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Há 50 anos, o Santos de Pelé batia o Botafogo de Garrincha por 5 a 0

Nesta semana, o nome de Mané Garrinha veio à tona, por conta de mais uma das imposições da Fifa, que agora estaria exigindo que o nome do estádio de Brasília fosse alterado para a Copa das Confederações e para a Copa do Mundo. De acordo com a publicação, a entidade argumenta que as competições, de “interesse internacional”, exigem que se mantenha “consistência nos nomes dos estádios”.

A se confirmar essa intenção da Fifa, é realmente uma dessas atitudes completamente absurdas pelo que Garrincha representou para o futebol brasileiro e mundial. Quando a seleção contou com ele e Pelé juntos, jamais saiu derrotada de campo, em uma época de outro dos nossos boleiros. E, quando atuaram um contra o outro, propiciaram grandes espetáculos. Nesta semana, no dia 2 de abril, completaram-se 50 anos de uma partida memorável para os alvinegros santistas.

Era a terceira peleja da final da Taça Brasil (Campeonato Brasileiro) de 1962, embora disputada em 1963. No primeiro jogo, no Pacaembu, o Peixe havia batido os botafoguenses por 4 a 3, mas, na volta, foi derrotado por 3 a 1 no Maracanã, o que provocou a partida desempate, no mesmo Maracanã.

Em campo, simplesmente doze atletas campeões do mundo com a seleção brasileira em 1962. Pelo lado santista, Gilmar, Mauro, Zito, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Do lado carioca, Zagallo, Nílton Santos, Garrincha, Amarildo e Rildo.

Time campeão de 1962 - Em pé, Lima, Zito, Dalmo, Calvet e Mauro. Agachados, Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe

Time campeão de 1962 – Em pé, Lima, Zito, Dalmo, Calvet e Mauro. Agachados, Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe

O que se viu naquele dia foi um jogo avassalador do time da Vila Belmiro. Em relação à partida anterior, uma alteração que fez a diferença, como relata Odir Cunha na obra Time dos Sonhos. Por orientação de Lula ou do capitão Zito, de acordo com a versão, Dorval passou a marcar Zagallo. Coutinho conta a respeito no livro. “Nós conversamos no túnel, todos abraçados antes de entrar em campo. Falamos: o Dorval tem que encostar no Zagallo, o Zagallo está saindo e o Amarildo está caindo nas costas e está ficando vazio ali. Aí o Dorval encostou no Zagallo, fomos lá e fizemos um, dois, três, quatro, cinco e poderíamos ter feito quinhentos. O Santos tinha uma coisa: dificilmente perdia duas vezes seguidas.”

À época, a imprensa carioca, antes esperançosa de que o Botafogo pudesse vencer o Peixe e ir à Libertadores (só o campeão brasileiro representava o país), teve que saudar o Santos, com muitos afirmando que se tratava da maior exibição de uma equipe no Maracanã.

Ficha técnica

Botafogo 0 X 5 Santos

Local: Maracanã

Árbitro: Eunápio de Queirós

Público: 70.324

Botafogo: Manga, Rildo, depois Joel, Zé Maria, Nilton Santos (depois Jadir) e Ivan; Ayrton e Édison; Garrincha, Quarentinha, Amarildo e Zagallo (depois Jair). Técnico: Marinho Rodrigues.

Santos: Gilmar, Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Mengálvio; Dorval, Coutinho (depois Tite), Pelé e Pepe. Técnico: Lula.

Gols: Dorval aos 24′, Pepe aos 39′ do primeiro tempo; Coutinho aos 9′, Pelé aos 30′e 35′ do segundo tempo.

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Os 50 anos do primeiro Mundial do Santos

Eram 19 horas em Brasília, 22 em Lisboa. Na época, a disputa pelo Mundial se fazia em melhor de três pelejas, e o Santos, campeão da Libertadores de 1962, já havia vencido a primeira no Maracanã, por 3 a 2. Contudo, a parada em Portugal tendia a ser mais dura.

Já estavam sendo vendidos os ingressos para a terceira partida, pois os lusitanos davam como favas contadas a vitória no Estádio da Luz. Não era à toa, já que o Benfica era bicampeão europeu. Tinha conquistado seu primeiro título na Liga em 1961-1962, batendo o Barcelona de Czibor e Kocsis, dois dos húngaros protagonistas da épica seleção de 1954. No ano seguinte, os benfiquenses bateram outro gigante, o Real Madrid, de Di Stéfano e Puskas, em uma fantástica final, por 5 a 3. Seriam ainda vice-campeões no ano seguinte, contra o Milan.

