Soteldo faz a diferença em vitória do Santos sobre o Botafogo

Venezuelano, junto com Carlos Sánchez, foi fundamental na vitória por 2 a 0 do Alvinegro na 5ª rodada do campeonato paulista

Na Vila Belmiro em um dia chuvoso, o Santos não fez força para vencer o Botafogo de Ribeirão Preto. O que saltou aos olhos foi a partida feita pelos estrangeiros que são titulares absolutos da equipe desde o ano passado.

Em sua primeira partida pelo time no ano, Soteldo mostrou o quão diferente fica o ataque da equipe com sua presença. Na primeira etapa, atuou tanto pela esquerda quanto pela direita, com ótima movimentação e variação de jogadas. Buscou tabelas e passes em velocidade, características quase ausentes nas partidas anteriores do Peixe, dando mais qualidade para o setor ofensivo.

Foi ele quem começou a construção da jogada que resultou no primeiro gol alvinegro. Pela esquerda, de um belo passe por elevação para Eduardo Sasha, que cruzou para Carlos Sánchez marcar aos 20 minutos. O uruguaio também se destacou, tendo seu trabalho de iniciar as jogadas de frente facilitado, já que podia dividir a função com o colega venezuelano.

Após conseguir o gol, o Santos tentou algumas jogadas de ultrapassagem pelas laterais e cruzamentos que priorizaram o segundo pau, mas faltou a famosa intensidade, cobrada nos jogos anteriores. Mesmo com um adversário frágil, que não conseguia armar qualquer contra-ataque – sua proposta de jogo inicial –, o time agrediu bem menos do que poderia. Terminou o primeiro tempo com 70% de posse de bola, mas com somente 6 finalizações.

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Soteldo e Sánchez fizeram a vitória do Santos ser tranquila na noite desta segunda-feira (Santos/divulgação)

Na etapa final o Botafogo até ensaiou sair um pouco mais para o jogo, mas a resposta alvinegra foi rápida. Aos 10 minutos, Soteldo recebeu pela esquerda, passou pelo marcador e cruzou no primeiro pau para Eduardo Sasha marcar seu primeiro gol no campeonato paulista.

Com o domínio da partida, o time conseguiu fazer trocas rápidas de passe, e Jesualdo Ferreira promoveu a entrada de Kaio Jorge no lugar de Raniel, aos 23. Aos 35, Jobson e Renyer entraram nos lugares de Diego Pituca e Eduardo Sasha.

Um jogo contra um time frágil, que não finalizou nenhuma vez ao gol de Vladimir, que ganho uma chance de Jesualdo Ferreira mas não teve como mostrar serviço. Difícil como parâmetro da evolução da equipe.

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Corinthians X Santos – Relembre duas vitórias do Peixe no clássico

Em 2014, Alvinegro Praiano goleou equipe comandada por Mano Menezes por 5 a 1. Na Arena Itaquera, palco da partida deste domingo, Santos venceu por 2 a 1 pela Copa do Brasil de 2015

Neste domingo, às 11h da manhã, o Santos vai a São Paulo enfrentar o Corinthians na Arena Itaquera. Como aquecimento para o clássico alvinegro, lembramos duas vitórias santistas contra o adversário.

A primeira delas aconteceu em 2014, em partida válida pelo campeonato paulista na Vila Belmiro. Foi o primeiro clássico paulista daquela temporada, realizado em 29 de janeiro,  e o Peixe era comandado por Oswaldo de Oliveira, enquanto os rivais tinham Mano Menezes como treinador.

Na ocasião, o Peixe foi impiedoso. Arouca teve atuação de gala, tanto na defesa quanto no apoio ao ataque, ajudando a desmontar o sistema defensivo adversário que tinha Gil, Paulo André e Ralf.

Após o volante abrir o placar aos 12, Gabriel Barbosa, o Gabigol, ampliou aos 21. Thiago Ribeiro marcou duas vezes, e o lateral Bruno Peres também deixou o seu. Os melhores momentos daquela partida estão abaixo.

O Santos terminou o campeonato paulista de 2014 como vice-campeão, perdendo nos pênaltis para o Ituano.

Outro momento recente marcante foi a vitória peixeira em 2015, na partida válida pela Copa do Brasil. Foi o primeiro triunfo santista na nova casa do rival.

O Santos havia vencido a primeira partida do duelo, válido pelas oitavas de final do torneio, por 2 a 0. Com a vantagem, Gabriel fez o primeiro aos 15 e, no segundo tempo, Ricardo Oliveira praticamente selou a classificação logo aos 20 da etapa final. Romero ainda faria o gol solitário do Corinthians.

O time de Dorival Júnior terminou a Copa do Brasil como vice-campeão.

