, para mim, a maior atuação de um jogador de futebol que testemunhei com a camisa 10 que foi de Pelé.

giovanni santos x fluminense

Era um domingo, 10 de dezembro de 1995. Já havia visto in loco na Vila Belmiro o Santos vencer o Corinthians por 3 a 0 e, no meio da semana; e superar o Palmeiras de Luxemburgo, no Pacaembu, por 1 a 0, com um golaço de Wagner. Esses resultados consolidariam a arrancada alvinegra rumo às semifinais do Brasileiro daquele ano. Eram 24 times divididos em dois grupos e todos jogavam contra todos, classificando-se os campeões de cada grupo no primeiro e segundo turno.

Mas, daquela vez, teria que me contentar em assistir à partida pela televisão. Era o segundo jogo da semifinal entre Santos e Fluminense. No primeiro, no Maracanã, o Peixe perdia por 2 a 1 até os 40 minutos quando, no final, levou dois gols do time carioca, terminando a partida com dois jogadores a menos (Robert e Jamelli foram expulsos). Precisaria devolver a diferença de três gols na volta para chegar à final.

A missão parecia impossível. Nenhuma equipe havia descontado uma vantagem como essa na história do Brasileirão e, nos confrontos entre os dois times até então na competição, jamais o Alvinegro havia vencido o Tricolor por mais de um gol de diferença. Além disso, o Fluminense tinha a melhor defesa do campeonato (17 gols em 23 partidas) e o campeão do Rio (com o gol de barriga de Renato Gaúcho) não perdia por tal diferença no campeonato há 28 jogos. Mas o Santos contava com Giovanni, o 10 chamado de Messias pela torcida, e que, naquele dia, de fato concretizou um milagre.

E quem deu início à histórica jornada foi o lépido atacante Camanducaia, que driblou pela esquerda do ataque e sofreu pênalti. Giovanni, sereno, cobrou e, ato contínuo, foi até o fundo da rede buscar a bola e levá-la até o meio de campo. Sabia que era preciso fazer mais. Ainda na primeira etapa, o dez recebe do meia Carlinhos, finta Alê e chuta, de bico. Novamente, vai até o fundo do gol e resgata a bola. Parecia mais que obstinado. Aparentava estar possesso.

No intervalo, o show continuava. O time não desceu para os vestiários, o técnico Cabralzinho preferiu que os atletas sentissem o calor da torcida que lotava o Pacaembu. E, aos 6 minutos, o time retribui a força dos torcedores. Giovanni toca para Macedo, que se livra da marcação e faz com a canhota. O Santos atingia seu objetivo, mas a alegria não durou um minuto. Na seqüência, Rogerinho empatou para o Fluminense e o time carioca voltava a ter uma vaga na final.

De novo, Giovanni teve que intervir. O zagueiro Alê não sabia se atrasava a bola ou saía jogando e o craque santista deu o bote, roubando a bola que, na dividida entre os dois e o goleiro Wellerson, sobrou para Camanducaia fazer o quarto. De novo, o Alvinegro estava na final. Mas o zagueiro Ronaldo Marconato acabou expulso e o time, com um a menos, se retraiu, dando calafrios na torcida.

Foi quando bola chegou no meio de campo para… bom, nem precisa dizer para quem chegou a bola. Havia dois jogadores do Fluminense marcando em cima e mais um à espreita. O Dez conseguiu, com um passe antológico de calcanhar, achar Marcelo Passos, que avançou até a entrada da grande área, limpou Vampeta e chutou no canto esquerdo de Wellerson. Segundo Odir Cunha em seu Time dos Céus, o lance, que ocorreu quase em frente ao técnico tricolor Joel Santana, fez com que o mesmo exclamasse: “Pqp… como joga esse cara!”.

5 a 1, o torcedor do Santos podia respirar mais aliviado. Ou melhor, nem tanto. Em seguida, Rogerinho de novo desconta para a equipe do Rio. Mas não dava mais tempo. Um espetáculo fabuloso, com belos lances e todo o requinte de drama. Isso sem contar a torcida que jogou junto o tempo todo, tanto que Renato Gaúcho, ao desembarcar no Rio, declarou, conforme relato de Cunha: “Nunca tinha sentido tanta pressão da torcida jogando no Brasil. Era como se estivesse na Bombonera enfrentando o Boca Juniors em uma decisão.”

Uma classificação heróica, um jogo que entrou para a História e um craque que não deixava dúvidas. E que me desculpem Pita – que vi atuar quando moleque -, Diego ou Zé Roberto, mas Giovanni foi o maior camisa 10 que testemunhei jogar no Santos.