Sim, aquela era uma das maiores formações de um time europeu na História. Jogadores como o “Pantera Negra” Eusébio, Simões e José Augusto estariam quatro anos depois na seleção portuguesa que ficou em terceiro lugar no Mundial da Inglaterra, em 1966.

Era uma noite de marcas. No Brasil, como conta Odir Cunha em Time dos Sonhos, o Ministério da Justiça autorizou a mudança do horário de A Voz do Brasil para que a partida fosse transmitida. Três semanas antes todos os 73 mil ingressos já tinham sido vendidos, um recorde de público e renda em Portugal.

E se o campeão europeu esperava uma equipe recuada, jogando só em contra-ataques, se enganou redondamente. O treinador Lula colocou Olavo na lateral-direita, trocando Mengálvio, contundido, por Lima no meio de campo. O time ganhou ainda mais velocidade, e estava pronto para fazer o que muitos consideram a maior partida de sua centenária história.

É assim que o maior ponta artilheiro do Brasil (e possivelmente do mundo), Pepe, se recorda daquela dia, conforme reportagem aqui. “A nossa única preocupação foi com o gramado. Os portugueses o deixaram em péssimo estado para termos dificuldade de tocar a bola, driblar, tudo o que mais fazíamos. De nada adiantou! Abrimos o 4 a 0, e poderíamos jogar eternamente que jamais perderíamos o jogo.”

Pepe ainda comenta sobre o “gol feio” que fez na peleja. “A partida estava gostosa para o Santos, e ainda sobrou espaço para o gol mais feio da minha carreira, confesso. Eu tabelei com o Coutinho, o campo estava molhado e a bola correu muito. O Costa Pereira mergulhou na bola e foi escorregando em minha direção. Ela sobrou no meu pé, na marca do pênalti, sem ninguém no gol. Eu só empurrei a bola para dentro, foi feio”, lembra. “Com o 5 a 0 a torcida já aplaudia de pé o Santos. Só tomamos os dois gols por não fazer falta. Se precisasse, não sofreríamos nenhum.”

Mas se o ponta fez um gol que ele considera “feio”, Coutinho fez um belo tento no primeiro jogo, disputado no Maracanã (ele também fez o seu em Lisboa), que ficou na memória de José Miguel Wisnik, como conta nesse texto. “A bola foi lançada pelo alto, vinda da intermediária pelo lado direito, caindo sobre o bico esquerdo da pequena área, onde estava Coutinho. Ele matou de efeito, sem deixá-la cair no chão, aproveitando tanto o impulso natural da bola quanto o seu desenho em curva para dar um chapéu de fora para dentro num primeiro zagueiro, e, em seguida, um outro chapéu simétrico num segundo zagueiro, antes de concluir, sem que a bola tocasse o chão”, recorda. “Li num jornal, dois dias depois do jogo, que, ao embarcar de volta para Portugal, um dirigente do Benfica declarou sobre o gol, numa autêntica chave de ouro camoniana, que valera a pena atravessar o oceano, só para sofrê-lo.”

Os 5 a 2 daquela noite mostravam a superioridade de uma equipe que jogava coletivamente, mas que tinha talentos individuais incontestes. Não foi conquistada como muitos títulos o são hoje em dia, com ênfase na defesa, na base da retranca, com um gol de contra-ataque achado. Foi uma aula, reconhecida pelos próprios derrotados como conta, novamente, Odir Cunha em seu Donos da Terra.

 

 

“Um espetáculo. Foi uma noite excepcional do futebol. Mesmo perdendo por 5 a 2, nós não nos sentimos derrotados. Saí de campo com uma impressão diferente do que era futebol. O Santos era superior porque tinha jogadores excepcionais. O Santos tinha um time maravilhoso”, disse o ponta-direita José Augusto. Simões, seu companheiro de Benfica e seleção portuguesa, concordou. “É muito difícil encontrar tanto craque, tanto jogador inteligente como naquele time. Eu comparo o Santos de 62 com a Seleção do Brasil de 70. Considero as duas as melhores equipes de futebol que eu vi até hoje. A Seleção de 70 é a confirmação de um modelo de jogo que o Santos já vinha demonstrando há muito tempo.”

