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Cinco números e dados sobre o 22º título paulista do Santos

Passado o calor do triunfo do Peixe no estadual mais importante do país em 2016, vamos a algumas considerações e estatísticas sobre a conquista alvinegra

1 – Sufoco, mas nem tanto

Sim, o Santos não jogou da sua forma habitual. Que tem sido, aliás, muito similar à forma do Audax atuar. No entanto, foi uma escolha, em sua maior parte, consciente. Dorival Júnior viu o modo com que São Paulo e Corinthians foram eliminados no Paulista pela equipe de Osasco e sabia que os comandados de Fernando Diniz, o conjunto mais entrosado do torneio e talvez do Brasil hoje, gosta de ser acuado em seu próprio campo para encontrar espaços na transição para o ataque.

A opção de Dorival foi alternar a marcação, ora subindo, ora marcando atrás da linha da bola. O Santos ocupou bem os espaços defensivos, mas entregou a posse de bola para o Audax. Apostou na força de seu contra-ataque, que não funcionou durante boa parte do primeiro tempo, situação que se tornou pior com a contusão de Lucas Lima. Mas, quando foi encaixado, resultou no gol santista.

No segundo tempo, os visitantes continuaram com a posse de bola, mas o Peixe passou a levar mais perigo ao gol rival. Se eles acertaram a trave duas vezes, foi o Peixe que teve um gol injustamente anulado, além da maior chance da partida com Ronaldo Mendes. Nos 90 minutos, Vanderlei fez uma defesa mais complicada, de resto, quase não foi solicitado. Não estamos acostumados a ver o Santos atuar assim, e é lógico que isso traz nervosismo. Mas não foi o amplo domínio que a mídia quis vender.

2 – Decide quem está acostumado a decidir

O Audax tem conjunto, o Santos tem menos, hoje, mas tem jogadores decisivos. Quando se olham os número do Footstats, por exemplo, vê-se o tamanho do prejuízo para o ataque do Santos com a saída de Lucas Lima. Ele foi o que mais deu assistências para finalizações no Paulista, 46, simplesmente 13 à frente do segundo colocado, Tche Tche.

Mas os donos da casa tinham Ricardo Oliveira. Na chance que teve, o artilheiro, acostumado a marcar em clássicos e jogos importantes, guardou.

Ricardo Oliveira comemora gol na final do Paulista 2016

Ah, é Oliveira! (Foto: Ivan Storti/ Santos FC)

3 – Caiu na Vila…

O Santos mostrou mais uma vez a força da sua casa. São 28 partidas de invencibilidade na Vila Belmiro, onde não perde, no campeonato paulista, desde 2011. No total, 24 vitórias e 4 empates. A Vila será, mais uma vez, essencial para a equipe no campeonato brasileiro. É preciso aprimorar a forma de jogar fora de casa.

4 – O time que fez mais gols

Se desta vez o Alvinegro não teve o artilheiro da competição, terminou como melhor ataque da competição. Foram 34 gols, contra 32 de Corinthians e Audax.

5 – Campeão do século 21

No início do século, o Peixe tinha 15 campeonatos paulistas e era o quarto entre os grandes no ranking de conquistas do estadual. Agora, tem 22, tendo superado o São Paulo e empatado com o Palmeiras. Em 2016, alcançou a oitava final consecutiva, igualando marca da Era Pelé.

Nestes 15 anos do século 21, o Alvinegro conseguiu uma Libertadores, dois Brasileiros, uma Copa do Brasil, sete Paulistas e uma Recopa. Não é pouca coisa.

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Oito comentários sobre a oitava final seguida do Santos no campeonato paulista

Vanderlei e Prass

1 – O futebol não contempla a justiça. Mas dessa vez, ela apareceu

Na cena em que o xerife pede por sua vida contra o pistoleiro William Munny em Os Imperdoáveis, ele diz não merecer morrer, no que o matador responde, de forma fria: “merecer não tem nada a ver com isso”.

Assim é a vida. Assim é o futebol.

O Santos não “merecia” ser eliminado pelo que jogou. Teve 59,6% da posse de bola. Dominou a maior parte do tempo. Apanhou muito mais do que bateu. Mas tomou o empate em dois lances de desatenção. Causados um pouco pelo salto alto, outro tanto pelo cansaço. Mas a justiça, pelo menos uma vez, se fez valer nos pênaltis.

2 – Você pode não gostar do Dorival. Só que não foi por causa dele o empate

Os dois tentos do Palmeiras em um minuto foram um misto daquilo que o futebol apresenta. O imprevisível, o Sobrenatural de Almeida, a desatenção, o salto alto, as falhas individuais, a pressão de adversário que está perdendo, a sorte rival, o azar. Futebol tem disso, você que assiste já devia saber. E procurar o culpado sempre naquele que a gente não gosta é normal, faz até com que nos sintamos bem. Só não é verdade.

3 – O Santos tem que jogar o tempo todo como jogou na maior parte do primeiro tempo

Seria lindo que o time fizesse isso. Mas fisicamente é impossível. Não dá, por conta da questão do condicionamento, pra marcar o tempo todo no campo adversário e, ao mesmo tempo manter a concentração — aquela que desaparece quando estamos cansados. Esse sistema é alternado durante a partida por qualquer um que o aplique, e é preciso que o time tenha inteligência pra saber quando modificar o ritmo.