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Santos bate Inter de Limeira na melhor partida com Jesualdo à frente do time

Alvinegro vence por 2 a 0 na Vila Belmiro e equipe mostra mais criatividade e opções ofensivas do que nos dois jogos anteriores do campeonato paulista

Na noite desta quinta-feira, contra a Inter de Limeira, na Vila Belmiro, Jesualdo Ferreira optou por uma equipe modificada, poupando jogadores e testando opções no meio e no ataque. Ficaram de fora Alison, Carlos Sánchez e Eduardo Sasha, além dos contundidos Marinho e Arthur Gomes da frente e de Soteldo, ainda na seleção pré-olímpica da Venezuela.

Como a Inter de Limeira, comandada por Elano Brumer, foi um time que entrou com duas linhas bem próximas, uma de cinco e outra de quatro jogadores, atuando bem atrás, deu campo para o Santos jogar.

Mais uma vez Felipe Jonathan foi essencial na armação ofensiva, e foi pelo lado esquerdo que saiu o primeiro gol do time, de Raniel, aos 22, uma bela finalização de fora da área. O tipo de jogada fundamental contra equipes que atuam muito na intermediária.

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Raniel foi o artilheiro da noite, mostrando boa movimentação no ataque (Reprodução)

O atacante marcou de novo ainda no final do primeiro tempo, aos 44, após escanteio cobrado pela direita por Diego Pituca.

Durante a etapa inicial, o Peixe mostrou qualidades ausentes nas duas primeiras partidas. O time se movimentou melhor pelo meio, com Evandro se deslocando bem e dando passes importantes na parte ofensiva. Jobson também mostrou qualidade ao fazer o jogo por dentro, chegando a entrar dentro da área, algo que Alison não faz.

Na segunda etapa, Elano colocou Tcharlles no lugar de Airton Moisés, mais um jogador à frente para buscar reduzir a desvantagem no placar. E o Santos, com a vantagem de dois gols, voltou sem a mesma intensidade do primeiro tempo, o melhor jogado pela equipe em 2020. Com o sistema defensivo bem postado, o Alvinegro foi ameaçado em tiros de longa distância, mas contou com a sorte e com Everson em uma ocasião.

Jesualdo promoveu três trocas no decorrer do segundo tempo. Sánchez entrou no lugar de Felipe Jonathan, Alison substituiu Evandro, e o garoto Renyer, de 16 anos, fez sua estreia como profissional com a saída de Tailson.

E o Uribe?

Desde que chegou ao Santos, certamente esta foi a vez em que Uribe teve mais chances de gol. Ao menos duas oportunidades cara a cara com o goleiro rival Rafael Pin que foram desperdiçadas. Problemas com domínio de bola e decisões erradas na hora de finalizar comprometeram estes e outros lances do atacante.

Uribe apresenta uma notória ansiedade ao jogar, mas hoje mostrou não só disposição, mas também oba movimentação, abrindo espaços, fazendo o pivô e dando opções para os companheiros do meio de campo. Precisa dominar os nervos para ser útil à equipe.

 

 

 

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Santos supera o Guarani no sufoco, em outra apresentação ruim

Mesmo com um jogador a mais em quase todo o segundo tempo, Alvinegro precisou marcar nos acréscimos para assegurar a vitória

Mais uma vez o Santos jogou mal e precisou contar com um gol contra aos 48 minutos do segundo tempo para vencer o Guarani, no Brinco de Ouro, nesta segunda-feira, por 2 a 1.

Se no jogo contra o Red Bull Bragantino as triangulações entre meia/lateral/atacante chegaram a aparecer vez ou outra, em especial no primeiro tempo, contra o Guarani elas rarearam um pouco mais, praticamente desaparecendo no lado esquerdo.

O time buscou a movimentação sempre para deixar o corredor aberto para o cruzamento pelos lados do campo. Algo a que o torcedor estava pouco acostumado, ver a bola quase toda hora pelo alto à procura de algum atacante na área.

Em que pese essa falta de criatividade, foi assim que saiu o gol do Santos na primeira etapa. Aos 21, Felipe Jonathan cruzou pela esquerda e Arthur Gomes se posicionou bem, saindo da marcação do miolo da zaga e acertando uma bela cabeçada.

Jogando no 4-1-4-1, com Alison à frente da linha de laterais e zagueiros na defesa e os atacantes fechando o meio de campo para ocupar os espaços quando atacados, o Alvinegro pouco foi ameaçado na etapa inicial.

A expulsão a 1 minuto do segundo tempo de Lucas Ribeiro parecia acenar para um jogo mais tranquilo para o Santos. Mas isso não aconteceu. O Guarani tornou mais aguda sua proposta de subir a marcação e atrapalhar a saída de bola do Peixe, mesmo expediente usado pelo Red Bull na estreia santista, e levou perigo ao gol de Everson até o empate. Um escanteio após uma bola recuperada na defesa alvinegra. Na jogada ensaiada bugrina, Everson falhou e Rafael Costa anotou de cabeça.

O gol castigou o Santos que foi pouco incisivo mesmo com um atleta a mais. A equipe cadenciava a bola quase sem pretensão ofensiva e, depois de tomar o gol, passou a sentir ainda mais dificuldade para atacar já que o Guarani se postou mais atrás.

