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Relembre cinco grandes jogos do Santos contra o Vasco

O Santos enfrenta hoje à noite, às 21h, o Vasco da Gama na Vila Belmiro querendo consolidar sua jornada de recuperação no campeonato brasileiro de 2015. Por outro lado, o adversário vem desesperado por uma sequência negativa que o faz permanecer no Z4 justamente no ano em que o clube volta à primeira divisão nacional.

Mas não se engane, o Gigante da Colina tem tradição e já protagonizou grandes duelos com o Peixe. No histórico de confrontos entre Santos e Vasco, a vantagem é carioca, de acordo com o Acervo Histórico do Santos FC. Em 113 partidas, são 38 vitórias peixeiras contra 41 vascaínas, com 34 empates. No entanto, foi o alvinegro Praiano quem marcou mais vezes, 182 gols contra 178. Pelo Brasileiro, é o clube da Vila que leva vantagem, com 22 vitórias contra 21 do adversário e 18 empates.

Na história dos duelos entre os dois, são vários placares dilatados – afinal, a média de gols é superior a três por jogo – e o Peixe fez grandes partidas contra o rival, a começar pela primeira peleja disputada entre ambos. Confira este e outros quatro grandes encontros entre Santos e Vasco.

1927 – Vasco 3 X 5 Santos

Esta não só foi a primeira partida entre ambos como também foi a inauguração do estádio de São Januário, em um 21 de abril de 1927. A casa do Vasco foi erguida após uma campanha de arrecadação de fundos entre seus torcedores, possibilitando a construção daquele que era, àquela altura, o maior estádio do Brasil, permanecendo com o “título” até 1940,

E, diante de um público estimado em 40 mil pessoas, o visitante Santos não se fez de rogado e aplicou um 5 a 3 nos vascaínos, colocando um pouco de água no chope carioca. Foram três gols de Evangelista, um de Omar e outro de Feitiço pelo Peixe, trio que fez parte da história primeira linha dos cem gols do futebol brasileiro, que contava ainda com as presenças de Siriri e Camarão.

1965 – Santos 5 X 1 Vasco

O Peixe conquistou seu quinto título brasileiro seguido ao superar o Vasco em duas partidas da final da competição em 1965. A primeira, disputada no Pacaembu, praticamente assegurou o triunfo por antecipação para a equipe da Vila Belmiro.

Coutinho abriu o placar logo aos 7 minutos, mas foi no segundo tempo que o Alvinegro deslanchou, marcando três gols em oito minutos: Dorval anotou duas vezes, aos 18 e aos 20, e Toninho Guerreiro fez o seu aos 26, repetindo a dose aos 38. Na partida da volta, no Maracanã, Pelé fez o tento solitário de uma nova vitória do esquadrão do técnico Lula, aos 11 do segundo tempo.

Na gravação abaixo, precária, é possível ver os gols da peleja. Destaque para a habilidade de Toninho Guerreiro, que substituiu Coutinho no decorrer do jogo. Ele faz grande jogada no segundo tento peixeiro e dá um drible desconcertante no quarto gol do clube.

1992 – Vasco 3 X 3 Santos

Àquela altura o Peixe estava há oito anos sem conquistar um título importante, jejum que chegava a 24 anos em títulos brasileiros. A fase final daquela campeonato brasileiro de 1992 reunia dois grupos com quatro equipes cada um, sendo o do Alvinegro o mais inglório, já que contava com três das equipes consideradas favoritas ao título: o então campeão São Paulo, de Raí e Muller; o Flamengo do “vovô” Júnior, Zinho e Gaúcho, e o Vasco de Bebeto, Bismarck e Edmundo.

A primeira partida do Alvinegro naquela fase foi justamente contra o Vasco da Gama, no Maracanã. E foi um jogaço! O time do técnico Geninho abriu o placar com Paulinho McLaren aos 10, mas sofreu a virada ainda no primeiro tempo, com dois de Bebeto, aos 27 e aos 38. O empate viria aos 20 da etapa final, mais uma vez com o Nove santista, e de novo o atacante vascaíno e da seleção brasileira colocou os donos da casa em vantagem, aos 25.

O guerreiro time da Vila Belmiro chegou ao empate em uma belíssima jogada que uniu um de seus melhores atacantes naquele início de década, Almir, com o centroavante Guga, que havia entrado no lugar do zagueiro Luiz Carlos em uma tentativa de Geninho de buscar o empate. Ele deu um passe de peito para Paulinho McLaren fazer seu hat-rick com um sem pulo indefensável para o goleiro vascaíno Régis. Bebeto terminaria o Brasileiro como artilheiro, com 18 gols, e Paulinho seria o vice ao lado de Chicão, do Botafogo, com 12.

Outra curiosidade sobre a partida. O árbitro foi Márcio Rezende de Freitas, aquele…

2008 – Santos 5 X 2 Vasco

O ano de 2008 não foi muito auspicioso para o Peixe. Com um time de qualidade mais que duvidosa, seu desempenho no campeonato brasileiro quase o levou para a Série B, com o time não alcançando nem mesmo uma vaga na Copa Sul-Americana. Em boa parte da competição, o Peixe foi comandado pelo técnico Cuca, que, após sua estreia, uma derrota para o Vitória na 5ª rodada, viu o time entrar na zona de rebaixamento e permanecer nela durante toda sua passagem pela Vila.

