A passagem de Sócrates pelo Santos

Na rica e mágica trajetória do Doutor Sócrates nos gramados está também uma passagem pelo Santos Futebol Clube. O atleta tinha voltado da Fiorentina para o Flamengo em 1986, onde havia muita expectativa com a dupla que faria com Zico. Mas ambos jogaram apenas três partidas juntos, já que sofreram com contusões. O camisa 8, em 1987, acabou se desligando do clube rumo, supostamente, a uma aposentadoria.

Mas em 1988, após aproximadamente um ano fora dos gramados, ele retornou. O anúncio da sua contratação pelo Santos foi feita com pompa e circunstância no Ilha Porchat Clube, em São Vicente. Veja no vídeo abaixo como a torcida alvinegra saudou o atleta de 34 anos em sua apresentação.

A estreia do craque foi em um amistoso contra o Cerro uruguaio. Vitória peixeira por 4 a 2, com gol de Sócrates, de cabeça. Jogou 75 minutos e, por pouco, não fez um gol de placa em uma jogada de arranque, jogada, aliás, pouco usual. O lance está no 3:23 do vídeo. Magrão deu um drible da vaca, um drible de corpo, fintou, passou uma bola por baixo das pernas do adversário e tocou por cobertura. Mas a redonda, indócil, teimou em passar por cima da meta. Abaixo, a pintura do Doutor:

A jornada de Sócrates na Vila Belmiro durou um ano. O clube, castigado por más administrações sucessivas, estava em crise financeira e passou por situações pelas quais jamais deveria ter passado como, em uma excursão realizada no Chile, a delegação fugir de um hotel sem pagar a conta. Como lembra o Blog do Prof. Guilherme, depois de uma excursão feita na Ásia, que durou 20 dias em agosto de 1989, o time estava exausto. Mesmo assim, atrás de mais dinheiro, dirigentes resolveram prolongar a viagem indo para a América do Norte. O Doutor cobrava (com toda razão) os 2 mil dólares por partida a que tinha direito, e que o Santos lhe devia desde os amistosos no Chile (quando ocorreu o episódio do hotel), realizados em fevereiro. Sem receber, Sócrates rescindiu o seu contrato e voltou ao Brasil.

Veja abaixo o Magrão marcando na vitória santista contra o São Paulo, pelo Paulistão de 1989.

Descanse em paz, Doutor, que, como cidadão que sempre foi, fará falta muita falta. Mesmo corintiano, Sócrates amava o bom futebol e lembro de uma participação sua no Cartão Verde (aliás, lembro de várias), em 2010, quando um atleta do Santo André estava no programa. Àquela altura, a única derrota em casa do time do ABC havia sido para o Santos, ocasião em que Neymar fez um dos seus mais belos gols. E Magrão disparou: “Mas perder para o Santos não é derrota, é oferenda”. Esse era o Magrão.

4 Comentários

Arquivado em Ídolos, Década de 80, futebol, História, Santos

4 Respostas para “A passagem de Sócrates pelo Santos

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  2. Não faz sentido comparar a mà dia de público no Campeonato Brasileiro com a do Campeonato Paulista.

  3. Su Corinthians, que hab a terminado 26º en el Campeonato Brasile o de 1981, se coronó los dos a os siguientes bicampeón paulista y fue dos veces semifinalista del torneo nacional.

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