Santos
Edinho; Marquinhos Capixaba, Ronaldo, Narciso e Marcos Adriano; Carlinhos, Gallo, Giovanni e Marcelo Passos (Pintado) (Marcos Paulo); Camanducaia (Batista) e Macedo
Técnico: Cabralzinho
Fluminense
Wellerson; Ronald, Lima, Alê (Gaúcho) e Cássio; Vampeta, Otacílio, Rogerinho e Aílton; Valdeir (Leonardo) e Renato Gaúcho
Técnico: Joel Santana
Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo (SP)
Público: 28.090 pagantes

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Flamengo X Santos – confira cinco grandes vitórias do Alvinegro

Santos e Flamengo disputam neste domingo (2), no Maracanã, sua 116ª partida. No histórico do confronto, o Peixe leva vantagem sobre o Rubro-Negro: são 44 vitórias, 31 empates e 40 derrotas, com 173 gols feitos, 154 sofridos e um saldo positivo de 19 tentos para a equipe da Vila Belmiro.

Entre todos estes jogos, alguns são históricos e estão frescos na memória do torcedor, como os 5 a 4 que os flamenguistas, com Ronaldinho Gaúcho, aplicaram no Alvinegro de Neymar em 2011. Mas como este é um blogue santista, vamos atrair bons fluidos lembrando de cinco grandes triunfos peixeiros contra os rivais cariocas. Na verdade, quatro vitórias e um empate com um gosto de título.

1920 – Santos 6 x 0 Flamengo

Esta foi a primeira partida disputada entre os dois times, e já ficou marcada com uma bela goleada alvinegra. Na peleja disputada na Vila Belmiro, Ary Patuska e Castelhano anotaram duas vezes cada, com Arnaldo Silveira e Constantino completando o placar.

A partir daqui, uma curiosidade. Demoraram seis jogos, ou quase 19 anos, para que o Peixe perdesse pela primeira vez para o Flamengo, o que ocorreu em 1939, um amistoso disputado na Vila Belmiro que terminou em 6 a 3 para os cariocas. Na primeira peleja oficial entre ambos, duelo válido pelo Rio-São Paulo de 1952 no Pacaembu, deu Santos: 4 a 1 com dois gols de Cento e nove, ambos de pênalti, Nicácio e Tite (não, não é o treinador do Corinthians, mas este grande craque santista aqui).

Entre os flamenguistas que entraram em campo naquele 4 de julho, alguns nomes peculiares como o goleiro Kuntz, Telefone, Japonês e um homônimo do narrador, também rubro-negro, Galvão Bueno.

1961 – Flamengo 1 X 7 Santos

Essa partida, válida pelo Rio-São Paulo daquele ano, teve arrecadação recorde à época e contou com um público de 90.218 torcedores. É a maior goleada registrada no duelo.

Naquele dia 11 de março, marcaram para o Peixe Pelé (3), Pepe (2), Dorval e Coutinho. Além da linha mágica que contava com Mengálvio como armador, atuaram pelo Santos na peleja histórica Laércio, Mauro (Formiga) e Fioti (Feijó), Zito (Urubatão) e Calvet.

Aquele ano de 1961 foi mágico para o Alvinegro da Vila Belmiro. Se você quer saber mais, clique aqui.

1995 – Flamengo 0 X 3 Santos

A vitória peixeira no Maracanã veio logo depois de uma partida naquele campeonato brasileiro de 1995 que quase causou a demissão do técnico Cabralzinho. O Santos havia jogado contra o Vitória, no Barradão, no domingo anterior, e tomado uma piaba de 4 a 0, fora o baile, com dois gols marcados por um ex-santista, Paulinho Kobayashi.

Poucos acreditavam em um bom desempenho alvinegro naquele dia, mas ele veio. Marcos Adriano, lateral-esquerdo que tinha vindo justamente da equipe rubro-negra, abriu o placar aos 8 da etapa inicial, e Camanducaia fez o segundo aos 34.

A propósito, aquele era o Flamengo que viu o “ataque dos sonhos” se transformar no “pior ataque do mundo”. Sávio, Romário e Edmundo não fizeram valer a fama e as expectativas do torcedor, sendo que naquele dia só os dois primeiros atuaram na equipe comandada por Washington Rodrigues.

O meia Robert completou o placar aos 43, dando início ali a uma recuperação que garantiria ao Peixe o título de campeão do segundo turno em seu grupo e uma vaga nas semifinais. Depois desse dia, a equipe empatou fora de casa com o Paraná e conseguiu cinco vitórias em sequência, contra Corinthians, Palmeiras, Paysandu, Botafogo e Guarani.

1997 – Flamengo 2 X 2 Santos

Bom, essa não é exatamente uma vitória, mas foi a partida que deu ao Peixe o título de campeão do Rio-São Paulo daquele ano. Não foi o que nos tirou da fila de troféus importantes, mas era bom comemorar uma conquista, ainda mais obtida em um Maracanã com mais de 70 mil presentes.

Logo antes da partida, Romário recebeu o prêmio de melhor jogador da competição, o que já era estranho. Como também era peculiar a regra que garantia vantagem ao Rubro-Negro por ter feito uma campanha melhor. Bastava uma vitória em dois jogos para os cariocas se sagrarem campeões. Na partida de ida, no Morumbi, o Peixe havia vencido por 2 a 1, gols de Alessandro Cambalhota e Macedo.