É esse futebol encantador, que viajou o mundo e impressionou a tantos, que se tornou um legado para o Brasil. E, 50 anos depois, muitos ainda sonham com lances e jogadas que não puderam acompanhar ao vivo, esperando que um dia possam ver com outros personagens, resgatando um tempo em que, mesmo em meio a gigantes, impressionávamos pela nossa grandeza.

Benfica 2 X 5 Santos
Data: 11 de outubro de 1962 (quinta-feira).
Local: Estádio da Luz, Lisboa.
Árbitro: Pierre Schinter (França), auxiliado por Steiner e Boalilou.
Público: Cerca de 80 mil pessoas, com 73 mil pagantes.
Renda: 2,5 milhões de escudos.
Benfica – Costa Pereira; Humberto, Raul e Cruz; Caven e Jacinto; José Augusto, Santana, Eusébio, Coluna e Simões. Técnico: Fernando Riera.
Santos – Gilmar; Olavo, Mauro e Dalmo; Zito e Calvet; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Luís Alonso Peres (Lula).
Gols: Pelé, aos 17 e 26 minutos do primeiro tempo; Coutinho, aos 3, Pelé, aos 19, Pepe aos 31, Eusébio, aos 41, e Simões aos 44 minutos do segundo tempo.

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outubro 11, 2012 · 8:50 am

Neymar já é o quarto maior artilheiro santista pós Era Pelé

Após a vitória do Santos contra o Guaratinguetá, Neymar já é o quarto maior artilheiro do Santos pós Era Pelé, com 173 pelejas disputadas pelo clube. Com 95 gols, o garoto, que fez três contra a equipe do interior, ultrapassou Robinho, que tem 94. Agora, o atacante segue no encalço de três atletas. O primeiro é Juary, um dos meninos da Vila campeão paulista em 1978 e que, atuando entre 1976 e 1979 e, já veterano, em 1989, marcou 101 vezes pelo Santos.

Já os dois que pontuam a lista têm 104 tentos cada. O ponta-esquerda João Paulo, outro menino da Vila, jogou no Peixe entre 1977 e 1984, voltando em 1992. Serginho Chulapa o acompanha no topo por conta de suas quatro passagens pelo Peixe, em 1983-1984, 1986, 1988 e 1990. Pouco mais de três anos de sua estreia como profissional, Neymar pode ocupar o topo da lista ainda no primeiro semestre.

Pra quem gosta de comparações, Messi, que estreou no Barcelona em 2003, fez seu centésimo gol pelo clube em seu 188º jogo pela equipe azul-grená, aos 22 anos e 206 dias.

Sobre a lista de artilheiros do Santos

Muitos podem estranhar o porquê de existir uma lista de artilheiros pós Era Pelé. O fato é que a divisão é mais que necessária, já que o Alvinegro, que se notabiliza por ser o clube com maior número de gols marcados no mundo do futebol profissional, foi também o primeiro no Brasil a ter uma linha de cem gols em uma competição. Muito antes do grande time dos anos 60, os santistas já se habituavam a balançar as redes.

João Paulo e Chulapa estão em 18º no rol de maiores artilheiros da história santista. Acima deles, há Pelé, líder absoluto com 1091 gols, e outros dez atletas que atuaram com o Rei: Pepe, Coutinho, Toninho Guerreiro, Dorval, Edu, Pagão, Tite, Vasconcelos, Álvaro e Del Vecchio. Da linha dos cem gols há Feitiço, 5º em todos os tempos com 216 gols e Camarão, além de Araken Patusca, Antoninho, Odair e Raul Cabral Guedes.

Para se ter uma ideia da grandeza da lista dos maiores artilheiros do Peixe, Coutinho, o terceiro maior, com o número de gols marcados pelo Peixe seria com sobras o maior goleador de qualquer um dos membros do Trio de Ferro. Claro que se tivesse atuado nos rivais o parceiro de Pelé não teria marcado tanto…

Após a vitória do Santos contra o Guaratinguetá, Neymar já é o quarto maior artilheiro do Santos pós Era Pelé, com 173 pelejas disputadas pelo clube. Com 95 gols, o garoto, que fez três contra a equipe do interior, ultrapassou Robinho, que tem 94. Agora, o atacante segue no encalço de três atletas. O primeiro é Juary, um dos meninos da Vila campeão paulista em 1978 e que, atuando entre 1976 e 1979 e, já veterano, em 1989, marcou 101 vezes pelo Santos.