Daí, valem também as jogadas ensaiadas e o elenco para repor as peças. Isso o Santos não tem, mas Dorival tem trabalhado para adaptar jogadores a determinadas funções. A integração com as equipes de base pode ser fundamental no futuro próximo.

4 – A base não é solução pra tudo. Mas é fundamental. E a nossa marca

Poucos repararam, mas o Santos chega à sua oitava final consecutiva no campeonato paulista com seu quarto presidente diferente.  Em 2009, era Marcelo Teixeira. De 2010 a 2013, Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro; 2014, Odílio Rodrigues; 2015 e 2016, Modesto Roma Júnior.

Isso acontece porque o campeonato paulista se decide, na prática, em poucas partidas, as da reta final. É quando você precisa de uma casa que te dê a vantagem, e nisso a Vila Belmiro tem sido decisiva, e jogadores que decidam. Os jovens têm feito esse papel em diferentes contextos. Porque, independentemente da gestão, as divisões de base do clube são fortes, e tem uma marca que transcende. Qualquer pai que goste de fato do filho, quer vê-lo brilhar na Vila. Porque sabe que ali ele não vai ter apenas a melhor estrutura como também contará com o apoio da torcida, que adora as pratas da casa.

5 – Gabriel, menino de ouro

O atacante Gabriel, Gabigol, tem 19 anos. É pouco mais de sete meses mais velho que o seu homônimo do Palmeiras, o Jesus, que já foi comparado com Neymar. Leviandade à parte, não é possível comparar um com o outro.

O garoto santista brilhou hoje. E já foi decisivo em partidas como os duelos da Copa do Brasil contra o Corinthians e o São Paulo. Na primeira final contra o Palmeiras pela mesma competição, perdeu um pênalti, não desanimou e fez o tento da nossa vitória. Oscila, como qualquer jogador, jovem ou veternado, e toda vez que atua mal chovem explicações sobre o porquê.

Mas ele é Gabriel, não é Pelé. Ninguém nunca será. Mas ele é muito bom sendo quem é. E ainda vamos nos alegrar demais com o que ele nos dará.

6- Cuca e a arbitragem

Dizem que o peixe morre pela boca. Mas também falam que o porco morre berrando. Cuca, como usual, pouco analisou a derrota da sua equipe, mas preferiu falar — sem ser perguntado — a respeito da sua expulsão após comemorar o segundo gol do Palmeiras entrando no campo. O quarto árbitro avisou o principal, que determinou a exclusão do comandante do jogo.

Daí vem o “craque” Neto dizer que a exclusão do treinador influenciou para a derrota de seu time na decisão por pênaltis. Claro, se fosse ele, os jogadores estariam mais confiantes… Devo lembrar ao comentarista que, em 2002, quando o Santos enfrentava o Corinthians na final do Brasileiro de 2002, o seu técnico Emerson Leão foi expulso de campo. E a quipe, mesmo assim, virou contra os adversários e garantiu um título após 18 anos de jejum. Com um time que tinha vários moleques.

Mas, quanto à arbitragem, se alguém pode reclamar são os donos da casa. Uma bola na mão, na melhor das hipóteses, que poderia ser pênalti, e um chute no rosto de Gustavo Henrique, infração evidente dentro da área. Além de uma jogada de expulsão de Gabriel Jesus que nem falta foi assinalada. Menos, Cuca, por conta desse tipo de atitude que suas trajetórias foram encurtadas em diversos lugares, inclusive no Santos.

7 – Campeonato Paulista não vale nada. Ah, é?

Sempre vai ter um rival que vai dizer que Paulista não vale nada. Pode valer menos que Libertadores, Brasileiro ou Copa do Brasil, mas… nós ganhamos esses torneios nos últimos anos, não? E nossos rivais?

Tem um que não ganha desde 2005; outro, que venceu somente uma vez no século 21, ou uma nos últimos vinte anos. Se você quiser falar pra um dos torcedores adversários específicos, pode falar que, nessas oito finais consecutivas em que o Peixe chegou, metade delas foi contra times pequenos; outra metade foi contra equipes ditas grandes. O São Paulo não está em nenhum desses dois grupos…

8 – Sobre Vanderlei e o outro goleiro

Antes do duelo por pênaltis, já se dizia em uma emissora de rádio que o Palmeiras gostaria de levar a decisão para as penalidades porque Fernadno Prass era um “especialista”. Ele acreditou.

Mas poucos falam ou falavam de Vanderlei. O goleiro é discreto. Não faz malabarismos porque, em geral, está bem colocado. Se falha, não se enerva. É bom em todos os fundamentos, inclusive na reposição de bola, algo pouco notado. Mostrou ainda hoje que é bom também para decidir.

Se queriam uma narrativa na qual Prass fosse o herói, o modesto Vanderlei derrubou o soberbo Prass. Que julgou ser o herói quando pegou o pênalti de Lucas Lima, alvo preferencial dos palmeirense de dentro e de fora do gramado. Mas sucumbiu diante do arqueiro alvinegro, que já havia pego duas penalidades. A jornada de herói foi nossa.