O Bugre quase chegou a virar aos 40, mas Everson salvou o time em uma defesa providencial. Já nos acréscimos, aos 48, a sorte sorriu para o Santos, embora a equipe não merecesse pelo futebol jogado. Jean Mota cobrou falta para a defesa do goleiro e Pablo acabou chutando contra o próprio gol no reflexo.

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Santos teve muitas dificuldades na partida, mas conseguiu vitória no sufoco (Ivan Storti/Santos FC)

É cedo para falar, mas…

A parte física pesou, é fato, mas a proposta de jogo de Jesualdo Ferreira ainda não se tornou visível. Há um esboço com triangulações, jogadas pelas laterais com cruzamentos na área, mas até aqui um repertório ofensivo muito fraco e previsível.

Falta velocidade na transição da defesa para o ataque, e também mais jogadores participando das ações à frente. Pituca não se adaptou ainda para participar das jogadas ofensivas do lado esquerdo e as trocas pelo meio quase inexistem.

De positivo, pode-se destacar a melhora de Raniel quando atuou pelo lado direito, sendo o atacante mais perigoso do Santos na etapa final. Uribe, por outro lado, quando entrou, mostrou mais uma vez pouca mobilidade, não conseguindo finalizações mesmo com as bolas alçadas na área.

O Santos não vai ter o futebol vistoso do ano passado. Mas precisa ser efetivo.

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Santos de Jesualdo estreia com empate na Vila Belmiro. Poderia ter sido pior…

Com desfalques, o Alvinegro chegou a tomar sufoco do Red Bull Bragantino. Na estreia, foi possível ver as mudanças táticas em relação a 2019

O Santos não passou de um empate em 0 a 0 com o Red Bull Bragantino nesta quinta à noite, na Vila Belmiro. Um confronto de dois times da Série A, mas, justiça seja feita, se alguém deveria sair com a vitória seriam os visitantes.

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Pouco inspirado, ataque do Santos quase não produziu durante a partida contra o Red Bull Bragantino (Ivan Storti/Santos FC)

Logo na primeira etapa foi possível perceber algumas mudanças no jeito do Santos jogar em relação à equipe de Sampaoli. Jesualdo gosta das triangulação pelos lados do campo, com atacantes muitas vezes fechando pelo meio abrindo espaço para a descida dos laterais ou para os meias atacarem pelos lados. No primeiro tempo, o time tentou jogadas ofensivas usando o expediente, com Pituca pela esquerda e Carlos Sánchez na direita, mas pouco produziu.

O Santos de Jesualdo também não exerceu marcação-pressão como fazia o onze de Sampaoli em especial no início das partidas. Muitas vezes defende em seu próprio campo apenas com Sasha na frente, posicionando os atacantes e meias para a saída rápida no contra-ataque, condição que o Bragantino não permitiu na etapa inicial.

Atrás, o Santos não passou sufoco. Em poucos momentos o Bragantino buscou subir a marcação, com Alison dando um ou dois sustos quando apertado, já que foi em muitas ocasiões o responsável pela saída de bola, jogando à frente da zaga. Mas Everson foi exigido somente em um chute de fora da área de Claudinho.

Sem a mesma intensidade do ano passado (é preciso levar em conta as condições físicas de início de temporada), o Santos só chegou de fato ao gol de Júlio César com duas finalizações de Sánchez. Uma delas pelo lado direito do ataque, quando ficou sem marcação e chutou de três dedos, e em uma falta cobrada pelo lado esquerdo.

No segundo tempo, Jesualdo tirou Kaio Jorge e colocou o Raniel em seu lugar. O estreante, ex-São Paulo e Cruzeiro, entrou para atuar no lado direito, trocando com Marinho. O Bragantino voltou melhor, ocupando mais o campo de ataque e se aproveitando de passes errados e alguma displicência em jogadas no meio de campo alvinegro. O Peixe pareceu voltar a campo só na finalização de fora da área de Pará, aos 16.

Mostrando a insatisfação com a movimentação no ataque, Jesualdo mexeu novamente aos 18, colocando Arthur Gomes no lugar de Eduardo Sasha. Logo na sequência, Vinicius Munhoz também mexeu, tirando Bruno Tubarão para colocar Tonny Anderson, que pôs Ytalo duas vezes na cara do gol logo depois de entrar. Na primeira oportunidade Everson salvou e na segunda o Santos contou com o travessão para não sair atrás no placar.

Com o Alvinegro inoperante no ataque, o Santos mexeu pela terceira vez. Derlis Gonzales entrou para a saída de Marinho. Aos 30, o time teve todo o trio de atacantes trocado. Mesmo com algumas chances de contra-ataques, três delas desperdiçadas nos pés de Arthur Gomes, os visitantes continuaram levando mais perigo.