Já os dois que pontuam a lista têm 104 tentos cada. O ponta-esquerda João Paulo, outro menino da Vila, jogou no Peixe entre 1977 e 1984, voltando em 1992. Serginho Chulapa o acompanha no topo por conta de suas quatro passagens pelo Peixe, em 1983-1984, 1986, 1988 e 1990. Pouco mais de três anos de sua estreia como profissional, Neymar pode ocupar o topo da lista ainda no primeiro semestre.

Pra quem gosta de comparações, Messi, que estreou no Barcelona em 2003, fez seu centésimo gol pelo clube em seu 188º jogo pela equipe azul-grená, aos 22 anos e 206 dias.

Os 25 maiores artilheiros da História do Santos

  1. Pelé – 1091 (1956-1974)
  2. Pepe – 405 (1954-1969)
  3. Coutinho – 370 (1958-1970)
  4. Toninho Guerreiro – 283 (1963-1969)
  5. Feitiço – 216 (1927-1932/1936)
  6. Dorval – 198 (1956-1967)
  7. Edu – 183 (1966-1976)
  8. Araken Patusca – 177 (1923-1929)
  9. Pagão – 159 (1955-1963)
  10. Tite – 151 (1951-1957/1960-1963)
  11. Camarão – 150 (1923-1934)
  12. Antoninho – 145 (1941-1954)
  13. Odair – 134 (1943-1952)
  14. Raul Cabral Guedes – 120 (1933-1942)
  15. Vasconcelos – 111 (1953-1959)
  16. Álvaro – 106 (1953-1961)
  17. Del Vecchio – 105 (1953-1957/1965-1966)
  18. João Paulo – 104 (1977-1984/1992)
  19. Serginho Chulapa – 104 (1983-1984/1986/1988/1990)
  20. Ary Patusca – 103 (1915-1922)
  21. Juary – 101 (1976-1979/1989)
  22. Gradim – 97 (1936-1944)
  23. Rui Gomide – 97 (1937-1947)
  24. Neymar – 95 (2009-)
  25. Robinho – 94 (2002-2005/2010)

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Há 52 anos, o Santos vencia pela primeira vez o Rio-São Paulo

Hoje faz 52 anos que o Santos venceu pela primeira vez uma edição do Torneio Rio-São Paulo, no ano de 1959. Naquela ocasião, a competição teve dez participantes. Além do Peixe, Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Portuguesa, Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo e América-RJ disputaram em turno único o título.

A estreia santista foi contra o Botafogo, no Rio de Janeiro, uma vitória por 4 a 2. Na última rodada, outro confronto com um time do Rio valeu a taça. O Alvinegro enfrentou o Vasco, que tinha 12 pontos, um a mais que o Peixe (à época, a vitória valia dois pontos), e precisava da vitória para conseguir um título inédito.

O Vasco tinha o goleiro Barbosa, considerado por muito tempo um dos culpados pela derrota brasileira na Copa de 1950. No vídeo abaixo, pode-se ver que, mesmo aos 38 anos, o arqueiro ainda fazia defesas importantes, mostrando segurança nas bolas aéreas e também quando se deparava diante de artilheiros natos. O Vasco era campeão do Rio-São Paulo e do campeonato estadual de 1958, este um dos mais equilibrados da história. Como três equipes terminaram empatadas, foram precisos dois triangulares para definir o campeão. Os vascaínos chamam o título daquele ano de super-super campeonato.

Mas o Santos também tinha tido um belo ano em 1958, conquistando o título paulista (Pelé foi o artilheiro da competição com incríveis 58 gols) e com três representantes na seleção campeão do mundo daquele ano: o próprio Pelé, Zito e Pepe. Em 1959, o esquadrão santista contava com o veterano Jair Rosa Pinto, que, aos 38 anos, comandava garotos como Coutinho, que só completaria 16 anos pouco menos de um mês depois daquela decisão.

A partida foi disputada no Pacaembu, com um público estimado de 21 mil pagantes. O primeiro tempo terminou 0 a 0 e foi só no segundo que o garoto Coutinho abriu o placar para a equipe peixeira. Pelé faria o segundo e Coutinho fecharia a vitória santista. Era o primeiro Rio-São Paulo conquistado pelo Santos, que é, junto com Corinthians e Palmeiras, o clube que mais vezes levantou a taça, cinco vezes.