 

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Em tarde de gols perdidos por Gabriel, Palmeiras e Santos ficam no 0 a 0

Palmeiras e Santos ficaram no 0 a 0 no clássico disputado no Allianz Park, em jogo do campeonato paulista. Mesmo estando longe do ideal, o Alvinegro esteve mais perto de vencer, principalmente no segundo tempo, e Gabriel hoje teve um dia infeliz, desperdiçando quatro grandes chances de gol.

Os dois times entraram com esquemas diferentes dos adotados nos últimos meses. Marcelo Oliveira abriu mão do seu 4-2-3-1, assim como fez na peleja contra o River Plate-URU no final de semana. Já Dorival Júnior, que não tem um substituto confiável para fazer as vezes de Marquinhos Gabriel ou Geuvânio, colocou o meia Serginho alterando o esquema alvinegro para um 4-4-2.

Com o jogo bastante concentrado pelo meio, o Peixe criou pouco na etapa inicial, principalmente na primeira meia hora de partida. Os ataques se davam principalmente pelo lado direito, onde atuou Gabriel, e tanto Lucas Lima quanto Serginho fizeram muito pouco. O garoto ao menos conseguiu sofrer algumas faltas, ainda que não tenham sido aproveitadas pelo Santos. O ponto é que os donos da casa também pouco ameaçaram o gol de Vanderlei e só nas falhas de posicionamento de ambas as zagas que o torcedor pode ter algum traço de emoção.

Ricarod Oliveira

Ricardo Oliveira mais brigou do que jogou contra o Palmeiras (Reprodução)

No segundo tempo, o Santos voltou mais agressivo, buscando as jogadas de velocidade que são a marca registrada da equipe. O Palmeiras também passou a dar mais espaço, indo mais à frente e não recompondo da mesma forma que fazia na etapa inicial. Antes dos 15, entraram em campo Gabriel Jesus, substituindo Matheus Salles, e Patito Rodríguez, em lugar de Serginho. Assim, o Santos voltava ao seu esquema tradicional.

Aos 24, Léo Cittadini entrou no lugar de Thiago Maia, com Renato passando a fazer a cabeça de área e, na sequência, Arouca foi a campo substituindo Thiago Santos. Dorival mexeu pela última vez aos 30. Ricardo Oliveira, instável emocionalmente durante quase todo o jogo, saiu para a entrada do camaronês Joel. O centroavante mostrou que, a despeito de toda experiência, sentiu a partida contra o Palmeiras, mostrando um excesso de vontade normal para garotos, mas estranho a atletas veteranos.

Logo após a entrada de Joel, o treinador palmeirense também fez sua última substituição, com Régis substituindo Robinho. E o camaronês conseguiu um belo lance pelo lado direito, servindo Gabriel, que perdeu sua terceira oportunidade de gol no jogo. Dos três que entraram em campo, aliás, ele foi o único que mostrou alguma efetividade. Merecia mais chances do que vem tendo. Ele também participou da trama ofensiva que resultou no quarto gol perdido por Gabigol, a dois minutos do apito final.

O Santos ainda está muito longe do que fez em 2015, tanto por conta da condição física quanto pelas perdas que não foram repostas de Geuvânio e Marquinhos Gabriel, além de David Braz lesionado. Mesmo assim, esteve muito mais perto de vencer do que os donos da casa. Um empate com gosto de derrota.

Confira os melhores momentos de Palmeiras e Santos:

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Novorizontino 3 X 3 Santos – sem motivo pra desespero

O empate conquistado pelo Peixe fora de casa na noite deste sábado virou motivo de preocupação para muito torcedor. A defesa teve um desempenho horrível e o ataque desperdiçou chances preciosas, principalmente no primeiro tempo, que poderiam ter dado uma vantagem mais confortável ao Peixe. Mas começo de temporada sempre é assim e a diferença de condicionamento físico entre equipes que fizeram uma extensa pré-temporada e os grandes que jogaram até meados de dezembro pesa bastante nesse período. Não há por que desesperar.

O que chamou a atenção ontem foi a variação tática feita por Dorival Júnior. Na primeira etapa, um 4-3-3 no qual os atacantes que jogavam pelos lados do campo – Patito Rodríguez, no lugar de Paulinho, resfriado, e Gabriel – várias vezes conseguiam ficar no mano a mano com os laterais adversários. Isso porque o Novorizontino, do técnico Guilherme (aquele que viu Fábio Costa defender sua cabeçada no segundo jogo da final entre Corinthians e Santos, em 2002) tentava encurtar o campo marcando o Santos mais à frente, o que dava espaço para a armação de contra-ataques do Peixe. Além disso, com Lucas Lima marcado, o Alvinegro jogava pelo meio com as subidas de Thiago Maia e Renato, que várias vezes concentraram as atenções dos marcadores do time do interior. Os laterais do Peixe pouco avançaram e a defesa ficou resguardada das investidas dos donos da casa.

