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Santos na Libertadores 2017 – a estreia contra o Sporting Cristal, o “Audax peruano”

Peixe entra em campo nesta quinta (9), às 21h45, em seu retorno à competição depois de cinco anos

Se o Santos enfrentou grandes dificuldades para obter o título paulista contra o Audax, na final da competição estadual em 2016, o torcedor que prepare seu coração — e a sua paciência) —  para a partida de estreia do time contra o Sporting Cristal, em Lima, às 21h45 desta quinta-feira (9).

A equipe já foi apelidada de “Audax peruano” por conta das observações do auxiliar-técnico de Dorival Júnior, Lucas Silvestre. “Eles saem jogando desde o tiro de meta, goleiro e zagueiros arriscam. Até um certo ponto de loucura. Analisamos bem seis, sete, oito jogos deles. Vimos pontos fortes e fracos e vamos explorar as dificuldades dele”, disse Silvestre à Rádio Santos.

As características são semelhantes às da equipe paulista vice-campeã do ano passado. O goleiro muitas vezes joga como líbero, a troca de passes curtos é a tônica e os sistemas de jogo variam entre o 4-2-3-1 e o 4-3-2-1. Em determinados períodos do jogo, o time atua com marcação alta, o que pode abrir espaços no setor defensivo. Pelo menos é o que espera o comando técnico alvinegro.

Ao contrário do que fez na segunda partida da decisão do Paulista, quando “entregou” a posse de bola para o clube de Osasco, Dorival esboçou o Santos pressionando o adversário em seu campo defensivo, buscando aproveitar, por exemplo, alguma falha na troca de passes entre goleiro e defensores. Assim como o Santos, o atual campeão peruano não vive boa fase, vindo de derrota de 4 a 1 para o Academia Cantolao, em casa, fazendo uma sequência de duas derrotas e um empate fora de casa. Nas últimas cinco partidas pelo Paulista, o Peixe conseguiu somente uma vitória.

estreia do Santos na Libertadores 2017

Santos vai ter que mostrar disposição para passar pelo Sporting Cristal (Ivan Storti/ Santos FC)

Quem é o Sporting Cristal

Fundado em 1955, em Lima, capital do país, o Sporting Cristal tem uma origem curiosa. A equipe nasceu da iniciativa dos principais acionistas da cervejaria Backus y Johnston,  Ricardo Bentín e Esther Grande, em 1955. Desde 2005, a companhia passou a fazer parte do grupo multinacional cervejeiro SABMiller, sendo responsável pela marca mais vendida no país, a Cristal, principal patrocinadora da seleção do Peru.

Com a força financeira da cervejaria o Sporting Cristal galgou espaço entre os grandes na década de 1990, quando conseguiu um tricampeonato nacional, tornando-se o segundo clube a realizar tal proeza no Peru, e o primeiro na era profissional. Hoje, tem a terceira maior torcida do país e seu maior feito internacional foi o vice-campeonato da Libertadores, conquistado em 1997, quando foi derrotado pelo Cruzeiro na final. Até hoje, nenhum clube peruano conseguiu levantar a taça da competição.

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Lembra dele no Santos? Técnico Cuca já vestiu a Dez alvinegra

Muitos lembram da passagem pouco memorável do (ainda) treinador palmeirense pela Vila Belmiro como técnico, em 2008, mas em 1993 ele fez parte do meio de campo do Peixe

O técnico campeão brasileiro Cuca teve uma carreira de 13 anos como jogador de futebol, atuando entre 1984, quando estreou pelo Santa Cruz-RS, até sua aposentadoria em 1996 pelo Coritiba, equipe da sua cidade natal. Entre o primeiro e o último, vestiu a camisa do Juventude, por um ano e meio (1985-1986), e do Grêmio (1986-1989), clube no qual permaneceu por mais tempo (1986-1989) na carreira. Foi para o Valladolid em 1990 mas, no mesmo ano, retornou ao clube do Olímpico.

A partir de 1991, iniciou sua vida de peregrino do futebol permanecendo no máximo um ano nos times por onde passou. Em 1991, esteve no Internacional; em 1992, no Palmeiras. De lá foi para o Santos, onde atuou em 1993. Em 1994, jogou pela Portuguesa e pelo Remo, indo para o Juventude mais uma vez em 1995. No ano seguinte, foi para a Chapecoense e em seguida para o Coxa. Foi convocado e chegou a jogar pela seleção em 1991, com o técnico Falcão.

