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Uma muralha chamada Rodolfo Rodríguez

 

Em 1984, desembarcava na Vila Belmiro um goleiro que iria marcar época no Alvinegro Praiano. Natural de Positos, cidade próxima a Montevidéu, aos 28 anos, Rodolfo Sergio Rodriguez y Rodríguez, ou simplesmente Rodolfo Rodríguez, já havia feito a torcida brasileira sofrer, mas agora prometia fazer uma torcida sorrir, a do Santos. E fez.

O Uruguai queria comemorar o cinquentenário da conquista da primeira Copa do Mundo em 1980 e, para isso, a federação local organizou um torneio comemorativo chamado de Copa de Oro ou Mundialito. Por questão de calendário, a maior parte do torneio, que envolvia todas as seleções campeãs mundiais até então mais a Holanda, teve suas partidas disputadas em 1981. Na final, Rodolfo Rodríguez teve grande atuação e seu time derrotou a seleção verde-e-amarela por 2 a 1.

Mas a decisão do Santos de contratar o arqueiro celeste, campeão da Libertadores com o Nacional do Uruguai em 1980, foi a final da Copa América de 1983. Sem sede fixa pela terceira vez consecutiva, o torneio foi decidido em duas partidas finais. Na primeira, o Uruguai derrotou o Brasil por 2 a 0 em Montevidéu e, na segunda, o empate em 1 a 1 em Salvador deu o título aos nosso vizinhos. Ali, Rodolfo parou o ataque brasileiro.

Trajetória na Vila

Com dinheiro emprestado por Pelé e intermediação do empresário Juan Figger, o Peixe trouxe o atleta uruguaio, que seria campeão paulista já em 1984. Rodolfo disputou 255 partidas pelo Santos, e permaneceu no clube até 1987. Conquistou também pelo Alvinegro o Torneio Início do Paulista (1984), a Copa Kirin-Japão (1985) e o Torneio Cidade de Marselle (1987).  

Mas talvez o fato mais marcante da passagem do uruguaio no Santos tenha acontecido no dia 14 de julho de 1984. Ali, ele fez uma seqüência impressionante de defesas contra o América de São José do Rio Preto, que está no vídeo acima.

O “milagre de Monteserrat” (em alusão à padroeira da cidade de Santos) começou com um chute do zagueiro Jorge Lima, rasteiro, forte, que ainda ganhou uma estranha trajetória graças ao gramado péssimo que a Vila tinha à época. A bola bate na trave, volta para a pequena área, e o atacante Formiga dá um carrinho, dividindo a bola com o goleiro uruguaio. Mais uma vez a bola não entra e outro atacante, Tarciso, chuta forte, a pouco mais de um metro da linha do gol. Espetacular, Rodolfo Rodríguez defende com a mão direita.

A bola, com a força do chute e da defesa, vai para fora da grande área. Toninho arrematou e o “milagreiro” voltou a defender no seu lado esquerdo. No rebote, Formiga dá novo carrinho e a bola bate na trave esquerda.

Uma das imagens mais impressionantes do futebol. Segundo o livro Goleiros – Heróis e anti-heróis da Camisa 1 (Alamed), o uruguaio fraturou o dedo mínimo nessa seqüência. Segundo o jornalista Jorge Monteiro, depois do fim do jogo, o atacante Tarciso declarou aos repórteres: “Não sei o que aconteceu, parecia que o goleiro era maior que o gol.” Pequena amostra de um fenomenal arqueiro.

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