É preciso paciência, mas…

O Santos jogou sem Soteldo, talvez o principal jogador da equipe, que está na seleção pré-olímpica da Venezuela, e sem Lucas Veríssimo. E é verdade que o Bragantino é o time mais forte da competição fora os quatro grandes, e está melhor fisicamente já que fez jogos-treino e adiantou sua preparação. Mas alguns sinais merecem atenção.

Alison continua preciso nos desarmes, mas muitas vezes se posiciona mal e erra passes infantis.  Sendo responsável pela saída de bola, pode virar presa fácil para os adversários. Os laterais se portaram mais como laterais defensivos do que como alas, e quando foram à frente não produziram. Se essa for a ideia de jogo, é preciso um meio de campo mais participativo ofensivamente, para compensar um tipo de jogada que foi forte para o time no ano passado.

Se o Santos sofreu para vencer a Ferroviária na estreia do Paulista do ano passado, mostrou uma disposição muito maior na partida, com um primeiro tempo à la Sampaoli, uma marcação avançada que quase não deixava o rival respirar. Hoje, foi possível ver as mudanças no jeito de jogar, mas para o torcedor a falta de intensidade foi algo evidente. É preciso ver a evolução da equipe nas próximas partidas, mas a ofensividade de 2019, se existir, será em outro patamar.

 

 

 

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Pelé X Messi – comparação de gols em partidas oficiais é complexo de vira-latas

Ignorar os gols do Rei do futebol feitos, por exemplo, contra equipes importantes da Europa (incluindo o próprio Barcelona) e seleções, é desrespeitar a própria história

No primeiro dia do ano, o perfil oficial do Barcelona no Twitter publicou uma postagem listando como um dos grandes desafios de Messi no ano superar Pelé como o maior goleador de um mesmo clube. O clube catalão contabiliza 618 gols do argentino, que seriam 25 a menos que Pelé no Santos.

A postagem foi tema de reportagem do Esporte Espetacular na manhã deste domingo (5). Na mídia, de forma geral, fala-se em “polêmica”. Mas o assunto é relativamente simples: clubes europeus adotam como estatística partidas oficiais, aquelas organizadas por federações e confederações, enquanto no Brasil adota-se outro tipo de contagem, que inclui amistosos.

Pelé Messi

Messi e Pelé, comparação difícil, mas nem tanto… (Fotos: Addesolen e Creative Commons)

Ou seja, aqui no Brasil, isso seria uma discussão sem sentido, mas o gosto por “polêmicas” rende cliques e audiência. Pelé fez 1091 gols pelo Santos e é o maior artilheiro do clube na história. A contagem inclui amistosos, obviamente. Como todas as listas de maiores artilheiros de clubes do país.

O Flamengo, em seu site oficial, fala que Zico foi seu maior artilheiro, com 508 gols em 732 jogos. Não há distinção entre partidas de competições oficiais e amistosos. E nenhum clube brasileiro faz essa diferenciação.

Os gols de Pelé no exterior

É preciso levar em conta ainda que, à época em que Pelé jogou, o Santos fazia muitos amistosos no exterior, chegando mesmo a abrir mão de disputar a Libertadores. Isso porque era mais vantajoso do ponto de vista financeiro obter recursos com excursões, enquanto a competição continental era deficitária.

Como o time era uma atração internacional, era atração por conde passava, inclusive nos grandes centros. Pela contagem do Barcelona, por exemplo, não estão os dois gols feitos por Pelé na goleada contra o time catalão em pleno Camp Nou em 29 de junho de 1959. Um jogo visto por 40 mil pessoas na casa do Barcelona. O jogo não valeu?

Três dias antes, o Peixe venceu a Internazionale, de Milão, por 7 a 1 no Torneio de Valência, com quatro gols do Rei. No total, Pelé fez 353 partidas pelo Santos fora do brasil, marcando 361 gols, uma média superior a um gol por jogo.

Aliás, se levarmos a ferro e fogo o conceito de se levar em conta gols apenas em partidas ditas oficiais, o mesmo deveria ser aplicado a jogos por seleções nacionais. Em seu site oficial, Lionel Messi mostra que anotou 70 gols pela seleção da Argentina. Do total no entanto, não se menciona que 30 deles foram anotados… em amistosos. Demos excluir da lista?

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Messi deve chegar ao gol 500 na carreira. Sabe quando Pelé alcançou a mesma marca?

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O Santos na Copinha: relembre o título de 1984

Na primeira vez em que o Alvinegro se sagrou campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior o adversário da final foi o Corinthians

O primeiro título do Santos na Copa São Paulo de Júniores, a Copinha, veio em sua 16ª edição, em 1984, mesmo ano em que a equipe profissional se sagrou campeão paulista. Coincidentemente, o adversário no jogo final foi o mesmo nos dois torneios.

Naquele ano, a competição, então organizada somente pela Secretaria Municipal de Esportes paulistana, contou com 24 equipes divididas em oito chaves com três times cada. Bem diferente das edições mais recentes, com mais de uma centena de clubes participando.

O grupo do Santos era sediado em São Bernardo do Campo e tinha o Matsubara e o Cruzeiro.