Quando Cuca veio para o Peixe, foi o reforço mais festejado do início da temporada de 1993. À época, ainda existia a Lei do Passe, mas o futuro técnico era dono de seus direitos, tendo os vendido ao Alvinegro por US$ 180 mil. Junto com ele, vieram o goleiro Maurício, do Novorizontino; o meia Darci, emprestado pelo Rio Branco, e o lateral-esquerdo Silva, vindo da Portuguesa. Haviam saído o meia Edu Marangon, para o futebol japonês, e o zagueiro Nei, para a Ponte Preta.

 

cuca jogando no santos.PNG

Cuca em sua chegada ao Santos, em 1993 (Nélson Coelho/Placar)

 

O técnico Evaristo de Macedo contava com bons nomes no meio de campo. Além de Cuca e Darci, já despontava Marcelo Passos, lançado em 1992 por Geninho, e Ranielli. No segundo semestre ainda contaria com o retorno de Sérgio Manoel, que havia sido emprestado para o Fluminense no ano anterior.

No Paulista de 1993, o Santos ficou na primeira fase em quarto lugar, com o mesmo número de pontos de Corinthians e São Paulo, mas com saldo de gols pior. Na segunda fase, caiu no grupo com os dois rivais e o Novorizontino, acabando em terceiro lugar, sendo que somente o primeiro se classificava. Foi o campeonato que o Palmeiras, em seu segundo ano de parceria com a Parmalat, saiu da fila de 16 anos sem títulos.

Veja abaixo gols de Cuca em sua estreia, vitória de 4 a 2 sobre a Portuguesa, e contra o São Paulo, triunfo de 3 a 2.

Já no Brasileiro daquele ano, contando com os reforços do lateral-esquerdo Eduardo, ex-Grêmio; do goleiro Veloso, emprestado pelo Palmeiras, e do zagueiro Ricardo Rocha, emprestado pelo Real Madrid. O comandante Antônio Lopes levou a equipe ao 5º lugar na primeira fase, mas, na fase final, onde só o vencedor de cada grupo de quatro times ia à final, o Alvinegro não foi bem sucedido. Na chave que tinha Corinthians, Flamengo e o vice-campeão da competição, Vitória, o Santos terminou em 3º, com um triunfo, três empates e duas derrotas, três pontos atrás do líder Vitória (à época, a vitória valia dois pontos). Guga foi o artilheiro do Brasileiro de 1993 com 14 gols.

Confira gol de Cuca no empate contra o Vitória, na fase final do Brasileiro.

No total, Cuca fez 44 jogos pelo Santos, marcando 15 gols. Sobre a experiência, ele disse em uma reportagem em 2012. “Quando você entrava no vestiário da Vila Belmiro, tinha um armário lacrado, que ninguém abria, que era o armário do Pelé, e vestir a camisa 10 é um baque. Toda sua infância e juventude passa dentro de você naquele momento. Eu falo que muitas coisas tem seu preço e algumas o seu valor. Essa tem um valor inestimável.”

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“Mil gols, só Pelé…” – o aniversário do milésimo e a falsa polêmica dos gols pelo Exército

Após 47 anos, o Rei continua como o único jogador a marcar mais de mil gols como profissional – sem incluir na contagem tentos anotados como juvenil, como fazem outros atletas. Confira em vídeo alguns de seus belos lances

O milésimo gol de Pelé completa, neste dia 19 de novembro, 47 anos. Como quase todo mundo sabe, o feito ocorreu em uma cobrança de penalidade, no Maracanã, quando o Santos superou o Vasco da Gama por 2 a 1, em partida válida pelo campeonato brasileiro daquele ano.

Trata-se ainda hoje de um feito único para um jogador como profissional, lembrando que a contagem de Romário, por exemplo, conta gols dele feitos como juvenil, sem os quais não alcançaria a marca.

Sobre toda a saga do gol mil do Rei do Futebol você pode ler aqui. Mas sempre surge uma (falsa) polêmica a respeito dos tentos marcados pelo então soldado Nascimento quando serviu o Exército. Afinal, qual a importância disso na lista?

