Folha de S. Paulo descobriu a pólvora: Neymar não é Pelé

Na edição do periódico da família Frias, neste domingo, um dos destaques de capa da edição paulistana dizia: Neymar chega aos 20 rico, mas sem jogar Copa e só com um quarto de gols de Pelé.

Interessante, a única notícia de verdade era que o atacante santista fazia aniversário. O resto não diz absolutamente nada: Neymar é rico (sério?), não jogou uma Copa do Mundo (ufa, minha memória ainda está boa) e, pasmem, não fez tantos gols quanto Pelé aos 20 anos… Ah, vá! Se eu fizesse um post sobre o nascimento do peixeiro com um título “Neymar, aquariano como este escriba, faz anos hoje”, teria mais informações do que o dito na chamada de capa da Folha.

Mas há que se analisar o porquê da comparação com Pelé. Para dizer que Neymar é menos que ele? Bom, se tomarmos como fundamento os mesmos critérios para falar de dois rivais (sic) do Rei em termos do cetro de melhor de todos os tempos, como ficariam Messi e Maradona em comparação a Pelé?

Messi fez em 2010 seu centésimo gol pelo Barcelona. Não achei informações sobre quando ele fez o seu tento cem como profissional. Mas o fez pela equipe catalã aos 23 anos de idade. Pelé atingiu essa marca no Santos a pouco mais de um mês de completar… 18 anos (duvida? Confira aqui). A essa altura, já havia sido protagonista do primeiro título mundial do Brasil, local da América do Sul que só mais tarde (e em boa parte por causa dele) seria consagrado de fato como o país do futebol. Marcou seis gols pela seleção brasileira na Copa de 1958, dois antológicos que estão em qualquer lista dos mais bonitos dos Mundiais, em todos os tempos. Não foi campeão vendo o time jogar do banco, repito, foi protagonista. Com 17 anos de idade.

E Maradona? Bom, o argentino, que tem menos da metade dos gols marcados por Zico na carreira, jogou sua primeira Copa aos 22 anos. Celebrizou-se à época por uma jogada grotesca em cima do volante Batista, no jogo contra o Brasil, quando foi expulso pelo lance violento. Em 166 partidas pelo Argentino Juniors, marcou 116 gols entre 1976 e 1981. Em 166 partidas como profissional, Pelé tinha 183 gols. Ah, sim, e era campeão mundial pela seleção. A diferença de tentos entre um e outro só aumentaria com o decorrer da carreira de ambos…

E daí?, você deve estar se perguntando. Foi a mesma pergunta que fiz quando li a chamada de capa da Folha, que, ao que parece, quis diminuir Neymar, o comparando… com Pelé! Como se algum jogador resistisse a essa comparação, pelos critérios adotados pelo jornal. Como visto acima, nem Messi e nem Maradona. Se os critérios forem outros, e podem ser totalmente subjetivos, aí sim pode valer tudo. Meu pai diz que o jogador que mais o impressionou foi o meia Carlyle e, conforme a conversa, ele vai dizer que ele foi melhor que Pelé. Mas, se adotarmos títulos, participações em Mundiais, atuações individuais em partidas importantes, gols marcados (de todo jeito), lances geniais, pelejas pela seleção etc etc etc… Difícil comparar com o Rei, né?

Comparados com Pelé, Foha de S. Paulo, todos ficam menores.

PS: Além de tudo, há um erro matemático na chamada de capa. Pelé, quando fez 20 anos, em 30 de outubro de 1960, tinha 343 gols como profissional. Ou seja, Neymar tem aproximadamente 29% dos gols marcados pelo Rei aos 20 anos, não um quarto.

1 comentário

Arquivado em Década de 50, Década de 80, futebol, História, Santos, Século 21

Uma resposta para “Folha de S. Paulo descobriu a pólvora: Neymar não é Pelé

  1. Pingback: A despedida de Neymar. O difícil adeus do torcedor do Santos | Filho de Peixe

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s