E, claro, vale ver o vídeo abaixo:

Ficha técnica

Santos 3 X 0 Vasco Data: 17/05/1959
Local: Pacaembu
Árbitro: Frederico Lopes
Renda: Cr$ 905.695,00
Público estimado: 21.000 pagantes
Santos - Laercio, Getúlio, Mourão, Ramiro, Álvaro, Zito (Fiote), 
Dorval, Jair, Coutinho, Pelé e Pepe
Técnico: Lula
Vasco - Barbosa, Viana, Coronel, Dario, Russo, Laerte, Sabará, 
Robson, Zé Henrique (Cabrita), Rubens e Roberto Peniche (Osvaldo)
Técnico : Gradim
Gols: Coutinho (2) e Pelé

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1961, ano mágico para o Santos

O ano de 1961 foi mágico para o Santos. Não que os anteriores e os imediatamente posteriores também não fossem, mas este teve algumas características especiais. O Alvinegro marcou 345 gols, sua melhor marca em toda a história e Coutinho foi o responsável por anotar o gol de número 5 mil da equipe, em 10 de janeiro daquele ano, uma vitória por 10 a 2 sobre o Guarani de Campinas.

Aliás, goleadas como essa não faltaram, inclusive contra rivais poderosos dentro e fora do país. Em junho, quando o time costumava excursionar na Europa, o Santos foi campeão do Torneio de Turim superando a Inter de Milão por 4 a 1 e a Roma por 5 a 0, além de derrotar a Juventus por 2 a 0. Também superou o Benfica em sua tour por 6 a 3. No Brasil, adversários tradicionais foram impiedosamente derrotados. Pelo Rio-São Paulo, o Peixe goleou o Flamengo por 7 a 1; no Paulista, faturou o Corinthians por 5 a 1, o São Paulo por 6 a 3 e 4 a 1, além da Portuguesa por 6 a 1. O Santos se sagrou campeão estadual com 53 pontos (a vitória valia 2), 25 vitórias, 3 empates e duas derrotas (uma para o Palmeiras e outra surpreendente para o Jabaquara). Incríveis 113 gols feitos e 30 sofridos, um saldo de 80 gols.

E o vídeo acima mostra justamente uma partida do campeonato de São Paulo. É a antepenúltima rodada da competição, um jogo contra o XV de Piracicaba no interior paulista. O Santos saiu na frente mas tomou a virada do Nhô Quim, indo para a segunda etapa perdendo por 2 a 1. Mas, reza a lenda, a torcida local provocou Pelé. E o Alvinegro simplesmente atropelou o rival no tempo final, assegurando uma goleada por 7 a 2.

Curioso destacar não apenas os lances de gol, mas momentos ímpares do vídeo. A superioridade física de Pelé em relação aos seus marcadores é impressionante, mas ele respondendo à provocação da torcida fazendo o gesto de dor de cotovelo é impagável. Outro detalhe é um lance de Coutinho no último gol. Ele domina a bola  (no 5:32 do vídeo) com a cabeça e mantém ela no ar com três toques antes de passar para Pelé. É o tal “drible da foca”, celebrizado recentemente por Kerlon, do Cruzeiro, mas que os gênios santistas já faziam há 47 anos. Prova de que o craque inventa lances quando preciso, não para humilhar os adversários.

É bom lembrar também que naquele mesmo ano o garoto de Três Corações tinha anotado o “gol de placa” no Maracanã, na vitória contra o Fluminense por 3 a 1, no dia 5 de março. De fato, um ano mágico não somente para os santistas, mas para todo aquele que era fã de futebol.

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Há 45 anos o Santos era de novo dono da América

Há exatos 45 anos, em um dia 11 de setembro, o Santos tornava-se bicampeão da Libertadores da América. Uma conquista com sabor especial, já que foi conseguida em plena La Bombonera, sobre o Boca Juniors, com toda sorte de pressão sobre os atletas alvinegros. Foi, até o Fluminense desclassificar a equipe argentina nas semifinais da competição este ano, o único clube nacional a superar os xeneizes no torneio mais importante da América do Sul.

À época, participavam da Libertadores somente os campeões de oito países sul-americanos (Bolívia e Venezuela não tinham representantes). Como o Santos tinha sido campeão da edição anterior, tinha vaga garantida e entrava nas semifinais. Campeão da Taça Brasil em 1962, cedeu a vaga a que o país tinha direito para o Botafogo de Garrincha.