Não era uma chave fácil. O clube paranaense, da cidade de Cambará, norte do estado, tinha como forte justamente suas categorias de base, sendo chamado de “fábrica de revelações”. Mas, após derrota para o Cruzeiro por 1 a 0, os sulistas também foram derrotados pelo Santos, por 3 a 0.

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Equipe campeã da Copinha de 1984 (Arquivo Melhores da Base)

A decisão do campeão do grupo que passaria à fase seguinte foi entre o Peixe e o clube mineiro, e deu Santos: 2 a 1.

O adversário do Alvinegro na fase seguinte foi a Ponte Preta, outra equipe que, à época, era reveladora de talentos para o futebol, tendo sido campeã do torneio em 1981 e 1982. Após um empate duro em zero a zero, a vaga nas semifinais foi decidida nos pênaltis, com triunfo santista por 5 a 4.

Outro páreo difícil para os alvinegros antes da decisão. O Nacional, também forte na base, já havia sido campeão da Copinha em 1972 e voltaria a triunfar em 1988, mas naquela ocasião perdeu para o Santos por 2 a 1.

Na final contra o Corinthians, no Canindé, o Peixe saiu na frente com Gérson, aos 18 do primeiro tempo, mas sofreu o empate aos 32, gol de Rogério. Próximo ao final da partida, aos 44, o Santos marcou o segundo com Flávio, garantindo sua primeira conquista na Copinha.

Menos de uma semana mais tarde, quando começou o Campeonato Brasileiro, jogadores da equipe foram incorporados ao profissional e disputaram a competição, caso do meia Paulo Leme, que permaneceu na equipe até 1986, e do atacante Gérson, que depois faria sucesso no Internacional, campeão gaúcho e da Copa do Brasil em 1992.

O zagueiro Pedro Paulo fez parte do plantel que foi campeão paulista naquele ano e ficou na Vila Belmiro até 1992, quando saiu para o Fortaleza. Fez 200 partidas pelo Alvinegro e marcou 10 gols. Já o goleiro Nílton ficou no clube até 1995, mas nunca se efetivou como titular.

 

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Lembra dele no Santos? Basílio, o “Basigol”, foi um dos heróis do Brasileiro de 2004

Ponta rápido e habilidoso chegou à Vila Belmiro com 32 anos e ganhou a torcida com o bom futebol

No último dia 19 de dezembro foram completados 15 anos do título santista do Campeonato Brasileiro de 2004. Um título importante não só por ter sido uma virada emocionante na reta final de uma competição por pontos corridos, com o Peixe superando o Atlético Paranense (hoje “Athlético”), mas também pelo time ter tido contra si diversos outros obstáculos.

Houve a polêmica dos gols mal anulados. Só do atacante Deivid foram oito. Além disso, jogadores foram punidos de forma desproporcional pela comissão de arbitragem, o time perdeu mandos de campo e ainda teve uma baixa importante justamente no momento crucial do Brasileiro.

Basílio jogando no Santos

Basílio fez 42 gols com a camisa santista e é o 8º maior artilheiro do clube no século 21

A mãe do atacante Robinho, maior estrela da equipe, foi sequestrada e permaneceu 41 dias em cativeiro. Ele não atuou em seis partidas voltando somente no último jogo contra o Vasco, quanto o Santos precisava de uma vitória simples para ser campeão.

Na ausência do camisa Sete, um jogador assumiu a responsabilidade e conquistou o respeito da torcida. Basílio, o “Basigol”.

Chegou ao clube em dezembro de 2003, pedido pelo então técnico Emerson Leão. O atleta, de 32 anos, vinha do Marília depois de ter passado pelo Palmeiras, em 2000-2001, e pelo Grêmio. Foi apresentado junto com Robson, outro que levava o gol no apelido (Robgol), artilheiro vindo do Paysandu e que não foi bem na Vila, e o goleiro Mauro, que seria titular da equipe campeã brasileira.

Logo de cara, Basílio não escondeu a satisfação de vestir a camisa alvinegra. “Já usei muitas vezes a camisa do Santos como torcedor e agora terei a oportunidade de vesti-la dentro de campo”, disse, em entrevista à imprensa em sua chegada.

Estreou no Santos em janeiro, pelo Campeonato Paulista, quando o Santos foi a Itápolis enfrentar o Oeste, vitória peixeira por 1 a 0. Seu primeiro gol viria na partida seguinte, empate em 1 a 1 contra o São Caetano, na Vila Belmiro.

Tornou-se o reserva imediato de Robinho, por ter como características a velocidade, o drible e também a boa finalização. Na reta final em que foi titular por seis partidas no lugar do Rei das Pedaladas, foi às redes em metade dos jogos, quatro vitórias e dois empates. No penúltimo jogo, vitória contra o São Caetano por 3 a 0 no Anacleto Campanella, o Peixe assumiu a liderança do Brasileiro. Nesta partida, Basílio fez o terceiro.