Pelé no Exército

Quando completou 18 anos, em 1959, após ser campeão do mundo pela seleção brasileira na Copa da Suécia, no ano anterior, o Dez do Santos entrou no 6º grupo de artilharia de costa, em Praia Grande, litoral de São Paulo. Ali, ele não era Pelé, mas sim o soldado 201 Nascimento.

Atuando pelas Forças Armadas, ele marcou 15 gols. É importante lembrar que, à época, na seleção brasileira pela qual o Rei marcou quatro vezes, muitos jogadores profissionais faziam parte dela como Nélson Coruja, Lorico e Parada.

E se descontarmos os gols de Pelé pelo Exército?

Se tirarmos os 15 tentos marcados por ele, sobram ainda 1.266. Margem bem folgada acima do milésimo… Caso alguém prefira essa conta, o Rei teria marcado o milésimo gol na vitória por 7 a 0 do Alvinegro Praiano sobre o América do México, em 4 de fevereiro de 1970.

Mas se adotarmos um outro critério, a da inclusão de gols feitos quando juvenil, estratégia usada para inflar a lista de alguns jogadores, apareceriam mais 13 tentos feitos pelo Dez em suas oito partidas jogando pelo time de baixo do Peixe. É bom lembrar que Pelé foi precoce, atuando como profissional aos 16 anos e indo para uma Copa do Mundo (sendo decisivo e marcando gols, não apenas como figurante no banco) aos 17.

Um vídeo com gols de Pelé

Confira abaixo uma compilação de 207 gols do Dez, uma pequena mostra da diversidade dos belos tentos marcados pelo Rei pelo Santos e pela seleção brasileira. É incrível a diversidade de lances e o número de adversários que cai, literalmente, diante de Sua Majestade.

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Messi deve chegar ao gol 500 na carreira. Sabe quando Pelé alcançou a mesma marca?

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Santos 3 X 2 Vitória – Copete dá o tom da vitória do Peixe

Alvinegro segue na perseguição ao Palmeiras e finca o pé no G3, posição que assegura passagem direta para a fase de grupos da Libertadores

O Santos fez a lição de casa e venceu o Vitória por 3 a 2 na noite desta quinta-feira, na Vila Belmiro. Com 57 pontos, segue no encalço do Palmeiras e consolida seu lugar no G3.

Na etapa inicial utilizou uma estratégia que muitos rivais do Santos usam para complicar o time na Vila Belmiro, a marcação-pressão. Em mais de uma ocasião a bola voltou para Vanderlei que, sem opção, foi obrigado a chutar a bola pra frente. Com alguma catimba e aproveitando os lados do campo, o Vitória chegou a exigir duas defesas de Vanderlei em finalizações de fora da área, mas o Alvinegro conseguiu se postar com paciência e trocas de bola. Foi preciso paciência para ameaçar o Vitória.

Copete brilhou no triunfo do Santos

Copete fez dois gols e foi o melhor em campo contra o Vitória (Ivan Storti/Santos FC)

Perto da metade do tempo o jogo começou a ficar mais afeito à equipe de Dorival. O Vitória começou a errar, pressionado pela marcação peixeira no campo ofensivo e Copete roubou uma bola na meia, avançou, e tocou para Lucas Lima explodir a bola no travessão aos 20 minutos. O atacante colombiano, mostrando a disposição de sempre, foi o destaque da primeira metade da partida, anotando o gol alvinegro aos 35, após bela assistência de Lucas Lima. O meia, aliás, mostrou uma boa movimentação nos 45 minutos iniciais, participando dos dois lados do campo das jogadas ofensivas santistas.

Após o intervalo, os donos da casa seguiram tocando a bola, buscando cadenciar mais o jogo, e o Vitória não se achava em campo. Mesmo assim, chegou ao gol aos 15 minutos. Noguera falhou e Yuri tentou matar a bola no peito, mas acabou tocando com o braço nela. Pênalti bem marcado e convertido por Marinho.

Mas não deu tempo de o santista ficar aflito. Aos 19, mais uma vez Lucas Lima apareceu bem, dando um belo passe para Copete no lado direito da área do Vitória. Diogo Matheus se precipitou e entrou de carrinho no colombiano, fazendo pênalti. Ricardo Oliveira cobrou com tranquilidade, esperando Caíque se mexer e tocando no meio do gol.