Dois grupos de três times e mais um de dois fizeram a primeira fase. Para as semis, passaram Boca, Botafogo e Peñarol. Uruguaios e argentinos fizeram duas partidas, com vitórias do Boca em Montevidéu (2 a 1) e em Buenos Aires (1 a 0). Pela primeira vez o Peñarol ficava de fora de uma final da competição, já que havia sido campeão em 1960 e 1961, e vice em 1962, sendo superado pelo Peixe.

O Santos enfrentou o Botafogo, e empatou em 1 a 1 o primeiro jogo disputado no Pacaembu, em São Paulo. Os cariocas contavam com um senhor esquadrão e jogadores da estirpe de um Nílton Santos, Garrincha, Quarentinha, Amarildo e Zagallo. Mas o Santos… era o Santos. Na Taça Brasil, o time peixeiro tinha vencido os cariocas por 4 a 2 no Pacaembu e perdido por 3 a 1 no Maracanã. No jogo desempate, um massacre que a imprensa carioca classificou como a maior exibição de uma equipe de futebol até então no mítico Maraca. Com dois gols de Pelé, outros três de Dorval, Coutinho e Pepe, o 5 a 0 calou fundo na alma da equipe que pretendia ser a melhor do país.

Na Libertadores, os botafoguenses queriam vingança. Na primeira partida, 1 a 1 renhido, com o Peixe desfalcado de Pepe e Mengálvio. O ponta voltaria na partida de volta no Maracanã onde de novo o Santos conseguiria impor seu futebol. Outra goleada, 4 a 0, com três gols de Pelé e um de Lima.

Contra o Boca, a parada seria dura. Mas até não parecia depois do fim do primeiro tempo no Maracanã. O Santos vencia por 3 a 0, dois gols de Coutinho e um de Lima. Mas a equipe quis administrar e sofreu dois gols na segunda etapa. A propósito, o jornalista argentino Bernardo Neustadt faz aqui uma crônica/análise interessante daquele jogo, que ele acompanhou in loco. A tática do Boca no primeiro tempo era não fazer marcação individual em Pelé, mas sim anular seus “alimentadores”, principalmente Coutinho e o jovem coringa Lima, de 18 anos, que o jornalista diz que “atua no meio de campo como se tivesse nascido ali”. A avaliação dele era que os argentinos não tinham agredido suficientemente o Peixe, deixando não apenas Lima, mas Zito avançar e criar. De fato, era difícil parar o Alvinegro…

A decisão no La Bombonera prometia. Foram 50 mil argentinos até o estádio que tinha um campo com dimensões menores do que a Vila Belmiro. O Boca pressionou desde o início, abusando da violência para deter o forte ataque alvinegro, como se pode ver no vídeo acima em algumas jogadas envolvendo Pelé. O dez santista, aliás, foi saudado com  um coro ofensivo e de cunho racista que dizia “Pelé, hijo de puta, macaquito de Brasi”. Como não havia cartão amarelo e vermelho (a expulsão era feita de forma direta), os brasileiros sofriam para jogar.

A um minuto da segunda etapa, Sanfilippo marcou o gol xeneize. Uma explosão no estádio e parecia que o Santos iria sucumbir. Mas, apenas quatro minutos depois, Coutinho empatou, após uma falha na reposição de bola de Errea e uma troca rápida de passes entre Dorval, Pelé e o centroavante. Mais pressão portenha até a bola chegar em Pelé. Ele driblou o brasileiro Orlando Peçanha e finalizou de biquinho no canto direito, aos 37 minutos. O Alvinegro calava o estádio e sagrava-se bicampeão da Libertadores.

Segundo Odir Cunha no livro Time dos Sonhos, que nutriu boa parte desse texto, o jornal  O Estado de S.Paulo apontou dois pênaltis de Rattin não marcados pelo árbitro: um em uma entrada maldosa em Pelé e outro quando tirou a bola com a mão que sobraria para Coutinho. Ainda assim, o Santos foi maior. E, de novo, fazia história.

11 de setembro de 1963

Boca Juniors 1 X 2 Santos

Boca Juniors – Errea; Magdalena, Orlando e Simeone; Silveira e Rattin; Grillo, Rojas, Menéndez, Sanfilippo e González. Técnico: Aristóbulo Deambrosi.

Santos – Gilmar; Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Geraldino; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula.

Gols: Sanfilippo, aos  46; Coutinho, aos  50; Pelé, aos  82.

Público: 50.000.

Árbitro: Marcel Albert Bois.

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