No último jogo, com Robinho voltando à equipe após sua mãe ser libertada, Basílio “escalou” o atleta. Em entrevista ao portal Uol, ele contou como foi: “Chegou a hora do treinamento final, o Robinho todo feliz. Na hora de escolher a equipe titular, o Vanderlei (Luxemburgo) foi dando os coletes e ficou com um na mão. Aí ele chamou eu e o Robinho e falou para mim: ‘Tó, Basílio, resolve’. Aí eu peguei o colete e falei para o Robinho: ‘Tó, neguinho, o colete é seu’.”

Robinho jogou como titular, teve um gol mal anulado, e Basílio entrou em seu lugar no decorrer do jogo. A vitória por 2 a 1 no estádio Teixeirão, em São José do Rio Preto, garantiu o octacampeonato santista.

Com o retorno de Vanderlei Luxemburgo em 2006, Basílio foi emprestado para o Verdy Tokyo, do Japão, ostentando 116 partidas e 42 gols pelo Alvinegro, sendo o 8º maior artilheiro do clube no século 21. Encerrou a carreira no Sertãozinho, em 2011 e, em 2019, retornou ao Santos, agora no Departamento de Avaliação, Captação e Transição de Atletas.

 

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Os 50 anos do milésimo gol de Pelé

Neste 19 de novembro de 2019 o milésimo gol do Rei do futebol faz cinquenta anos. Abaixo, a reprodução de um texto do Futepoca, adaptado, que conta a expectativa em relação ao feito histórico e os “quase milésimos”

Selo comemorativo do milésimo gol de Pelé
Selo comemorativo do milésimo gol de Pelé

Há 50 anos, Dona Celeste, mineira de Três Corações, fazia 46 anos. Naquele 19 de novembro, porém, não comemorou a data pessoalmente com o filho, que estava longe, no Rio de Janeiro. Dico já não era mais garoto, tinha completado 29. Aliás, nem Dico era mais. O filho de Dondinho pela primeira vez na carreira se sentia realmente nervoso. Estava prestes a fazer história de novo. Ele, autor de façanhas inúmeras, partia em direção à bola para ser novamente único. O primeiro a marcar mil gols.

Mas, antes de chegar até ali, a expectativa foi grande.
Em outubro, Pelé tinha 989 gols. Até a partida contra a Portuguesa, válida pelo Campeonato Brasileiro, então Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Na peleja disputada no Pacaembu, o Peixe venceu por 6 a 2, com quatro gols dele. A partir daquele dia 15, a contagem regressiva começou.

No jogo seguinte, contra o Coritiba, na capital do Paraná, o Santos superou o time da casa por 3 a 1, dois do Rei. Faltavam cinco. Nenhum tento viria no empate em zero a zero contra o Fluminense, no Maracanã, que contou com a presença pouco afável do ditador Médici. Ele não marcaria também contra o América-RJ, no Parque Antárctica, igualdade em 1 a 1, gol de Edu.

Pelé voltaria a fazer o seu em um 4 a 1 contra o Flamengo, no Maracanã, mas passaria em branco na derrota pelo mesmo placar contra o Corinthians, no Pacaembu. No empate em 1 a 1 contra o São Paulo, no Morumbi, foi Rildo quem fez o tento peixeiro. E viria uma sequência de três partidas no Nordeste, contra Santa Cruz, Botafogo-PB e Bahia. As chances de o milésimo vir ali eram grandes e cada cidade e clube pensou, e ao fim preparou, sua festa à sua maneira.

O Santinha não foi páreo para o Peixe na Ilha do Retiro e perdeu por 4 a 0, dois gols de Pelé. Em João Pessoa, o Santos foi recebido com festa no aeroporto e o Rei recebeu o título de cidadão da capital paraibana. Quem conta o que aconteceu é o próprio Atleta do Século, no obrigatório Pelé: minha vida em imagens (Cosac Naify):

“Mal o jogo começou, o Santos fez dois a zero, com bastante facilidade. A partida estava realmente fácil, e quando eu já me perguntava se aquilo não era de propósito, o juiz marcou um pênalti a nosso favor. A multidão explodiu em euforia e começou a gritar ‘Pelé! Pelé!’. Mas eu não era o batedor de pênaltis do time. (…) A pressão era enorme para que eu batesse. Meus companheiros de equipe disseram que, se eu não o fizesse, o público não nos deixaria sair daquele estádio!” Ele bateu e fez o 999º gol.

Tudo indicava que seria ali o local do milésimo. Mas o improvável aconteceu. O goleiro Jair Estevão caiu no gramado, contorcendo-se de dor, e foi retirado de campo. Como não havia jogador no banco para substituição, o “arqueiro reserva” do time – e também da seleção – era Pelé, que foi para debaixo das traves. Como muitos disseram à época, aquela contusão parecia bastante apropriada para que o histórico tento não saísse na pequena Paraíba. “Só que assim que o Pelé fez o gol de número 999, eu fui obrigado a me ‘contundir’ e o Pelé foi para o gol no meu lugar porque, premeditamente, eu entrei em campo sem goleiro reserva. O esquema foi bolado pelo Júlio Mazzei, porque ninguém do Santos queria que o milésimo gol de Pelé saísse na Paraíba e sim no Maracanã”, conta Jair, no Blog do Milton Neves.