O jogo voltou pro estágio banho-maria, mas dessa vez o Peixe ameaçava mais com contra-ataques, errando no último ou penúltimo passe. O time baiano pouco ameaçava e mesmo Marinho, que conseguiu fazer com que dois jogadores do Santos tomassem cartão amarelo, ficou apagado. A tranquilidade só veio aos 39, quando Copete desarmou Vitor Ramos na área e marcou seu segundo na partida, o terceiro do Peixe. Mesmo com a “Lei do Ex” funcionando e o meia Serginho descontado para o Rubro-Negro aos 48, novamente com falha de Noguera na marcação, não houve tempo para mais emoções. Ainda bem.

Obviamente o destaque da peleja foi Copete. Mostrou a raça e garra habituais, que incendeiam time e torcida, mas também deu belos passes, desarmou, fez a marcação pela lateral, matou contra-ataques do Vitória e fez dois gols. Ufa! Cansa só de ler, né? Mas esse atacante colombiano é o verdadeiro atleta incansável, merecendo muitos aplausos da torcida. São doze gols e cinco assistências em 28 partidas com a camisa do Santos. Não é pouca coisa.

A luta segue. Mais três finais para o Alvinegro Praiano. E garantia de emoção para o santista.

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Lembra dele no Santos? Daniel Paulista

Hoje técnico do Sport, ex-volante apareceu para o futebol em 2003, no Santos que tinha Diego e Robinho

Quem viu ontem o jogo entre Grêmio e Sport pelo Brasileirão – vitória rubro-negra por 3 a 0 – pode ter tido aquela impressão, ao olhar para o banco de reservas da equipe pernambucana: de onde conheço esse técnico?

Daniel Paulista, que atuou tanto na função de volante como de segundo volante, foi elevado ao cargo de treinador com a saída de Oswaldo de Oliveira para o Corinthians. Antes, já havia assumido interinamente o comando do clube em julho de 2014, quando também era auxiliar de Eduardo Baptista, que saiu para o Fluminense. Encerrou a carreira de atleta precocemente, aos 32 anos, depois de ser dispensado do ABC-RN.

Oriundo do Comercial, Daniel Pollo Barion, então chamado só de Daniel, foi uma indicação de Émerson Leão, que havia tirado o Santos de um jejum de 18 anos sem títulos expressivos em 2002. Chegou após o campeonato paulista de 2003, aos 20 anos de idade, para compor o elenco alvinegro, sendo um dos reservas para os volantes, à época, Paulo Almeida e Renato.

daniel paulista santos

Daniel Paulista comemora gol contra o Vasco, no Brasileiro de 2003 (Reprodução)

Fez sua estreia em um triunfo do Alvinegro sobre o Flamengo, por 2 a 0, em peleja do Brasileirão, quando entrou no lugar do meia Alexandre. Jogou como titular na equipe que goleou o Bahia por 4 a 0, quando Leão poupou a equipe principal para o segundo duelo contra o Boca Juniors, válido pela final da Libertadores daquele ano.

No Peixe, fez um único – belo, aliás – gol. Foi o que decretou a virada do Santos contra o Vasco, na Vila Belmiro, por 2 a 1. No segundo turno, foi titular em várias partidas, vencendo uma disputa particular com Alexandre, em função de lesão do titular Paulo Almeida. Também entrou jogando na Sul-Americana.

Em 2004, contudo, perdeu lugar com a chegada de Vanderlei Luxemburgo no time e acabou dispensado. Em 2005, foi para o Juventude. Passou ainda por clubes como São Caetano, Corinthians, Náutico, Sport (2 vezes) e Audax em 2013.

Confira abaixo o golaço de Daniel Paulista contra o Vasco.