O Santos campeão do Rio-São Paulo de 1997, com calção estrelado (Pisco del Gaiso/Placar)

Mesmo com todo um clima adverso, o Alvinegro saiu na frente com um gol de falta de Ânderson Lima aos 33. Mas Romário empatou de pênalti aos 37 e virou no final do primeiro tempo, aos 45.

Foi na volta do intervalo que brilhou a estrela de Vanderlei Luxemburgo, egresso do Palmeiras e em alta à época. Para ir atrás do empate que dava o título ao Peixe, colocou o desconhecido atacante Juari no lugar do lateral esquerdo Rogério Seves. E deu certo: o garoto marcou aos 32 do segundo tempo e o caneco veio pra Vila. Com o time atuando com calções estrelados…

Embora possa ser menosprezado, aquele Rio-São Paulo de 1997 foi um exemplo de organização, com algumas inovações na área técnica. Em seis partidas (só os oito grandes participaram), o Peixe levou R$ 2,5 milhões, somando premiação, rendas e mais uma quantia de uma telepromoção. A média de público foi de 20.422 pessoas, mais que o dobro do Brasileiro do ano anterior, que teve 10.913.

Também houve novidades como a possibilidade do tempo técnico para instrução dos treinadores aos atletas, o limite de faltas por equipe (15, com tiro livre direto sem barreira na 15ª infração) e limite de faltas individuais, cinco por jogador.

2000 – Flamengo 0 X 4 Santos

Aquele era o primeiro ano da gestão Marcelo Teixeira, que voltava ao clube após ter sido presidente em 1991-1992. As promessas eram hiperbólicas e o novo mandatário estreava como “mecenas”, ao estilo de Paulo Nobre, com a diferença que parte do dinheiro investido teve que ser devolvido mais adiante (fora outros problemas…)

Vieram naquele primeiro semestre de 2000 nomes como Carlos Germano, Valdir Bigode, Ânderson Luiz, Élder, Galván, Fábio Costa, Márcio Santos, além dos retornos de Caio Ribeiro (então só “Caio”) e Ânderson Lima. Após ser vice-campeão paulista, o time do técnico Giba buscava na Copa do Brasil a chance de sair do jejum de títulos que incomodava (e como) o torcedor. Assim, o confronto contra o Flamengo válido pelas quartas de final do torneio eram parte do caminho que o Alvinegro precisava trilhar e um bom resultado naquela primeira partida disputada no Maracanã era fundamental.

Não foi só um bom resultado, mas sim um ótimo, que praticamente definiu a vaga para o Peixe. Dodô marcou os dois primeiros, aos 31 e 34 e Caio anotou também duas vezes, aos 9 e 22 da etapa final.

O hoje comentarista da Rede Globo chegou ao Santos em 1997 e atuou na equipe até meados de 1998, quando foi emprestado justamente ao Flamengo. Lá, se deu bem e fez uma excelente parceria com Romário, mas o clube da Gávea não se esforçou para comprar os direitos do meia-atacante, que retornou à Vila Belmiro no início daquele ano. A vingança de Caio, magoado com os dirigentes rubro-negros, veio naquele dia.

No jogo da volta, o Peixe conseguiu nova vitória, por 4 a 2, com um hat trick de Dodô e um gol contra de Maurinho. O Santos só pararia nas semifinais, sendo eliminado pelo Cruzeiro, campeão da competição.

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O histórico de Santos e Cruzeiro – relembre cinco goleadas do Peixe sobre o rival

O histórico de confrontos entre Santos e Cruzeiro em campeonatos brasileiros é bastante equilibrado. São 70 jogos, com 25 vitórias de cada lado e 20 empates. Em Brasileiros, são 56 encontros, com 19 triunfos alvinegros, 21 derrotas e 15 empates. Na Vila, os donos da casa venceram dez vezes, perderam sete e empataram cinco.

Com todo esse equilíbrio, algo que não falta no confronto entre os dois é gol. No geral, são 117 gols alvinegros e 106 cruzeirenses, média de 3,23 por peleja. Dirceu Lopes é o artilheiro do duelo com oito gols, vindo em seguida Tostão e Pelé, com seis, e os santistas Toninho Guerreiro e Neymar, com cinco cada.

Em goleadas, a maior aplicada pelo Peixe foi em 1929, na primeira peleja entre ambos, 7 a 3, e o maior triunfo mineiro foi em um dos jogos da final da Taça Brasil de 1966, 6 a 2. Mas como este é um espaço santista, confira abaixo cinco goleadas alvinegras contra o rival:

Campeonato Brasileiro de 1983 – Santos 5 X 0 Cruzeiro

As duas equipes se enfrentaram pela segunda fase do Brasileirão daquele ano. Para entender a fórmula: eram 40 times na fase inicial, divididos em oito grupos, sendo que os três primeiros de cada um, mais quatro vindos da repescagem e outros quatro da Taça de Prata iam para a segunda fase. Formavam-se oito grupos de quatro clubes, classificando-se os dois primeiros de cada um. Fácil não?