Nesse contexto, na etapa inicial só deu Peixe e o 1 a 0 marcado no final do primeiro tempo por Gabriel ficou pequeno diante da superioridade dos visitantes. Já na etapa final o Novorizontino buscou com mais força o ataque, utilizando principalmente os lados do campo. Chegou ao empate logo, aos 7 minutos, com Pereira, em bola que sobrou na área santista mostrando uma incrível lentidão da defesa (que, lembrem-se, não é só a zaga). Nem o golaço de Lucas Lima cinco minutos depois, com direito a um passeio em meio a quatro marcadores rivais, tirou o ímpeto da equipe do interior, que ainda não venceu em sua volta à primeira divisão.

golaco de Lucas Lima

Lucas Lima marcou um golaço contra o Novorizontino (Ricardo Saibun – Santos FC)

Logo depois de estar novamente à frente do placar, Dorival colocou Vitor Bueno no lugar de Patito, colocando o Santos em um 4-4-2. A lógica era reforçar o meio de campo para buscar o contra-ataque contra um time que ia precisar sair mais ainda para o campo ofensivo. No entanto, Guilherme também mexeu, colocando Fagner no lugar do marcador Deda e Wesley no lugar de Lima. O time passou a jogar com três atacantes, forçando ainda mais as jogadas pelas pontas, com os visitantes preocupando menos com seus avanços do lado esquerdo, já que Vitor Bueno passou a fazer mais a meia do que fazia Patito. Isso liberou o lateral Paulinho, por exemplo, para ir à frente, preocupando a defesa santista.

Jogando melhor, o Novorizontinho chegou ao empate aos 22 e à virada aos 26. Sem muitas opções, Dorival colocou Neto Berola no lugar de Gabriel e Serginho substituindo Thiago Maia. E foi aos 39, em cobrança de falta de Ferraz, que o time escapou da primeira derrota do ano. O tento coroou o esforço da equipe, ainda que o resultado e as oscilações tenham deixado o torcedor com a pulga atrás da orelha. Mas antes de entrar da onda do “Fora Dorival” ou o “manda todo mundo embora”, é preciso considerar alguns fatores.

Primeiro, e talvez o principal a essa altura, seja o já citado condicionamento físico. É normal nas seis primeiras rodadas, pelo menos, os grandes oscilarem por ainda estarem adquirindo a melhor forma, penando contra equipes piores tecnicamente. É o que acontece todos os anos e com quase todos. Foi assim, por exemplo, com aquele outro Santos de Dorival, de 2010, que só engatou após completado o terço inicial da primeira fase.

Ontem, o técnico acabou vacilando ao mudar o esquema de jogo e atrair o Novorizontino, perdendo os lados do campo e expondo a defesa, quando a intenção era justamente protegê-la. Mas, no que diz respeito às sempre criticadas alterações do treinador, é preciso lembrar que, além da falta de opções (alô, diretoria), alguns jogadores parecem estar ainda mais abaixo da sua condição física ideal. Gabriel, por exemplo, sumiu no segundo tempo, e, mesmo sendo obviamente muito melhor que Berola, é compreensível que tenha saído até para que não “estoure” em um jogo menos importante.

É preciso mais paciência. Se o time estivesse estagnado, seria uma coisa, mas tem apresentado variações de jogo interessantes mesmo tendo perdido jogadores que fazem falta no elenco, como Marquinhos Gabriel e Geuvânio, além do contundido David Braz. Dá pra confiar na evolução desse time.

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Santos bate Ponte fora de casa e vence a 1ª no campeonato paulista de 2016

Santos vence Ponte Preta

Ricardo Oliveira comemora o primeiro gol do jogo (Reprodução)

O Santos conseguiu na noite desta quarta-feira algo que pouco aconteceu em 2015: uma vitória fora de casa em peleja válida pela segunda rodada do Paulista de 2016. Há sete anos o Peixe não vencia a Ponte no Moisés Lucarelli e, além do tabu, a vitória convincente por 2 a 0 mostrou que o fantasma de jogar fora de casa pode ser uma página virada na campanha santista em 2016.

Na primeira etapa, o Santos mostrou uma postura bem diferente daquela apresentada em boa parte do Campeonato Brasileiro de 2015 quando atuou fora de casa. Foi uma equipe que marcou o adversário em seu próprio campo, dificultando a saída de bola e saindo com velocidade no contra-ataque. Até aí, algo que o time fazia bastante na Vila Belmiro, mas raramente emplacava longe da praia. Além disso, houve também diferenças pontuais em relação ao que Dorival Júnior treinava no Brasileirão.

Uma diferença notável é que o Peixe jogou ainda mais pelos lados do campo do que fazia meses atrás. Isso porque na saída de trás algumas vezes os zagueiros abriam para os lados para acelerar a transição e também foram mais constantes as trocas de posição entre laterais, volantes e os atacantes pelos lados. Isso ocorreu em períodos curtos da partida, mas a impressão é que o time tem treinado essas variações, que podem ser importantes para o decorrer da temporada.