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Ponte Preta 1 X 2 Santos – E Dorival mudou o jogo…

Alvinegro mostra raça e técnica e consegue virada em Campinas, assumindo a vice-liderança do Brasileiro. Copete e Cittadini fazem a diferença
Já diria um ditado que todo brasileiro é (ou acha ser) técnico de futebol. Quando se envolve a paixão por um clube, tal sintoma da alma nacional fica ainda mais visível. Em geral, faltam elogios e sobram críticas. Dorival Júnior sabe bem disso.
Ultimamente muitos torcedores têm pego no pé do técnico do Santos. A maioria de boa fé, discordando de escalações, alterações ou pelo jeito que a equipe joga, responsabilizando o treinador por praticamente tudo de ruim que acontece com o time. Outros estão engajados em uma campanha pela volta de Vanderlei Luxemburgo à Vila, algo que beira o incompreensível, ainda mais tendo em vista as últimas entrevistas do comandante.
O ideal para analisar o trabalho de alguém é colocar isso em perspectiva, ou seja, fazer uma avaliação de um prazo mais longo que um ou dois jogos. Ver que tipo de dificuldades foram enfrentadas no decorrer desse período e ponderar também sobre o óbvio: às vezes um jogador erra, um árbitro idem, e aí é difícil culpar o homem que está no banco.
Dorival enfrentou desfalques por escalações da seleção brasileira e da seleção olímpica. Jogadores perderam o ritmo em função disso. Perdeu atletas por contusão, como Ricardo Oliveira, atacante com que pode contar em 34 pelejas no ano; Vitor Bueno, em um momento decisivo do campeonato brasileiro; além da zaga titular. Com um elenco limitado, penou para escalar o time.
Mesmo assim levou o Santos, hoje, à vice-liderança. No duelo contra a Ponte Preta, a equipe entrou pressionando a saída de bola, se movimentando bem ofensivamente e não deixando a Ponte atacar. Mas, em um lance rápido e uma falha individual de David Braz, o time tomou o gol quando jogava melhor, tento de pênalti aos 21. Custou a se encontrar novamente, voltando a atuar bem somente no segundo tempo, quando Dorival voltou do intervalo com Yuri no lugar de David Braz.
santos ponte preta

Léo Cittadini é celebrado por seus companheiros de equipe (Santos FC)

A alteração foi cornetada nas redes sociais, já que o 14 do Alvinegro, além de ter feito a penalidade, perdeu um gol na grande área. Mas fazia sentido. Com a Ponte jogando somente no contra-ataque, seria um risco deixar Noguera, que é lento, no mano a mano. Yuri melhorou a saída de bola e por vezes foi ao ataque, como no segundo gol do Peixe, revezando na zaga com Renato. Braz subiu de produção com o volante/meia do seu lado.
Mas a grande sacada de Dorival foi o “resgate” de Leo Cittadini. Ele entrou no lugar de Vitor Bueno e participou dos dois lances da virada santistas, finalizando para Ricardo Oliveira marcar no rebote e “servindo” Copete no segundo tento (a bola entraria mesmo que o colombiano não tocasse na redonda). O meia teve boas atuações no decorrer do ano, tanto como volante como substituto de Lucas Lima, mas teve problemas físicos e não conseguiu uma boa sequência. Foi decisivo e merece novas chances.
Outro destaque da equipe foi Copete. O colombiano, que errou bastante na primeira etapa, voltou bem no tempo final e foi o responsável por boa parte dos lances ofensivos da equipe. Também merece atenção a entrada do garoto Arthur Gomes, em sua primeira partida como profissional, substituindo Jean Mota. Mostrou personalidade.
O Santos mostrou que está vivo e muito desse sucesso, de 29 pontos obtidos dos últimos 33, se deve a Dorival Júnior. O time tem mais quatro “finais” até a última rodada. Dá pra ficar feliz.

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A história de Carlos Alberto Torres no Santos FC

Alvinegro Praiano foi o time onde capitão do Tri jogou por mais tempo. Conheça algumas passagens curiosas da trajetória do “Capita” na Vila Belmiro

O ex-jogador e ex-técnico Carlos Alberto Torres, falecido em função de um infarto aos 72 anos, no dia 25 de outubro, é tido como o maior lateral direito da história do Santos, e talvez do Brasil, só rivalizando com Djalma Santos. Na Vila Belmiro, foram quase onze anos, entre 1965 e 1975, com 445 partidas disputadas e 40 gols marcados com o manto sagrado. Em 1971, chegou a atuar três meses no Botafogo, mas, lesionado, voltou à Baixada.