Mas fácil mesmo foi a vitória peixeira sobre os rivais, um 5 a o no Morumbi, com direito a triplete (ou hat trick) de Serginho Chulapa, com Serginho Dourado (também chamado de Serginho Segundo) e Paulo Isidoro completando a goleada. No segundo tempo, mesmo com os mineiros atuando com apenas oito jogadores – Joãozinho, Palhinha e Osires foram expulsos – o Peixe tirou o pé evitando uma humilhação maior.

Naquela competição, o Alvinegro, comandado por Chico Formiga, chegou à final, sendo vice-campeão, e Serginho Chulapa foi o goleador máximo com 22 gols.

Campeonato Brasileiro de 1991 – Santos 4 X 0 Cruzeiro

O Santos não fez um grande campeonato no Brasileiro de 1991, terminando em 8º lugar, com sete vitórias, cinco empates e sete derrotas. Apenas os quatro primeiros se classificavam para a fase final. O Cruzeiro, porém, foi ainda pior, e ficou em 16º, a quatro pontos da zona de rebaixamento em uma época em que a vitória valia dois pontos e que só dois clubes caíam. O Brasil veria depois do fim do campeonato mais uma virada de mesa para salvar o Grêmio, penúltimo colocado à ocasião com meros doze pontos em 19 partidas.

Na competição de turno único, o Peixe enfrentou o Cruzeiro na Vila Belmiro e os mineiros se deram mal. Um 4 a 0 com gols de quatro jogadores que deixaram boas lembranças para o torcedor, embora nenhum deles tenha ganho título pelo clube. Sergio Manoel, Almir, Paulinho McLaren e Edu Marangon, comandados por Cabralzinho, técnico vice-campeão de 1995, anotaram naquele 8 de abril.

Paulinho McLaren foi o artilheiro daquele campeonato, com 15 gols.

Campeonato Brasileiro de 1994

Mais um regulamento diferente naquela competição. Eram 24 clubes divididos em quatro grupos de seis e os quatro primeiros de cada um se classificavam para formar, na segunda fase, dois grupos de oito clubes cada. Os campeões de cada um desses grupos no turno e no returno iam para as semifinais, além dos dois melhores na classificação geral dessa fase e outra dupla vinda da repescagem.

Na primeira fase, o Peixe ficou em segundo no grupo C e foi na penúltima rodada que pegou o Cruzeiro na Vila. Os donos da casa venceram por 4 a 1, com dois tentos de Macedo, artilheiro da equipe na competição com oito gols, um de Ranielli e outro de Guga. Cleison marcou para o time mineiro, eliminado na primeira fase e quase rebaixado na repescagem, quando terminou com o mesmo número de pontos que o Remo, mas com dois gols a mais de saldo.

O Alvinegro, que tinha naquela partida contra o Cruzeiro tinha Serginho Chulapa como treinador, foi para a segunda fase e por pouco não alcançou as quartas de final. No returno, ficou a um ponto do campeão de seu grupo, o Botafogo, e também a um ponto do Bahia, que passou de fase em função da classificação geral.

Campeonato Brasileiro de 2002 – Cruzeiro 1 X 4 Santos

Os dois times se enfrentaram na primeira fase do campeonato que tirou o Santos do jejum de quase 18 anos sem títulos importantes. A partida foi no Mineirão, e os visitantes viraram o primeiro tempo batendo os mineiros por 2 a 0, tentos anotados por Elano e Andre Luis. Elano marcou de novo na última etapa e Robinho fechou a goleada. Joãozinho descontou aos 41, fazendo o gol de honra dos donos da casa.

Aquele inesquecível Brasileirão foi o último disputado antes da era dos pontos corridos. O Peixe terminou a primeira fase, disputada entre os 24 participantes em turno único, na oitava colocação, tendo o direito de enfrentar o primeiro colocado, o São Paulo. Curiosamente, o Cruzeiro ficou empatado com o Peixe em número de pontos, mas com oito gols a menos de saldo. Aí fica importância que teve essa partida, no fim das contas, decisiva para o caminho do triunfo peixeiro.

Alberto foi o artilheiro do Peixe, dirigido por Emerson Leão, no Brasileiro daquele ano, com 12 gols, vindo em seguida Diego e Robinho, dez cada, e Elano, nove.

Campeonato Brasileiro de 2012 – Cruzeiro 0 X 4 Santos

Com o Mineirão sendo reformado para a Copa do Mundo de 2014, o Cruzeiro mandou sua partida contra o Santos no Independência, estádio do América que virou casa do Atlético na Libertadores de 2013. Com uma atuação que refletiu a campanha celeste naquele ano, que por pouco não terminou com o rebaixamento do clube, os donos da casa apanharam feio.

A peleja foi para o segundo tempo com o Alvinegro vencendo por 2 a 0, gols de Neymar. Felipe Anderson, fazendo aos 7 da segunda etapa, matou qualquer possibilidade de reação dos mineiros e Neymar, aos 36, completou seu hat trick, tendo ainda dado a assistência no terceiro tento. Vitória da equipe de Muricy Ramalho.

Nessa partida, um fato curioso. Após o quarto gol, feito com uma bela jogada do argentino Miralles, a torcida do Cruzeiro passou a gritar o nome de Neymar, em um misto de reconhecimento e protesto contra a própria equipe. Confira no vídeo abaixo.