Mais uma vez, principalmente no tempo inicial, mas também no segundo, o destaque foi Lucas Lima. Ele achou Gabriel no lado esquerdo no lance que originou o primeiro gol do jogo, de Ricardo Oliveira, e sofreu o pênalti que originou o gol de Gabriel, o segundo do Alvinegro na partida e dele no campeonato.  Na etapa final, só foi parado na base da falta, o que acabou carregando a Ponte Preta de cartões amarelos e facilitando a partida para os visitantes, que tinham a vantagem numérica.

Em relação aos desempenhos individuais, Paulinho ainda busca se enquadrar taticamente no esquema de Dorival. É cedo para julgar, mas esforço não falta ao ex-flamenguista. Patito Rodriguez entrou em seu lugar na etapa final e mostrou que pode ser útil como alternativa. Vitor Bueno e Alison também entraram em campo, e mostraram a personalidade usual, ainda que nada de especial, até pelo pouco tempo de jogo.

É importante notar que, mesmo atuando contra um time bastante modificado em relação a 2015 eainda sendo moldadonas mãos de Vinicius Eutropio, o Santos bateu uma equipe da Série A do Campeonato Brasileiro. Com sobras. Mesmo sofrendo algum assédio no segundo tempo, o que é natural pela vantagem e também por ser início de temporada, em nenhum momento deixou de levar perigo ao gol rival. Com a sequência de jogos e o entrosamento nas jogadas pelos lados do campo, repetindo-se as triangulações que já se ensaiaram no embate, o Alvinegro pode fazer uma campanha mais que interessante no Paulista.

 

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Geuvânio, de promessa à realidade no Santos

O torcedor desavisado (de outros times, claro), vendo o camisa 11 do Santos Geuvânio fazer o golaço que abriu caminho para a vitória do Peixe sobre o São Paulo no último domingo, deve se perguntar: mas que é esse jogador?

Claro que esse boleiro também pode ter memória curta, já que o garoto foi revelação do Campeonato Paulista de 2014. Mas o fato de ter “sumido” depois contribui para que a pergunta seja feita. A inconstância tem atrapalhado um pouco a carreira do meia-atacante, dono de um indiscutível talento.

Geuvânio foi revelado pelo Litoral FC, time cujo dono era Pelé e que tinha como objetivo justamente a revelação de atletas. Foi profissionalizado pelo Monte Alegre em 2010, sendo repassado ao Santos. Jogando pela base peixeira, parte dos seus direitos econômicos foi repassada ao Jabaquara e, com o técnico Narciso, então treinador dos juniores, chegou a atuar como lateral-esquerdo.

Geuvânio comemora gol pelo Santos: que a cena se repita muitas vezes (Ricardo Saibun/SantosFC)

Geuvânio comemora gol pelo Santos: que a cena se repita muitas vezes (Ricardo Saibun/SantosFC)

Foi promovido ao time profissional quando Adilson Batista estava à frente da equipe em 2011, tendo suas primeiras chances com o técnico Muricy Ramalho. Contudo, foi Muricy, cuja relação com os meninos da base foi definitiva para sua saída da Vila Belmiro, quem deu o aval para que Geuvânio fosse negociado. A história está aqui.

Em função disso, em 2012, o jogador esteve muito próximo de sair do clube. Porém, quando a proposta de rescisão chegou à mesa do então presidente Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, o dirigente chamou o empresário Cristiano Santana para conversar e definiu a permanência do atleta. O atleta ganhava R$ 3 mil no Peixe e passaria a ganhar R$ 20 mil no Acadêmica de Coimbra, de Portugal.

A ascensão e a queda de Geuvânio em 2014

Em 2013, foi emprestado à Penapolense, onde disputou dez partidas e fez um gol. Voltando ao Santos, foi no ano seguinte que seu futebol explodiu. No Campeonato Paulista de 2014, ganhou o prêmio de revelação, com sete gols e onze assistências. No entanto, teve uma crise de choro após a partida contra a Penapolense na semifinal da competição, após uma atuação apagada. Também não atuou bem nas duas pelejas da final contra o Ituano, e a partir daí passaram a pairar dúvidas sobre seu futebol.

No decorrer do Brasileiro, Oswaldo de Oliveira o colocou no banco e, depois, nem entre os reservas o jogador figurou. Se a má relação com outros jovens já derrubou técnicos do comando do Santos, são poucos os que lembram que o hoje comandante palmeirense não fez um bom trabalho para recuperar tecnicamente o atleta que havia sido destaque no Campeonato Paulista.

Somente após a saída de Oswaldo e a chegada de Enderson Moreira que Geuvânio voltou a ter oportunidades, decidindo partidas e sendo o principal responsável pela arrancada ensaiada pelo Peixe no Brasileiro de 2014, o que incluiu uma série de quatro vitórias seguidas. Contudo, uma lesão na coxa esquerda o tirou da equipe antes da primeira partida da semifinal da Copa do Brasil com o Cruzeiro, no Mineirão. Depois de perder oito partidas, sofreu nova lesão no final de novembro e passou suas férias em tratamento e trabalho de condicionamento físico. Deu certo.

Em 17 partidas jogadas em 2015, Geuvânio tem três gols e uma assistência. Se o desempenho ofensivo é inferior ao apresentado em 2014, é certo que o atleta está mais maduro taticamente, atuando melhor na marcação do meio de campo e no avanço do lateral adversário, além de inverter o posicionamento com outros jogadores de frente, como Robinho.