Pelo Alvinegro Praiano, foi campeão brasileiro em 1965 e 1968, campeão paulista em 1965, 1967, 1968, 1969 e 1973, da Recopa Sul-americana e Mundial em 1968, do Torneio Rio-São Paulo de 1966 e dos torneios de Nova York em 1966, Triangular de Florença em 1967, de Cuiabá em 1969, Hexagonal do Chile em 1970, Octogonal do Chile e Pentagonal de Buenos Aires em 1969.

Carlos Alberto chegou ao Santos aos 22 anos vindo do Fluminense em 1965, com a torcida tricolor ameaçando depredar a sede do clube em função da saída do atleta. No entanto, em depoimento dado ao projeto Futebol, Memória e Patrimônio: Projeto de constituição de um acervo de entrevistas em História Oral, do CPDOC/FGV (veja aqui), ele revelou que já queria ter vindo ao Peixe anos antes, ainda juvenil.

O lateral chamou a atenção, segundo ele, quando participou de alguns treinos com a seleção brasileira, que concentrava no Hotel Paineiras em Cosme Velho, próximo ao estádio do Fluminense.

Quando faltava algum atleta em um coletivo, o garoto formava com o time reserva. “Quando treinei algumas vezes na seleção para completar a posição da lateral, ou Djalma Santos, ou o Jair não podia participar, alguns jogadores do Santos já haviam indicado o meu nome para eu ir para o Santos, porque o Santos tinha vários jogadores que jogavam na seleção, não é? Se o Fluminense na época tivesse concordado em me liberar, se fosse hoje, por exemplo, que não tem mais o passe, eu seria campeão mundial de interclubes.”

No mesmo depoimento, o “Capita” conta que sua não convocação para ir à Copa do Mundo de 1966 pode ter acontecido justamente pela sua transferência para o Peixe. De acordo com Carlo Alberto, um dirigente da CBD (Confederação Brasileira de Desportos, predecessora da CBF), ligado ao Fluminense, tentou convencê-lo a não ir para o clube da Vila. “E você sabe o que é que aconteceu depois que fui para o Santos? Várias convocações o meu nome não estava, mesmo sendo já naquela época apontado como o melhor da posição no Brasil, mas várias convocações o meu nome não estava. Em 1966 eu fui porque foram quatro de cada posição, acho que não tinha como se justificar a minha não chamada, não é? Aí fui, mas não fui para a Copa do Mundo”, relata.

Partida inesquecível de Carlos Alberto Torres no Santos

Em depoimento dado à Bandeirantes, o Capita conta que, entre os vários jogos marcantes que fez pelo Peixe, o mais memorável para ele foi um confronto contra o Benfica, válido pelo Torneio de Nova York e disputado em 21 de agosto de 1966. Para ele, e também para outros jogadores santistas, foi uma espécie de revanche da Copa do Mundo de 1966, quando Portugal eliminou o Brasil da competição, com uma marcação violenta em Pelé.

“Santos e Benfica. Em 1966, disputamos o Torneio de Nova York. Na Copa, Portugal havia vencido a seleção brasileira, eliminando o nosso time. Eles machucaram o Pelé. Foi uma Copa violenta. Um mês depois, o Santos jogou contra o Benfica, que era base da seleção portuguesa. Foi como se fosse uma desforra. O jogo foi sensacional. Acho que ganhamos de 4 a 0. Nós lavamos a nossa alma. O Santos, naquela época, era o melhor do mundo. A gente respeitava o adversário, mas sabíamos do potencial do nosso time. Tinha o nervosismo natural. A gente sabia da importância do jogo. Foi um jogão, enfrentamos um dos melhores times do mundo.”

Obrigado, capitão, por tudo que fez pelo nosso Santos. Seu nome já está eternizado no coração dos torcedores do Peixe.

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Lembra dele no Santos? Fernando Fumagalli, um ex-menino da Vila

Herói da classificação do Guarani à final da Série C de 2016, meia foi levado da Ferroviária para a base do Peixe, mas não emplacou

Fernando Fumagalli tem sido destaque no noticiário esportivo por conta de sua grande atuação em uma sensacional virada do Guarani contra o ABC-RN, em duelo válido pela semifinal da Série C de 2016. Após perder de 4 a 0 a primeira partida, o Bugre de Campinas devolveu com juros a derrota atuando em casa: 6 a 0, com três gols de Fumagalli.