Leia também:

Santos X Cruzeiro – hora de arrancar no Brasileiro

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Santos encontra velho conhecido contra o Penapolense

No banco de reservas do estádio Tententão, em Penápolis, estará hoje um técnico que passou 17 anos na Vila Belmiro como jogador, coordenador e treinador em equipes das divisões de base do Peixe. Narciso vai enfrentar pela primeira vez como técnico profissional o seu ex-clube. Além disso, vai encontrar alguns de seus ex-comandados. “Fui técnico do Geuvânio, Alan Santos, Leandrinho, Gustavo Henrique, Emerson e Wladimir no sub-20. Será muito bacana rever todo esse pessoal”, diz aqui.

Sergipano de Neópolis, Narciso veio da Paraguaçuense e estreou no Peixe em 1994. Conseguiu se firmar como titular da equipe, que tinha então Ronaldo Marconato e Maurício Copertino na dupla de zaga, com a chegada do técnico Cabralzinho, comandante da campanha quase vitoriosa do campeonato brasileiro daquele ano. Chegou à seleção brasileira e disputou as Olimpíadas de 1996, em Atlanta, com a equipe de Zagallo que obteve o bronze do torneio.

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O zagueiro Narciso, primeiro jogador à esquerda, em pé, na equipe vice-campeã do Brasileiro de 1995

Também chegou a atuar como volante quando Vanderlei Luxemburgo foi treinador da equipe, em 1997, já que suas saídas de bola com dribles na intermediária causavam arrepios ao técnico. Ficou na Vila até parte de 1999, quando foi negociado com o Flamengo. Fez 12 jogos pelo clube da Gávea e voltou em 2000 para o Peixe, quando teve diagnóstico de leucemia mielóide e precisou se afastar do futebol. Fez um transplante de medula óssea e passou por tratamento até voltar ao clube no final de julho de 2001.

Como o jogador ainda precisava moderar sua exposição ao sol e melhorar sua condição física e seu sistema imunológico, só entrou em campo novamente em 24 de outubro de 2003. Justamente em Curitiba, onde realizou seu transplante. O Peixe bateu o Coritiba por 4 a 0 com dois gols de Robinho, um de Léo e outro do zagueiro André Luiz. Ao entrar no jogo aos 38 minutos do segundo tempo, no lugar de Diego, foi aplaudido também pela torcida do Coxa, uma demonstração de apoio geral depois de passar quase quatro anos lutando contra a leucemia. Na peleja, o jogador acertou a trave e, quase marcou novamente ao aproveitar uma finalização de Robinho, mas a bola passou por cima do travessão. Veja reportagem e momentos daquela partida.

Como técnico sub-20 do Peixe, entre outros triunfos, foi campeão paulista em 2009 e vice da Copa São Paulo em 2011. Venceu a Copinha pelo Corinthians, em 2012, e ainda foi técnico dos juniores do Palmeiras. Já como técnico do profissional, treinou o Sergipe, em 2011; o Operário, em 2013, e o Penapolense, agora. Toda sorte para Narciso em sua carreira. Mas hoje, não…

Penapolense X Santos, domingo (16), às 18h30

Pela terceira vez consecutiva, Oswaldo de Oliveira coloca o mesmo time para atuar. O Peixe entra em campo hoje, no Tenentão, com Aranha, Cicinho, Neto, Gustavo Henrique e Eugenio Mena; Alan Santos, Arouca e Cícero; Geuvânio, Leandro Damião e Thiago Ribeiro. Com 19 pontos, o Peixe tem a melhor campanha da competição até agora e está a cinco pontos do segundo do grupo, o São Bernardo. O meia Geuvânio, aliás vai encontrar o clube no qual atuou no ano passado, quando foi emprestado ao time do interior.

Já a equipe de Penápolis está em segundo no Grupo A, a um ponto do líder São Paulo e a cinco do Linense, terceiro do grupo que é o que conquistou menos pontos entre os quatro do Paulista. Narciso deve começar a partida com Samuel; Rodnei, Jailton, Gualberto e Rodrigo Birô; Liel, Petros, Neto e Washington; Rafael Ratão e Alex Creu.

Os dois times se enfrentaram somente uma vez em campeonatos paulistas. Em 2013, o Peixe bateu a equipe de Penápolis na Vila Belmiro por 2 a 1, gols de Cícero e André, com o meia Guaru descontando. Confira abaixo como foi.

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No século XXI, Santos tem histórico de goleadas contra o Cruzeiro

O Santos entra na Vila Belmiro neste domingo, contra o Cruzeiro, defendendo um pequeno tabu. A última derrota peixeira contra a equipe de Minas aconteceu em 2009, no segundo turno do Brasileiro, um 2 a 1 na Baixada. Desde então, foram sete jogos, quatro vitórias alvinegras e três empates.