Ainda com atuações irregulares, o golaço contra o São Paulo mostra a faceta daquele cara “que decide”, o que pode dar mais confiança para o ainda garoto, de 23 anos, mostrar seu potencial em um futebol brasileiro tão carente de lances imprevisíveis e de arte. Isso, Geuvânio tem.

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Santos joga mal de novo, empata com São Bento, e deixa torcida ressabiada

Depois da derrota para a Ponte Preta no meio da semana, o Santos fez outra atuação ruim e ficou somente no empate com o São Bento, na Vila Belmiro. Como de hábito, a torcida não compareceu ao estádio, foram 5.149 pagantes e, sem quatro titulares, o desempenho do time frente ao retrancado time de Sorocaba foi sofrível.

Marcelo Fernandes deslocou Victor Ferraz para sua função original, a lateral direita, no lugar do suspenso Cicinho, e promoveu a entrada de Zeca na lateral esquerda. Lucas Otávio entrou no lugar de Valencia, Gabriel seguiu substituindo Robinho e Wladimir também prosseguiu no lugar de Vanderlei.

Os dois gols sofridos pelo Alvinegro são sintomáticos do que foi a equipe. O primeiro, resultado de um escanteio, foi de autoria do volante Renan Teixeira, que cabeceou sem marcação no meio da área santista. Quando se toma um gol assim, sempre a culpa vai recair na zaga, mas o lance mostra outra realidade. Victor Ferraz é quem marca inicialmente o jogador rival, que se desvencilha sem ser acompanhado antes da cobrança e fica sozinho. Os zagueiros peixeiros estão marcando o beque João Paulo e o atacante Nilson.

Essa é a questão: em um escanteio ou em uma bola parada, não é só zagueiro que marca, mas o time inteiro. E a equipe tem que estar preparada para as jogadas que o adversário costuma usar. A comissão técnica alvinegra estudou ou desprezou esse aspecto do rival? Além disso, saiu Valencia, com seus 1,82, e entrou Lucas Otávio, com 1,64. Isso muda toda a marcação em bolas paradas, assim como o fato de Victor Ferraz marcar do lado oposto. O time se preparou para marcar com essa formação?

Já no segundo tento do time do interior, foram quatro santistas (um atrasado) contra três atletas do São Bento. Os dois atacantes estavam no mano a mano com a zaga. Sim, David Braz escorregou, mas não foi ultrapassado pelo rival, que tocou a bola para quem chegava de trás. Nesse tipo de situação, a chance do adversário levar a melhor é enorme. Defesa no mano a mano é convite para o que aconteceu.

Gabriel Santos São Bento

Gabriel correu mais, mesmo assim foi vaiado (Ricardo Saibun/SantosFC)

Ou seja, o Santos foi mal montado. Sem Robinho, do qual se mostrou muito dependente, o Peixe não conseguiu articular seu meio de campo – setor que o Sete costuma frequentar conforme o andamento do jogo –, não pressionou com qualidade a saída de bola, e não conseguiu atuar de forma compacta. Lucas Lima ficou sobrecarregado na armação e Geuvânio foi mal tática e tecnicamente. Gabriel se esforçou, criou chances e fez um gol, fazendo talvez sua melhor partida no ano, embora distante do que se espera dele e de seu potencial. Fez gestos para a torcida após o gol, o que mostra um certo desequilíbrio que precisa ser corrigido, mas pode até tomar o lugar de Geuvânio após o retorno de Robinho.

Wladimir, quando foi exigido, não correspondeu, e em nenhum momento passou segurança. Já passou da hora de o clube dar a ele novos ares, até porque, quando teve sequência de jogo, não aproveitou. Zeca também teve outra atuação ruim, ainda que tenha mostrado qualidade em outros momentos. Mas não foram os únicos culpados. O que chamou a atenção foi a falta de coordenação do Alvinegro, uma atuação coletiva muito ruim, como na peleja anterior, e sem mudar substancialmente a forma de jogar em momento algum.

A pior notícia destes dois últimos jogos é esta. Além de reforços no campo, talvez o Santos precise de um no banco. Ou o Brasileiro vai seguir a toada dos últimos anos.

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Após fazer dois, Robinho sobe duas posições no ranking dos maiores artilheiros do Santos

robinho santos linense

Robinho comemora primeiro gol do Peixe contra o Linense (Foto Ivan Storti/Santos FC)

Em sua terceira passagem pelo Santos, aos 31 anos, Robinho continua fazendo história com a camisa alvinegra. Após o jogo contra o Linense, quando brilhou mais uma vez, o atacante anotou dois tentos e chegou a quatro gols e duas assistências no campeonato paulista. Mas não foi só isso.

Com os gols na partida de ontem, Robinho, que já havia se tornado, após o jogo contra a Portuguesa, o segundo maior artilheiro do Santos pós-Era Pelé, subiu duas posições no ranking dos maiores artilheiros da história do Alvinegro.