O jogador tem 81 gols em 251 pelejas pela equipe campineira, mas no Santos, onde surgiu para o futebol profissional, não brilhou. Trazido da Ferroviária aos 18 anos, ele fez parte do sub-20 que disputou bem a Copa São Paulo de Juniores em 1997. A equipe chegou à semifinal da competição, desclassificada pelo clube que seria campeão naquele ano, o Lousano Paulista.

Além de Fumagalli, à época chamado só de Fernando, estavam outros atletas que mais adiante subiram para o profissional do Santos. Os companheiros de ataque Adiel e João Fumaça, o meia Eduardo Marques, os laterais Michel e Gustavo Nery, e o centroavante Rodrigão.

fumagalli menino da vila

Fernando Fumagalli, herói do Guarani, iniciou sua trajetória profissional no Santos

O então jovem Fernando fez sua primeira partida pelo Peixe em 13 de abril daquele mesmo ano, entrando no lugar do atacante Macedo. Marcou um gol na vitória de 2 a 0 contra a Portuguesa Santista, no Ulrico Mursa, em partida válida pelo campeonato paulista. O outro tento foi marcado por João Fumaça.

Foi titular da equipe dirigida por Vanderlei Luxemburgo nas duas partidas seguintes, empates em 1 a 1 contra a Internacional de Limeira, quando formou o ataque ao lado de João Fumaça e anotou o gol de empate alvinegro, e outro em 2 a 2 contra o São Paulo, quando atuou ao lado de Muller e foi substituído por Careca.

Na sequência, perdeu espaço para Alessandro e para o próprio atacante veterano, deixando de participar das nove partidas que a equipe disputou no Paulista. Só voltou a atuar no terceiro jogo do Brasileiro, vitória contra o Grêmio por 2 a 1. Mas sua participação parou por aí, ainda mais com a chegada de mais concorrência no ataque, com as vindas de Caio (o hoje comentarista Caio Ribeiro) e o paraguaio Edgar Baez. Fumagalli só teve chances em uma excursão que o Alvinegro fez na Europa.

Em 1998, já com Émerson Leão como técnico, teve que conviver com mais concorrência no ataque, com as vindas de Lúcio e Viola e, no segundo semestre, Aristizábal, Robson Luís e Fernandes, além das ascensões de Messias e do retorno de Adiel. Entrou em duas partidas no Brasileiro, fora um amistoso com a seleção da Jamaica. Fumagalli foi emprestado ao Tokyo Verdy e, na sequência, ao América de Rio Preto, retornando ao Peixe em 1999. Com poucas chances, rescindiu seu contrato e foi para o Guarani, em sua primeira passagem, indo para o Corinthians logo depois. Passou ainda por clubes como Fortaleza, Sport, Vasco, entre outros, até voltar para o Bugre em 2012.

No Peixe, Fernando Fumagalli marcou quatro gols em 19 partidas.

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San-São: Santos tem vantagem sobre o São Paulo no século 21

Se no histórico dos confrontos o Tricolor tem mais triunfos, desde 2001 o Peixe é quem se dá melhor. Em mata-matas, são sete confrontos, todos vencidos pelo Alvinegro

Santos e São Paulo fazem um dos principais jogos da 30ª rodada do campeonato brasileiro de 2016 nesta quinta-feira, às 21h. O palco do confronto será o Pacaembu, já que as duas diretorias fizeram um acordo para mandar os dois clássicos da competição neste no estádio.

Na partida do primeiro turno, com torcida única alvinegra, deu Santos por 3 a 0.
No histórico do clássico paulista, o Tricolor tem mais triunfos que o Peixe. São 119 vitórias são-paulinas contra 100 santistas, com 67 empates entre ambos nos 286 jogos disputados. Contudo, é sempre bom lembrar que, assim como em outros confrontos contra times do Trio de Ferro, o Alvinegro jogou mais fora do que dentro da Vila Belmiro , sendo 95 pelejas no estádio que faz 100 anos.

Mas, no século 21, a vantagem é do Santos. Desde 2001, são 27 triunfos, 18 derrotas e dez empates em 55 jogos. A equipe paulistana tem mais vitórias no Pacaembu, 37 contra 23, em 71 partidas, só que o Santos sustenta, atualmente, uma invencibilidade de 14 jogos no estádio. Sua última derrota foi na primeira partida da final do Paulista de 2014 contra o Ituano, em 6 de abril daquele ano.