A campanha do treinador à frente do Santos foi quase trágica: 14 jogos, três vitórias, quatro empates e sete derrotas. E um dos três triunfos alcançados pelo técnico foi contra o Vasco, em duelo disputado na casa santista. A escalação para aquele duelo dava a dimensão da precariedade do elenco: Douglas, Apodi, Domingos, Fabiano Eller e Michael (Thiago Carleto); Dionísio, Adriano (Hudson), Kleber (Wesley) e Molina; Maikon Leite e Kléber Pereira.

O rápido Maikon Leite teve grande atuação, mas foram o meia colombiano Molina, duas vezes, e o atacante Kléber Pereira, três, que balançaram as redes vascaínas. Pereira terminou como artilheiro da competição daquele ano, 21 gols, ao lado de Washington e Keirrison.

2010 – Santos 4 X 0 Vasco

O técnico do Peixe era o mesmo de hoje, Dorival Júnior, e a equipe, campeã paulista daquele ano, disputava a Copa do Brasil junto com o Campeonato Brasileiro. O duelo contra o Vasco foi o último antes da parada da competição para a disputa da Copa do Mundo da África do Sul e o Peixe não tomou conhecimento do rival na Vila.

A goleada de 4 a 0 foi construída de forma tranquila, com o atacante André marcando duas vezes, o ex-vascaíno Madson vazando as redes do ex-time e o lateral-direito Maranhão fazendo um belo gol. O primeiro gol saiu de uma falha de Fernando Prass, que acabou tendo que fazer pênalti em Léo. O Santos não teve Neymar, mas tinha Ganso, depois substituído por Breitner, e contou também com jogadores pouco lembrados pelo torcedor, como o volante Rodriguinho e a então promessa Zezinho, que entrou no lugar de Léo durante a partida.

Já o Vasco tinha nomes que mais adiante ficariam famosos como o zagueiro Dedé, o volante Rafael Carioca, hoje no Atlético-MG, e Philippe Coutinho. Com a vitória, o Peixe terminou a etapa pré-parada para a Copa na quarta colocação, com 12 pontos, cinco atrás do líder Corinthians.

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Marcelo Passos, quase herói em 1995

O gol de Kaká contra o Apoel no meio da semana me fez lembrar de um jogador que quase foi herói de um campeonato brasileiro para o Santos. Aquele canto, o lado destro da área rival, foi durante algum tempo o espaço preferido de Marcelo Passos, um jogador que envergou a camisa dez (e outros números em várias ocasiões) pelo Santos entre 1991 e parte de 1996, e depois em 1997, após passagens por Goiás e Flamengo.

Um atleta de meio de campo habilidoso, nascido no Guarujá em 1971, com um potente chute de longa distância e características de ponta de lança que fizeram a torcida peixeira acreditar no garoto que surgia na equipe profissional aos 20 anos. Dispensado quatro vezes do Santos nas categorias de base, esteve no Portuários, AD Guarujá, Jabaquara e Portuguesa Santista. Entre essas idas e vindas, em um teste, foi aprovado no São Paulo, mas ao retornar para Baixada para desfazer seu vínculo com o Peixe, ficou no clube.

Como aspirantes, se beneficiou de uma das regras vigentes à época para se destacar entre os juniores: a partir de determinado número de faltas cometidas pelo time, a punição era tiro livre direto. Como Marcelo Passos era um exímio batedor de faltas, sua qualidade gerou expectativas quanto a sua estreia na equipe profissional.

A esperada estreia, segundo conta nesta entrevista, foi contra o Ituano, em outubro de 1991, mas, recorrendo ao Almanaque do Santos, a primeira vez em que vestiu a camisa do profissional do Peixe foi uma peleja antes, vitória por 3 a 0 no XV de Piracicaba no Pacaembu. Na ocasião, substituiu Sérgio Manoel. O Alvinegro entrou em campo naquele dia com Sérgio, Índio, Pedro Paulo, Rogério e Flavinho; Axel, Sérgio Manoel e Zé Renato, Serginho Fraldinha, Wellington e Tato (Luizinho). Mesmo com grande talento, o temperamento explosivo fora de campo fez com que nunca tivesse chegado a se firmar em uma temporada inteira como titular. No total, 118 jogos e 31 gols com a camisa alvinegra.

No entanto, o meia teve momento inesquecíveis para a torcida. No Brasileiro de 1995, por exemplo, naquela célebre formação de Cabralzinho, Marcelo Passos foi o principal responsável pela classificação para as semifinais na última partida da primeira fase contra o Guarani. O time de Campinas, que não tinha mais chances de se classificar, jogou como poucas vezes graças a uma mala branca de Minas Gerais, já que o Atlético, se ganhasse do Vitória e o Santos não superasse o rival, iria para a decisão do Brasileiro. A missão campineira ia se cumprindo até os 37 do segundo tempo, quando Marcelo Passos dominou no lado direito da grande área e acertou o ângulo esquerdo do arqueiro Léo. Giovanni marcou mais uma vez e o Peixe enfrentou o Fluminense na semifinal.

Na segunda épica peleja pela semifinal daquele ano, Passos fez o gol número cinco contra o Fluminense, após lance primoroso e histórico de Giovanni no 5 a 2. Mas a chance de inscrever seu nome de forma definitiva na história do Peixe surgiria na final contra o Botafogo. Na peleja definitiva, fez o gol de empate e seria o autor da assistência do gol do título, em cobrança de falta para a cabeçada de Camanducaia. Mas Márcio Rezende de Freitas assinalou um impedimento inexistente e Marcelo Passos não foi o herói que o santista tanto precisava. Ainda assim, o torcedor que viveu aqueles anos 1990 vai guardar na memórias belos lances de um habilidoso meia que poderia ter ido mais longe no futebol.

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