Santos e Cruzeiro já se encontraram 65 vezes. Trata-se de um confronto equilibrado, com leve vantagem peixeira: 25 vitórias, 21 derrotas e 19 empates, com 107 gols pró e 94 contra. A primeira peleja entre os dois aconteceu em 1923, quando o rival ainda se chamava Palestra Itália (só mudou de nome em 1942, por conta da II Guerra Mundial). Vitória do Santos por 7 a 3, gols marcados por Camarão (3), Feitiço (2) e Evangelista (2), da mítica linha dos cem gols.

O maior artilheiro santista do histórico do confronto é Pelé, com 6 gols, seguido por Toninho Guerreiro e Neymar, com 5 cada um. Aliás, o hoje atacante do Barcelona protagonizou um grande momento em 2012, contra o time celeste. O moleque marcou três gols em pleno Independência, na goleada de 4 a 0 do Peixe, sendo aplaudido pela torcida adversária, o que também foi, claro, uma forma de protesto contra o péssimo desempenho da equipe mineira na competição. Felipe Anderson marcou o outro. Confira abaixo.

Neymar protagonizaria outra goleada emblemática contra o Cruzeiro em 25 de setembro de 2010. Ali, quatro dias antes, o Peixe tinha sido derrotado pelo Corinthians, primeira partida da equipe sob o comando de Marcelo Martelotte, substituto do demitido Dorival Júnior. O ex-técnico queria manter o garoto afastado por conta da indisciplina cometida duas pelejas antes, contra o Atlético-GO, mas a diretoria não concordava com a decisão e acabou demitindo o comandante.

Porém, o clima de crise foi apagado com uma bela atuação do menino prodígio nos 45 minutos finais daquele confronto, quando o Alvinegro assegurou a vitória por 4 a 1 na Arena Barueri, mesmo jogando 30 minutos com um atleta a menos (Zé Eduardo foi expulso). Relembre:

No século 21, foram 23 partidas entre os dois, com dez vitórias santistas, sete empates e seis derrotas. O curioso é que, dos dez triunfos alvinegros, em seis ocasiões o Peixe fez quatro gols contra a Raposa. Além dos dois jogos acima, em 2012, o Santos venceu na Vila Belmiro o adversário por 4 a 2, com gols de Durval, Bill, Felipe Anderson e Victor Andrade, com os ex-santistas Borges e Ceará descontando. Já em 2007, ano em que foi vice-campeão brasileiro, 4 a 1 na Vila, com dois gols de Pedrinho, um de Rodrigo Tabata e outro de Marcos Aurélio. O lateral esquerdo Fernandinho descontou para o Cruzeiro.


Já em 2002, o time comandado por Emerson Leão, que viria a ser o campeão brasileiro, superou o Cruzeiro de Vanderlei Luxemburgo por 4 a 1, no Mineirão, com dois gols de Elano, um do zagueiro Andre Luís e outro de Robinho. Joãozinho fez o tento de honra da Raposa.

E pra completar o rol de goleadas peixeira neste século, faltava a de 2001, na Vila Belmiro. O Peixe de Cabralzinho superou o rival por 4 a 2, com dois tentos marcados por Viola, um por Elano e outro por Marcelinho Carioca. Alex e Oséas fizeram pelo Cruzeiro.

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Marcelo Passos, quase herói em 1995

O gol de Kaká contra o Apoel no meio da semana me fez lembrar de um jogador que quase foi herói de um campeonato brasileiro para o Santos. Aquele canto, o lado destro da área rival, foi durante algum tempo o espaço preferido de Marcelo Passos, um jogador que envergou a camisa dez (e outros números em várias ocasiões) pelo Santos entre 1991 e parte de 1996, e depois em 1997, após passagens por Goiás e Flamengo.

Um atleta de meio de campo habilidoso, nascido no Guarujá em 1971, com um potente chute de longa distância e características de ponta de lança que fizeram a torcida peixeira acreditar no garoto que surgia na equipe profissional aos 20 anos. Dispensado quatro vezes do Santos nas categorias de base, esteve no Portuários, AD Guarujá, Jabaquara e Portuguesa Santista. Entre essas idas e vindas, em um teste, foi aprovado no São Paulo, mas ao retornar para Baixada para desfazer seu vínculo com o Peixe, ficou no clube.

Como aspirantes, se beneficiou de uma das regras vigentes à época para se destacar entre os juniores: a partir de determinado número de faltas cometidas pelo time, a punição era tiro livre direto. Como Marcelo Passos era um exímio batedor de faltas, sua qualidade gerou expectativas quanto a sua estreia na equipe profissional.

A esperada estreia, segundo conta nesta entrevista, foi contra o Ituano, em outubro de 1991, mas, recorrendo ao Almanaque do Santos, a primeira vez em que vestiu a camisa do profissional do Peixe foi uma peleja antes, vitória por 3 a 0 no XV de Piracicaba no Pacaembu. Na ocasião, substituiu Sérgio Manoel. O Alvinegro entrou em campo naquele dia com Sérgio, Índio, Pedro Paulo, Rogério e Flavinho; Axel, Sérgio Manoel e Zé Renato, Serginho Fraldinha, Wellington e Tato (Luizinho). Mesmo com grande talento, o temperamento explosivo fora de campo fez com que nunca tivesse chegado a se firmar em uma temporada inteira como titular. No total, 118 jogos e 31 gols com a camisa alvinegra.