Outra curiosidade se relaciona a um dos personagens do clássico. O centroavante Ricardo Oliveira, que também tem passagem pelo rival, anotou 75 gols até agora com a camisa santista e sua maior vítima é justamente o Tricolor Morumbi. O Pastor já balançou 8 vezes as redes do rival atuando com o manto alvinegro.

ricardo oliveira santos x sao paulo

Ricardo Oliveira é algoz do São Paulo atuando pelo Santos (Foto Ivan Storti/SantosFC)

Prováveis escalações de Santos e São Paulo

Na segunda-feira (10), o técnico são-paulino Ricardo Gomesdeslocou Buffarini para a lateral esquerda e promoveu o retorno de Wesley. A equipe treinou com Denis; Bruno, Maicon, Rodrigo Caio e Buffarini; Hudson, Thiago Mendes, Wesley e Carlinhos; Robson. Chavez fez fortalecimento muscular, mas provavelmente será o titular no lugar de Robson. O peruano Cueva, que retorna após partida das eliminatórias pela seleção peruana na quarta, deve ficar à disposição, assim como Mena.

O Peixe deve contar com o retorno do meia Lucas Lima, que fica no banco na partida da seleção brasileira, nesta terça (11), contra a Venezuela no país vizinho. Vitor Bueno voltou a treinar, mas ainda não tem condições físicas nem ritmo de jogo para o clássico, já que sequer foi liberado para trabalhar com bola. Assim, Dorival Júnior deve entrar em campo com Vanderlei, Victor Ferraz, Luiz Felipe, David Braz e Zeca; Renato, Thiago Maia e Lucas Lima; Jean Mota, Copete e Ricardo Oliveira.

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5 curiosidades sobre Santos e Benfica

Peixe faz amistoso comemorativo dos cem anos da Vila Belmiro, que também é a despedida de Léo, com freguês de carteirinha: o Alvinegro nunca foi derrotado pela equipe portuguesa. Confira esta e outras curiosidades do duelo

1 – Benfica freguês

Foram sete partidas na história entre Santos e Benfica, e o Peixe não sabe o que é perder. São seis vitórias e um empate, 28 gols marcados e 14 sofridos. O único empate do confronto foi a última peleja entre os dois, amistoso disputado em Nova Iorque, no ano de 1968, 3 a 3.

2 – Primeiro mundial

O time português foi o adversário do Alvinegro na conquista de seu primeiro Mundial Interclubes, em 1962. Em uma melhor de três, os brasileiros venceram a primeira por 3 a 2 e a segunda, no estádio da Luz, em Lisboa, por 5 a 2.

3 – Maior partida de Pelé

Segundo José Macia, o Pepe, a atuação de gala do Peixe contra o poderoso Benfica, base da seleção portuguesa que seria terceira colocada em 1966 na Copa do Mundo, foi a maior atuação do Rei. “Foi uma atuação sensacional do Pelé. Eu, que joguei tantas vezes ao lado dele, digo que aquele jogo em Lisboa foi a maior partida da vida do Rei do Futebol”, disse o Canhão da Vila.

4 – Mudança da Voz do Brasil

Por conta da segunda partida da decisão do Mundial, o Ministério da Justiça autorizou a alteração do horário de A Voz do Brasil para que o jogo fosse transmitido. Até hoje, um fato raro.

5 – Golaço de Coutinho

No primeiro jogo da decisão de 1962, Coutinho fez um golaço, que ficou na memória do torcedor santista José Miguel Wisnik, como relata nesse texto. “A bola foi lançada pelo alto, vinda da intermediária pelo lado direito, caindo sobre o bico esquerdo da pequena área, onde estava Coutinho. Ele matou de efeito, sem deixá-la cair no chão, aproveitando tanto o impulso natural da bola quanto o seu desenho em curva para dar um chapéu de fora para dentro num primeiro zagueiro, e, em seguida, um outro chapéu simétrico num segundo zagueiro, antes de concluir, sem que a bola tocasse o chão”, lembra. “Li num jornal, dois dias depois do jogo, que, ao embarcar de volta para Portugal, um dirigente do Benfica declarou sobre o gol, numa autêntica chave de ouro camoniana, que valera a pena atravessar o oceano, só para sofrê-lo.”

 

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