Ele estava empatado com Del Vecchio, com 105 gols, antes do jogo no Pacaembu. A propósito, uma curiosidade. Quase 10% dos gols anotados pelo atacante Del Vecchio foram feitos contra o Linense, rival contra o qual marcou nove vezes. Robinho também ultrapassou Álvaro, que tem 107 tentos pelo Alvinegro, e passou da 19ª para a 17ª posição. O próximo na lista é Vasconcelos, que fez 11 gols pelo Peixe. Veja abaixo quem são os jogadores que estão próximos do Rei das Pedaladas:

10 – Tite – 151 (1951-1957/1960-1963)

11 – Camarão – 150 (1923-1934)

12 – Antoninho – 145 (1941-1954)

13 – Neymar – 138 (2009-2013)

14 – Odair – 134 (1943-1952)

15 – Raul Cabral Guedes – 120 (1933-1942)

16 – Vasconcelos – 111 (1953-1959)

17 – Robinho – 107 (2002-2005/2010/2014 até hoje)

18 – Álvaro – 106 (1953-1961)

19 – Del Vecchio – 105 (1953-1957/1965-1966)

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Sem confete e serpentina, Santos supera São Bernardo e segue líder do Grupo D

O Santos superou ontem (14) o São Bernardo fora de casa, no estádio 1º de Maio, por 1 a 0. Integrante do grupo A, o Bernô, que havia até então enfrentado o Alvinegro em duas ocasiões (um empate e uma derrota), disputa uma vaga para as quartas de final e talvez seja um dos times mais equilibrados fora dos quatro grandes. Bem armado, sabe marcar e sair para o contra-ataque, mas tem um evidente problema de qualidade técnica.

Já o Peixe mostrou, na partida, defeitos que já tinham aparecido em jogos anteriores. No início, buscou muito o passe longo para o pessoal da frente, errando passes em demasia. No segundo tempo, já com a vantagem conquistada com um gol de David Braz em cruzamento de Chiquinho, aos 9 minutos, os visitantes passaram a tocar muito a bola, invariavelmente sem objetividade, mantendo os donos da casa longe da área.

Foi sem brilho, aquele triunfo “pro gasto”, e que permitiu, mesmo assim, algumas observações. Como disse Robinho após a partida, o Santos continua pecando nas finalizações. Das 15 realizadas ontem, somente quatro foram para o gol e houve oportunidades incríveis, como uma de Ricardo Oliveira. O nove santista, aliás, continua nitidamente sem ritmo de jogo, e deve perder a vaga de titular para Gabriel assim que o avante concluir seu trabalho de recuperação física pós-seleção sub-20. Em forma, Oliveira pode ser útil.

David Braz comemora gol solitário do jogo com Robinho (Foto: Ivan Storti)

David Braz comemora gol solitário do jogo com Robinho (Foto: Ivan Storti)

Quando saca o centroavante, fato que aconteceu em todas as partidas no Paulistão, Enderson costuma colocar Robinho como o tal “falso 9”. Ontem, mesmo antes de ser deslocado para essa função, o atacante jogou próximo à área, pelo meio, o que acaba prejudicando seu desempenho. Sendo um jogador móvel e que desarma melhor que a grande maioria dos homens de frente, faria mais sentido Robinho atuar mais pelo meio quando o time precisa – ou quer – tocar mais a bola do que isolado na frente brigando com os zagueiros no corpo a corpo.

Outra experiência do técnico alvinegro foi colocar Elano no lugar de Leandrinho para fazer a marcação pelo meio e cobertura do lado direito, atuando mais como volante ao lado de Renato. Sem poder contar com Alison, essa opção foi testada em parte do segundo tempo, quando o meia entrou em campo. Contudo, nem a marcação melhorou e, o que talvez fosse o principal objetivo, melhorar a transição para o campo ofensivo aproveitando contra-ataques, também não foi alcancaçado. Nesse caso, influencia também a posição de Robinho e a má atuação de Marquinhos Gabriel, que entrou no lugar de Ricardo Oliveira.

No mais, com uma assistência e um gol em cinco jogos, Chiquinho já se firma como titular, acenando para Caju que o jovem vai ter dificuldades para voltar à equipe. Victor Ferraz, no lugar de Cicinho, não é brilhante mas é mais efetivo defensivamente do que o ex-pontepretano. Aliás, no atual esquema de Enderson, os laterais são mais “laterais” mesmo, e não alas como em boa parte das equipes. O posicionamento defensivo de ambos é em parte responsável pelo time ter sofrido somente um gol em cinco partidas.

Líder do grupo D com 11 pontos, oito a mais que o segundo colocado, o Bragantino,  o Santos tem uma semana para trabalhar até a próxima partida, contra a Portuguesa, domingo, às 17h, no Pacaembu. Oportunidade para alguns jogadores aprimorarem o condicionamento físico até lá. Quem sabe a pontaria também não melhora.

Ingressos para Portuguesa X Santos no Pacaembu

A torcida do Santos terá a maior parte da carga de ingressos na partida contra a Portuguesa, domingo (22), no Pacaembu. Mesmo tendo o mando da partida, o clube rubro-verde vai ficar com a parte do Tobogã, para buscar mais renda com o jogo.