No entanto, o meia teve momento inesquecíveis para a torcida. No Brasileiro de 1995, por exemplo, naquela célebre formação de Cabralzinho, Marcelo Passos foi o principal responsável pela classificação para as semifinais na última partida da primeira fase contra o Guarani. O time de Campinas, que não tinha mais chances de se classificar, jogou como poucas vezes graças a uma mala branca de Minas Gerais, já que o Atlético, se ganhasse do Vitória e o Santos não superasse o rival, iria para a decisão do Brasileiro. A missão campineira ia se cumprindo até os 37 do segundo tempo, quando Marcelo Passos dominou no lado direito da grande área e acertou o ângulo esquerdo do arqueiro Léo. Giovanni marcou mais uma vez e o Peixe enfrentou o Fluminense na semifinal.

Na segunda épica peleja pela semifinal daquele ano, Passos fez o gol número cinco contra o Fluminense, após lance primoroso e histórico de Giovanni no 5 a 2. Mas a chance de inscrever seu nome de forma definitiva na história do Peixe surgiria na final contra o Botafogo. Na peleja definitiva, fez o gol de empate e seria o autor da assistência do gol do título, em cobrança de falta para a cabeçada de Camanducaia. Mas Márcio Rezende de Freitas assinalou um impedimento inexistente e Marcelo Passos não foi o herói que o santista tanto precisava. Ainda assim, o torcedor que viveu aqueles anos 1990 vai guardar na memórias belos lances de um habilidoso meia que poderia ter ido mais longe no futebol.

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Paulinho McLaren, ídolo nos tempos de vacas magras

O Brasileirão de 1991 foi disputado no primeiro semestre, terminando em 9 de junho com o São Paulo como campeão e o Bragantino como vice. Foram 20 clubes jogando em apenas um turno, classificando-se os 4 melhores. O Santos terminou em sétimo lugar, a cinco do quarto colocado, o Atlético-MG (à época, a vitória valia dois pontos).

O Alvinegro não foi campeão, mas obteve uma marca que não conseguia desde 1983: teve o artilheiro do campeonato. O centroavante Paulinho McLaren marcou 15 vezes naquela competição, com algumas grandes atuações. Contra o Botafogo, por exemplo, em pleno Maracanã fez um hat-trick na vitória santista por 3 a 0. Sobre essa partida, o artilheiro conta aqui: “Houve um momento daquele Campeonato Brasileiro em que o Túlio Maravilha estava com seis gols e eu com apenas três. Então jogamos na reabertura do estádio do Maracanã, que tinha ficado fechado para reformas. No jogo contra o Botafogo, equipe do Túlio, fiz três gols e o Santos ganhou por 3 a 0. Foi aí que assumi a ponta da artilharia para não largar mais”. Ele também fez os dois gols do triunfo do time do treinador Cabralzinho diante do São Paulo, no Morumbi.

Paulo César Vieira Rosa, nascido em Igaraçu do Tietê, em 1963, tinha 1,76 de altura, mas mesmo assim era exímio cabeceador. Não fazia as vezes de centroavante fixo, saía da área e também tinha grande velocidade. No mesmo ano em que se tornou artilheiro do Brasileiro, na Fórmula-1, Ayrton Senna foi campeão mundial pela primeira vez. Ao homenagear o piloto após marcar um gol, consolidou o apelido de Paulinho McLaren, alusão à equipe de Senna.

Em um período de vacas magras para o santista, ter um goleador na equipe era fundamental para a torcida. Entre 1989 e 1992, tempo em que jogou na Vila, Paulinho fez 55 gols e é hoje o 44º artilheiro da história do clube e o 14º pós-era Pelé. O atacante foi convocado para a seleção brasileira principal pelo interino Ernesto Paulo, para a partida de 11 de setembro de 1991, contra o País de Gales. O Brasil perdeu por 1 a 0, mas Paulinho não chegou a entrar em campo.

A partida inesquecível, pelo menos pra mim, do artilheiro, foi o empate em 3 a 3 com o Vasco, no Maracanã, em jogo válido pelo Brasileiro de 1992. O Peixe disputava um quadrangular que definiria um dos finalistas da competição daquele ano e, naquele jogo, Bebeto e Paulinho fizeram três gols cada. O terceiro do santista foi antológico, com um passe de peito do atacante Guga e um incrível sem pulo. O Santos jogou com Sérgio, Dinho, Luís Carlos (depois Guga), Pedro Paulo e Flavinho; Bernardo, Axel, Ranielli (depois Serginho Fraldinha); Almir, Paulinho McLaren e Cilinho. O treinador era Geninho. Confira os gols abaixo e mate a saudade de dois grandes goleadores.

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Uma goleada histórica e o grande Giovanni

Hoje faz 13 anos que vi uma das partidas mais memoráveis da história recente do futebol brasileiro. E, para mim, a maior atuação de um jogador de futebol que testemunhei com a camisa 10 que foi de Pelé.