Pelé comemora o milésimo gol no Maracanã
Pelé: 1281 gols na carreira (Ed. Sextante)

Mas ainda haveria mais um jogo antes do Santos ir ao Rio de Janeiro, contra o Bahia, em Salvador. E ninguém havia “combinado” nada com Pelé, que queria se livrar da pressão o quanto antes. O Rei teve duas chances. Em uma oportunidade, a bola bateu na trave. “Na segunda, recebi a bola perto da marca do pênalti, dei uma volta, passei por um jogador e avancei para o lado direito do gol. Chutei e o goleiro não conseguiu pegar, mas, vindo não sei de onde, apareceu um zagueiro e tirou a bola na linha do gol. Em vez dos torcedores de seu time comemorarem, o estádio inteiro vaiou. Era algo surreal”, conta o Dez em Pelé: minha vida em imagens. O jogador Nildo “Birro Doido”, falecido em 2008, ficou conhecido como o homem que evitou o milésimo gol do Rei.

Após o empate em 1 a 1 com os soteropolitanos (gol alvinegro de Jair Bala), chegava a noite da quarta-feira, no Maracanã, contra o Vasco. O zagueiro vascaíno Renê cometeu um pênalti em Pelé e, aos 33 do segundo tempo, ele cobrou. Com paradinha, como aprendera vendo Didi cobrar em treinos da seleção brasileira. Mesmo saltando no canto certo, o argentino Andrada não segurou e veio o milésimo.

O jogo parou por 20 minutos, e alguns torcedores entregaram a Pelé uma camisa do Vasco com o número 1000.

O tento foi dedicado às “criancinhas”, por conta de um fato ocorrido dias antes. “Eu tinha saído do treino um pouco mais cedo e vi alguns garotos tentando roubar um carro que estava perto do meu. Eram muito pequenos, do tipo para quem se costuma dar um dinheirinho para tomar conta do carro. Chamei a atenção deles para o que faziam, e eles replicaram que eu não precisava me preocupar pois só roubariam carros com placa de São Paulo. Mandei-os sair dali, dizendo que eles não roubariam carro de nenhum lugar. Lembro-me de ter comentado sobre isso, mais tarde, com um companheiro de time, sobre a dificuldade de se crescer e educar no Brasil. Já então me preocupava com a questão da educação das crianças e essa foi a primeira coisa que surgiu em minha cabeça quando marquei o gol”, diz, em Minha vida em imagens.

Pelé continuaria marcando gols, chegando a 1.281 em sua carreira.

No entanto, matéria do jornal Folha de S.Paulo publicada em 1995 aponta que o milésimo teria sido marcado, de fato, na partida contra o Botafogo-PB. Isso porque a lista de seus tentos omitiria um feito pela seleção do exército, em 1959, contra o Paraguai, partida válida pelo Sul-americano.

Sobre a contagem de seus gols feitos pelo time das Forças Armadas, vale destacar que, diferentemente de atletas que contam tentos marcados quando amadores, os anotados na lista de Pelé foram feitos quando ele já era profissional, e era praxe que as seleções das Forças Armadas à época contassem com jogadores profissionais com idade para servir. O time pelo qual jogou o Rei, por exemplo, contava com outros que já atuavam no futebol profissional como Nélson Coruja, Lorico e Parada. E são contabilizados 15 gols dele na seleção do exército, o que o deixa com uma margem mais que folgada para a contagem de mais de mil gols, ao contrário das contas de outros que não chegariam a essa marca sem artifícios como incluir jogos-treino como amistosos ou contabilizar gol de partida anulada…

A despeito da questão numérica, fica a lembrança dos versos de Drummond em “Pelé: 1.000”: “O difícil, o extraordinário, não é fazer mil gols, como Pelé. É difícil fazer um gol como Pelé.”

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Por que Sampaoli incomodou tanto Levir Culpi?

Declarações de ex-técnico do Atlético-MG sobre treinador argentino mostram como o futebol brasileiro se acomodou

A participação de Levir Culpi no programa Bem Amigos!, da Sportv, repercutiu e segue repercutindo nas redes sociais e em programas esportivos. “Tenho uma convicção sobre seleção, sei quem vai ser o próximo técnico. Eu tenho certeza, vai ser o Sampaoli. Porque ele foi treinar de bicicleta, tem tatuagens e o mais importante: é argentino. Escuta o que eu estou falando. Este é o Brasil”, disse, questionando, de forma irônica na sequência, se o Brasil teria algo a aprender com técnicos estrangeiros.

