Previsões para o campeonato brasileiro de 2015: o Santos pode ser campeão?

Respondendo objetivamente à pergunta acima: difícil, mas não impossível. Em relação aos dois anos anteriores, esta é a melhor chance do Peixe ao menos disputar de fato o G4, algo que ele só ameaçou fazer nas duas últimas edições do campeonato brasileiro. Claro, há fatores que estão além das vontades dos muros que cercam a Vila Belmiro que podem facilitar ou dificultar a missão. Vejamos alguns deles.

O que pode ajudar o Santos a ir longe no Brasileirão?

Começando pelos fatores externos. Há cinco equipes brasileiras disputando a Libertadores, embora no máximo três continuarão após o meio da semana. Isso significa que dois clubes no mínimo estarão de “ressaca” na segunda rodada do Brasileiro e ao menos dois estarão priorizando a competição continental até a quarta rodada caso percam nas quartas de final.

Times que chegam à final da Libertadores não ganham título do Brasileirão, nada indica que isso vá mudar. Mas os que são desclassificados cedo demais também podem não sentir o baque, a exemplo do que aconteceu no ano passado com o Cruzeiro. Quem for longe, pode não ter fôlego pra ir bem no Brasileiro. Portanto, se os rivais dos quais não gostamos acabarem classificados na semana que vem, há razão para não ficar tão chateado.

Também existe a perspectiva de reforços. Quando fechou a contratação do meia Rafael Longuine, ex-Audax, o presidente do Santos, Modesto Roma, reconheceu a necessidade de chegarem mais jogadores. “Sabemos que o Santos precisa de contratações, e vamos trabalhar para isso. Temos um elenco de 28 atletas para o Campeonato Paulista, e pensamos em ter até 33”, disse na ocasião, o que abre espaço para pelo menos mais quatro nomes.

A partida do meio de semana entre os reservas do Santos e o Maringá também trouxe uma boa nova. A equipe, ao contrário dos últimos anos, tem reservas interessantes em boa parte das posições e os garotos, em que pese o empate sofrido em cinco minutos justamente pela falta de alguém mais experiente em campo, podem e devem evoluir. Algumas peças poderiam fortalecer a equipe como um jogador como opção de velocidade no ataque, um volante ou atleta que possa fazer o papel de terceiro homem no meio de campo e um zagueiro, por exemplo.

Robinho é peça-chave do Santos no campeonato brasileiro (Ricardo Saibun / Santos)

Robinho é peça-chave do Santos no campeonato brasileiro (Ricardo Saibun/Santos)

O que pode atrapalhar o Santos no Brasileirão?

O primeiro fator que pode perturbar a evolução alvinegra é a seleção. Robinho é peça chave desse time não somente pela técnica e inteligência tática, mas também pelo papel de liderança que exerce em campo, algo muito mais notado hoje do que em sua última passagem pelo time. Com a Copa América, ele pode desfalcar a equipe em sete jogos se a seleção for à final e a diferença de aproveitamento entre o time com e sem Robinho é evidente. Com o Rei das Pedaladas, o Peixe não perdeu em 2015, já que nas derrotas diante de Ponte e Palmeiras ele não atuou. Pela ordem, Robinho deixaria de jogar contra São Paulo (F), Ponte Preta (C), Atlético-MG (F), Corinthians (C), Internacional (F), Fluminense (F) e Grêmio (C). E, claro, manter o craque na Vila é fundamental para as pretensões santistas.

Marcelo Fernandes afirmou que ter um bom início de Brasileiro é fundamental para o decorrer da competição. “Estou aqui há cinco anos, e o Santos tem se destacado do meio para o fim do campeonato. O que tem impossibilitado a gente de chegar entre os primeiros é o começo do campeonato”, afirmou. Não é bem verdade, mas a análise até faz sentido.

O Alvinegro terminou o primeiro turno do Brasileiro de 2014 em 9º lugar, com 26 pontos ganhos, 17 atrás do líder Cruzeiro. Em um segundo turno mais equilibrado, ficou em 10º, com 27, mas bem mais próximo dos líderes Cruzeiro e Corinthians, que fizeram 37 pontos. Já em 2013, o Santos terminou em 7º lugar o primeiro turno com 29 pontos obtidos e no returno foi o oitavo, com 28.

A impressão de Fernandes de que o Peixe foi melhor no segundo turno se deve ao fato de que tanto em 2013 quanto em 2014 a equipe ensaiou uma briga pelo G4 que, na prática, não existiu. Em ambos os campeonatos, o time trocou de técnico no meio do caminho: no ano retrasado Muricy Ramalho caiu e o interino Claudinei Oliveira se tornou efetivo e no ano passado Oswaldo de Oliveira deu lugar a Enderson Moreira.

Em 2013, o Santos ainda vivia a perda de Neymar para o Barcelona, mas o fato é que, em algumas partidas decisivas, Claudinei preferiu não arriscar. Sem o risco, perdeu o posto não naquele ano, mas na temporada seguinte. Marcelo Fernandes não pode repetir o erro, já que na segunda peleja da final do campeonato paulista de 2015 quase pôs tudo a perder por conta da falta de ousadia quanto tinha um jogador a mais que o rival. Mire o exemplo de Claudinei, Marcelo…

Já em 2014, Enderson Moreira passou a utilizar com mais frequência Lucas Lima, que teve menos chances do que merecia com Oswaldo de Oliveira, e recuperou o futebol de Geuvânio, encostado pelo técnico anterior. Deu resultado até a contusão do garoto, que trouxe nova queda de rendimento na equipe. Outro alerta para a comissão técnica e para a diretoria: sem reforços e elenco, não se vai longe no Brasileiro, e é preciso treinar atletas para desempenhar as funções dos titulares. Em campeonatos de longa duração, contusões são comuns e o Peixe não pode ser surpreendido.

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