Era um domingo, 10 de dezembro de 1995. Já havia visto in loco na Vila Belmiro o Santos vencer o Corinthians por 3 a 0 e, no meio da semana; e superar o Palmeiras de Luxemburgo, no Pacaembu, por 1 a 0, com um golaço de Wagner. Esses resultados consolidariam a arrancada alvinegra rumo às semifinais do Brasileiro daquele ano. Eram 24 times divididos em dois grupos e todos jogavam contra todos, classificando-se os campeões de cada grupo no primeiro e segundo turno.

Mas, daquela vez, teria que me contentar em assistir à partida pela televisão. Era o segundo jogo da semifinal entre Santos e Fluminense. No primeiro, no Maracanã, o Peixe perdia por 2 a 1 até os 40 minutos quando, no final, levou dois gols do time carioca, terminando a partida com dois jogadores a menos (Robert e Jamelli foram expulsos). Precisaria devolver a diferença de três gols na volta para chegar à final.

A missão parecia impossível. Nenhuma equipe havia descontado uma vantagem como essa na história do Brasileirão e, nos confrontos entre os dois times até então na competição, jamais o Alvinegro havia vencido o Tricolor por mais de um gol de diferença. Além disso, o Fluminense tinha a melhor defesa do campeonato (17 gols em 23 partidas) e o campeão do Rio (com o gol de barriga de Renato Gaúcho) não perdia por tal diferença no campeonato há 28 jogos. Mas o Santos contava com Giovanni, o 10 chamado de Messias pela torcida, e que, naquele dia, de fato concretizou um milagre.

E quem deu início à histórica jornada foi o lépido atacante Camanducaia, que driblou pela esquerda do ataque e sofreu pênalti. Giovanni, sereno, cobrou e, ato contínuo, foi até o fundo da rede buscar a bola e levá-la até o meio de campo. Sabia que era preciso fazer mais. Ainda na primeira etapa, o dez recebe do meia Carlinhos, finta Alê e chuta, de bico. Novamente, vai até o fundo do gol e resgata a bola. Parecia mais que obstinado. Aparentava estar possesso.

No intervalo, o show continuava. O time não desceu para os vestiários, o técnico Cabralzinho preferiu que os atletas sentissem o calor da torcida que lotava o Pacaembu. E, aos 6 minutos, o time retribui a força dos torcedores. Giovanni toca para Macedo, que se livra da marcação e faz com a canhota. O Santos atingia seu objetivo, mas a alegria não durou um minuto. Na seqüência, Rogerinho empatou para o Fluminense e o time carioca voltava a ter uma vaga na final.

De novo, Giovanni teve que intervir. O zagueiro Alê não sabia se atrasava a bola ou saía jogando e o craque santista deu o bote, roubando a bola que, na dividida entre os dois e o goleiro Wellerson, sobrou para Camanducaia fazer o quarto. De novo, o Alvinegro estava na final. Mas o zagueiro Ronaldo Marconato acabou expulso e o time, com um a menos, se retraiu, dando calafrios na torcida.

Foi quando bola chegou no meio de campo para… bom, nem precisa dizer para quem chegou a bola. Havia dois jogadores do Fluminense marcando em cima e mais um à espreita. O Dez conseguiu, com um passe antológico de calcanhar, achar Marcelo Passos, que avançou até a entrada da grande área, limpou Vampeta e chutou no canto esquerdo de Wellerson. Segundo Odir Cunha em seu Time dos Céus, o lance, que ocorreu quase em frente ao técnico tricolor Joel Santana, fez com que o mesmo exclamasse: “Pqp… como joga esse cara!”.

5 a 1, o torcedor do Santos podia respirar mais aliviado. Ou melhor, nem tanto. Em seguida, Rogerinho de novo desconta para a equipe do Rio. Mas não dava mais tempo. Um espetáculo fabuloso, com belos lances e todo o requinte de drama. Isso sem contar a torcida que jogou junto o tempo todo, tanto que Renato Gaúcho, ao desembarcar no Rio, declarou, conforme relato de Cunha: “Nunca tinha sentido tanta pressão da torcida jogando no Brasil. Era como se estivesse na Bombonera enfrentando o Boca Juniors em uma decisão.”

Uma classificação heróica, um jogo que entrou para a História e um craque que não deixava dúvidas. E que me desculpem Pita – que vi atuar quando moleque -, Diego ou Zé Roberto, mas Giovanni foi o maior camisa 10 que testemunhei jogar no Santos.

Santos
Edinho; Marquinhos Capixaba, Ronaldo, Narciso e Marcos Adriano; Carlinhos, Gallo, Giovanni e Marcelo Passos (Pintado) (Marcos Paulo); Camanducaia (Batista) e Macedo
Técnico: Cabralzinho

Fluminense
Wellerson; Ronald, Lima, Alê (Gaúcho) e Cássio; Vampeta, Otacílio, Rogerinho e Aílton; Valdeir (Leonardo) e Renato Gaúcho
Técnico: Joel Santana

Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo (SP)
Público: 28.090 pagantes

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