Não é a primeira vez que um treinador brasileiro reage mal a colegas de profissão vindos de fora. Em outras ocasiões houve a mesma reação, mas parece que dessa vez o incômodo é um pouco maior. Não basta, não apenas para técnicos mas também para alguns jornalistas, que o time de Jorge Sampaoli, o Santos, perca. É preciso que jogue mal. Trata-se não só da figura do argentino, mas de sua ideia de jogo.

Um pouco desses sintomas puderam ser vistos no decorrer da partida entre Grêmio e Fluminense. Quando os gaúchos venciam por 3 a 0, choveram ironias a respeito da forma de jogar proposta por Fernando Diniz, comandante do Tricolor do Rio (ainda que a proposta de Renato Portaluppi não seja também defensiva, como a maioria das equipes da Série A e abaixo). E “especialistas” que pouco ou quase nada acompanharam da carreira de Diniz mas se fartam de critica-lo, tiveram que engolir a seco a virada da equipe carioca.

Aliás, sobre Diniz: poucas vezes vi uma equipe se impor contra o Santos na Vila Belmiro como o Audax na segunda partida da final do campeonato paulista de 2016. À época, o time goleou por 4 a 1 o São Paulo nas quartas de final e eliminou o Corinthians nas semis. Isso com uma equipe que tinha poucos valores individuais e jogadores que não conseguiram grandes êxitos em outros clubes, o que só enaltece mais o trabalho do treinador. Mas nada disso vale na hora de analisar sua performance.

Voltando a Sampaoli. Alguns motivos pelos quais o que faz à frente do Santos chama a atenção.

Expectativa duvidosa – é só verificar o que saiu na imprensa e nas redes sociais à época da contratação de Sampaoli para ver que muitos apostavam no fracasso do treinador. A referência era o desempenho da Argentina na Copa, mais uma vez ignorando-se toda a trajetória de fracasso no mesmo cargo de seus antecessores e de sucesso do argentino em outros lugares.

Resultados rápidos – dado o estilo de jogo adotado por Sampaoli, nem mesmo o torcedor otimista do Santos esperava que a equipe fosse fazer boas apresentações tão rápido. Mesmo reveses como as partidas contra o Ituano e o Botafogo não foram suficientes para incomodar a torcida santista. Basicamente por dois motivos: primeiro, porque o torcedor gosta do “DNA ofensivo” do clube e reconhece quem tenta jogar para frente; segundo, porque há tempos o time não atuava bem e quase sem contratações a esperança peixeira era pequena.

Variações de jogo e de formações – Sampaoli traz não apenas o rodízio de atletas como também muda a forma de atuar conforme o adversário, embora, na maioria das vezes, privilegie a posse de bola.

Estilo pessoal – o treinador argentino parece sofrer como o torcedor que está na arquibancada, o que cria empatia com quem vibra pelo time. Fora isso, adota, como lembrou Levir, uma vida quase de uma “pessoa comum”, andando de bicicleta pela cidade de Santos, passeando na praia com cachorros, sendo simpático com torcedores e mesmo trazendo garotos que assistiam um treino da equipe em cima da árvore para ver de perto os ídolos.

O conjunto da obra incomoda Levir e diversos técnicos e jornalistas, que não cansam de “passar recibo” esperando (e torcendo) pelo ocaso de Smapaoli. O fato é que se trata de uma atitude quase suicida. O futebol brasileiro, antes admirado lá fora, hoje está em uma escalão inferior internacionalmente. As equipes brasileiras, cada vez mais desidratadas em termos de talentos, adotam quase sempre um esquema defensivo baseado em contra-ataques para obter resultados.

Pode ser bom eventualmente para um o outro torcedor quando ganha, mas para o espetáculo de forma geral é ruim. Cada vez mais as pessoas se maravilham com jogos de campeonatos de fora, como a Liga dos Campeões, e se decepcionam com as partidas daqui. Torcedores veem, no máximo, jogos de seus times, ignorando outras pelejas porque sabem que dificilmente vão ver bons jogos.

Técnicos brasileiros não conseguem espaço no futebol de primeira linha lá fora, ao contrário dos atletas daqui. Se isso não é um sinal de alerta, não sei o que é. Há jogadores que dizem, de forma aberta, que um dos motivos para jogar no exterior, além da questão financeira, é aprender a “jogar taticamente”. Mesmo quando treinam clubes e seleções de países periféricos no futebol, como China, Catar, Emirados Árabes, Japão etc, muitas vezes também se deparam com o fracasso. Já os argentinos tem trajetória distinta.

Ao invés de adotar posturas xenófobas, talvez técnicos brasileiros devessem ter humildade em reconhecer as limitações daqui (algo que não é culpa apenas deles, mas também de dirigentes, torcedores e mesmo da mídia esportiva) e se inspirar não só na forma de jogar, mas também de se relacionar com o futebol, que deveria ser mais prazeroso do que se tornou. Do contrário, vamos nos acostumar cada vez mais a um papel secundário no futebol mundial. Uma pena para quem tem uma seleção pentacampeã. Mas natural para quem age com tanta empáfia.

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Arquivado em Estrangeiros no Santos, futebol, Santos, Século 21