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Neymar enfrenta o Oeste, seu primeiro adversário como profissional

Neymar estreia contra o OesteO Oeste, adversário de hoje do Santos, não tem um bom retrospecto contra o Alvinegro Praiano. Houve cinco partidas entre os dois, todas válidas pelo campeonato paulista, e a equipe do interior nunca venceu: foram quatro vitórias peixeiras e um empate. Mas há outro motivo que faz do confronto algo especial para o torcedor. Foi contra o Oeste, em março de 2009, que Neymar fez sua primeira partida como profissional.

Há algum tempo já se falava de Neymar na Vila Belmiro. Não era para menos já que, aos 15 anos, ele já valia US$ 25 milhões. A pressão pela sua estreia se fazia maior em função da má fase do clube, que vivia o ocaso da gestão Marcelo Teixeira. O time tinha lutado para ficar longe do rebaixamento do Brasileiro de 2008 e Vágner Mancini estava no comando em 2009 para trazer o Peixe de volta à disputa de títulos. Ainda que o técnico, que substituiu Márcio Fernandes, não tenha sido o treinador dos sonhos da torcida, não fez firulas auto promocionais como outros na estreia do menino de ouro da Vila, e ainda levou o Peixe à decisão do Paulista daquele ano.

Pouco antes de sua entrada, aos 11 do segundo tempo no Pacaembu, Neymar já provocava um frisson na carente torcida peixeira. Quando entrou, no lugar do colombiano Molina, o garoto mostrou personalidade, bons dribles, e colocou fogo na peleja. O Oeste tentou estragar a estreia do menino, mas o Peixe saiu com a vitória por 2 a 1, com boa atuação de Madson. Confira abaixo como foi o jogo.

E foi contra o Oeste também que outro ídolo da torcida estreou, um ano depois. Arouca fez sua primeira partida pelo Peixe entrando no lugar de Marquinhos na etapa final.

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A passagem de Sócrates pelo Santos

Na rica e mágica trajetória do Doutor Sócrates nos gramados está também uma passagem pelo Santos Futebol Clube. O atleta tinha voltado da Fiorentina para o Flamengo em 1986, onde havia muita expectativa com a dupla que faria com Zico. Mas ambos jogaram apenas três partidas juntos, já que sofreram com contusões. O camisa 8, em 1987, acabou se desligando do clube rumo, supostamente, a uma aposentadoria.

Mas em 1988, após aproximadamente um ano fora dos gramados, ele retornou. O anúncio da sua contratação pelo Santos foi feita com pompa e circunstância no Ilha Porchat Clube, em São Vicente. Veja no vídeo abaixo como a torcida alvinegra saudou o atleta de 34 anos em sua apresentação.

A estreia do craque foi em um amistoso contra o Cerro uruguaio. Vitória peixeira por 4 a 2, com gol de Sócrates, de cabeça. Jogou 75 minutos e, por pouco, não fez um gol de placa em uma jogada de arranque, jogada, aliás, pouco usual. O lance está no 3:23 do vídeo. Magrão deu um drible da vaca, um drible de corpo, fintou, passou uma bola por baixo das pernas do adversário e tocou por cobertura. Mas a redonda, indócil, teimou em passar por cima da meta. Abaixo, a pintura do Doutor:

A jornada de Sócrates na Vila Belmiro durou um ano. O clube, castigado por más administrações sucessivas, estava em crise financeira e passou por situações pelas quais jamais deveria ter passado como, em uma excursão realizada no Chile, a delegação fugir de um hotel sem pagar a conta. Como lembra o Blog do Prof. Guilherme, depois de uma excursão feita na Ásia, que durou 20 dias em agosto de 1989, o time estava exausto. Mesmo assim, atrás de mais dinheiro, dirigentes resolveram prolongar a viagem indo para a América do Norte. O Doutor cobrava (com toda razão) os 2 mil dólares por partida a que tinha direito, e que o Santos lhe devia desde os amistosos no Chile (quando ocorreu o episódio do hotel), realizados em fevereiro. Sem receber, Sócrates rescindiu o seu contrato e voltou ao Brasil.

Veja abaixo o Magrão marcando na vitória santista contra o São Paulo, pelo Paulistão de 1989.

Descanse em paz, Doutor, que, como cidadão que sempre foi, fará falta muita falta. Mesmo corintiano, Sócrates amava o bom futebol e lembro de uma participação sua no Cartão Verde (aliás, lembro de várias), em 2010, quando um atleta do Santo André estava no programa. Àquela altura, a única derrota em casa do time do ABC havia sido para o Santos, ocasião em que Neymar fez um dos seus mais belos gols. E Magrão disparou: “Mas perder para o Santos não é derrota, é oferenda”. Esse era o Magrão.

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