Os ingressos podem ser comprados no site do Ingresso Fácil e também nos seguintes pontos de venda:

• Pacaembu (das 11 às 18 horas)
• Canindé (das 11 às 18 horas)
• Vila Belmiro (das 11 às 18 horas)
• Anacleto Campanela, em São Caetano do Sul, (das 11 às 18 horas)

Campeonato Paulista 2015

Ficha técnica – São Bernardo 0 X 1 Santos

São Bernardo

Daniel; Rafael Cruz, Luciano Castán, Diego Jussani e Vicente; Daniel Pereira (Vanger), Carlinhos (Jean Carlos), Marino, Magal e Cañete (Maikon); Lucio Flavio

Técnico: Edson Boaro

Santos

Vanderlei; Victor Ferraz, David Braz, Werley e Chiquinho; Renato, Leandrinho (Elano), Lucas Lima e Geuvânio (Lucas Otávio); Robinho e Ricardo Oliveira (Marquinhos Gabriel)

Técnico: Enderson Moreira

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Santos cria, mas fica no 0 a 0 com São Paulo em noite de Rogério Ceni

Os comentários das redes sociais durante e depois do clássico entre Santos e São Paulo resumem desta vez o que foi o jogo. Rogério Ceni, de fato, fez a diferença a favor da equipe do Morumbi e evitou que seu time saísse da Vila Belmiro derrotado na noite desta quarta-feira.

Foi uma partida em que o Alvinegro foi conquistando espaço aos poucos. Até pouco mais da metade do primeiro tempo, o Tricolor tinha mais a posse de bola, que chegou em dado momento a uma vantagem de 62% a 38%. Os donos da casa abusavam dos passes errados, muito pelo fato de buscaram os toque mais longos, a ligação direta entre o meio e o ataque. As distâncias entre os setores da equipe ficaram visíveis nessa etapa da partida, como, aliás, em outros jogos do Santos neste campeonato paulista.

O panorama começou a mudar quando o São Paulo afrouxou a marcação pressão que fazia sobre o Peixe, passando a sofrer com as investidas de Geuvânio no lado esquerdo de sua defesa. Se o arqueiro Vanderlei demonstrou segurança ao defender finalizações perigosas de fora da área, foi o Santos que entrou pela defesa adversária, com uma jogada fantástica de Geuvânio e outro passe seu para Robinho, ambos os lances defendidos por Rogério Ceni quando os atacantes santistas já estavam dentro da área.

marquinhos gabriel santos

Marquinhos Gabriel, que estreou no Santos entrando no lugar de Ricardo Oliveira (Foto: Ivan Storti/Santos FC)

Se a objetividade peixeira já havia sido maior mesmo como time jogando pior que o rival, quando passou a ter mais presença no campo do São Paulo as oportunidades de gols e multiplicaram. E Ceni cresceu ainda mais. Os visitantes seguiam tocando a bola, mas não conseguiam articular jogadas incisivas de ataque. Ganso teve atuação apagada, confirmando a escrita de não jogar bem contra seu ex-clube na Vila. Michel Bastos se movimentou, mas pouco criou, e à frente, Luis Fabiano e Evandro (depois Alexandre Pato) foram em boa parte do tempo presas fáceis para a defesa, mesmo quando os donos da casa passaram a dar mais espaço perto do final do jogo.

Em uma peleja de alta intensidade, os veteranos, ou “tiozinhos da Vila”, sentiram. Ricardo Oliveira perdeu ótima chance por não conseguir avançar em um contra-ataque; Renato desperdiçou um rebote de Ceni finalizando em cima do goleiro, ajudando o arqueiro a se consagrar ainda mais, e Robinho também não aguentou o retorno até o meio de campo, algo que o jogo passou a exigir que fizesse. E também chutou pra fora em finalização feito de dentro da área, dando a nítida impressão de cansaço. Destes, só Renato permaneceu até o final, na questionável opção de Enderson Moreira, que preferiu sacar Lucas Lima e colocar Elano em campo. Mas é fato que o jovem meia também estava exaurido, muito por conta da marcação que passou a fazer no lado direito da intermediária no segundo tempo.

O técnico fez a opção por uma partida mais cautelosa, algo compreensível, já que o adversário manteve a forte base de 2014 e o Santos ainda precisa de mais condicionamento físico e entrosamento. De qualquer forma, sabendo que a equipe vai contar com Gabriel, Caju e Thiago Maia, que retornam da seleção sub-20, o elenco fica um pouco mais encorpado e o torcedor começa a ter mais esperanças do que o final de 2014 sugeria. No entanto, o meio de campo precisa marcar melhor atrás e acertar com mais precisão a transição para o ataque.

No primeiro teste real da temporada, o Alvinegro foi quem teve mais finalizações certas, mostrando que pode lamentar o 0 a 0. No total, foram doze contra cinco. Contando que ainda houve um pênalti evidente em Ricardo Oliveira não marcado pelo árbitro Leandro Bizzio Marinho, que estava a poucos metros do lance, o torcedor pode reclamar com mais vontade. Mas, para uma equipe em formação, as notícias parecem boas.

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